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Reequilibrar o Brasil implica em aumentar impostos, diz Dilma

Para a presidente, as denúncias de delações são repetitivas e sem novidades

    • Agência O Globo
    • 15/01/2016 13:29
    Dilma em café da manhã com jornalistas. | José Cruz/Agência Brasil/Fotos Públicas
    Dilma em café da manhã com jornalistas.| Foto: José Cruz/Agência Brasil/Fotos Públicas

    Diante do aumento do desemprego no país, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (15) que a grande preocupação do governo é com o número de pessoas fora do mercado de trabalho. Em café da manhã com jornalistas de agências de notícias no Palácio do Planalto, Dilma defendeu mais uma vez o retorno da CPMF para reequilibrar as contas do país e retomar o nível de emprego.

    “A grande preocupação do governo é a questão do desemprego. E é por causa disso que nós achamos que algumas medidas são urgentes. Reequilibrar o Brasil num quadro em que há queda de atividade implica necessariamente, a não ser que nós façamos uma fala demagógica, em ampliar impostos. Eu estou me referindo à CPMF”, disse completando: “Acho que é fundamental para o país sair mais rápido da crise aprovar a CPMF, que é um imposto que se dissolve, se espalha por todos, de baixa intensidade, ao mesmo tempo que permite controle de evasão fiscal e ao mesmo tempo faz outra coisa, que é muito importante: tem um impacto pequeno na inflação, porque ele é dissolvido se você considerar os demais impactos.”

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    Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados nesta sexta-feira (15), a taxa de desemprego no país ficou em 9% no trimestre encerrado em outubro. O resultado é o mais alto da série, iniciada em 2012

    Além da aprovação da CPMF, Dilma destacou que as prioridades do governo para restabelecer o equilíbrio fiscal são a aprovação no Congresso da DRU, a aprovação da Medida Provisória que trata dos juros sobre capital próprio e ganhos de capital.

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    Dilma Rousseff disse que as denúncias que têm saído por meio de delações premiadas referentes a ela própria e a ministros de seu governo são “repetições”. Segundo a presidente, não há novidade nenhuma no que tem sido revelado. Ela aproveita para questionar quem está dizendo cada uma dessas coisas e afirma que sempre respondeu de forma clara a todos os questionamentos e continuará o fazendo.

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    “Essas denúncias são de vazamentos. Eu não sei nem se as deleções estão feitas, se é delação de quem, se é vazamento de quem. Então, vocês me permitam dizer o seguinte: nós responderemos, eu especialmente, responderei qualquer coisa em quaisquer circunstâncias. As últimas que saíram são repetições. Não tem nenhuma novidade nessa questão. Então, me permita dizer que quando as coisas ficarem bem claras, porque tem uma hora que fica difícil. Qual é a hora que fica difícil? A gente não sabe quem disse, quem falou, e se é garantido. Não tem clareza para nós. Para nós, a pergunta nunca vem muito clara. Quem disse? É verdade que disse? Quem me garante que disse? E disse aquilo mesmo? E em que contexto?”, perguntou Dilma.

    Em seguida ela disse que com relação a suas ações no Conselho da Petrobras, quando o presidiu, ela dará todo o material, inclusive as atas. Uma das revelações vazadas da delação do ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, dá conta da compra da refinaria de Pasadena, que causou prejuízo milionário à estatal.

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    “Eu estou fornecendo tudo, como eu sempre fiz. Então, nessa questão, pergunta que eu respondo. Pergunta por escrito eu respondo, dou ata, dou papel, dou material, dá para fazer uma boa reportagem”, disse Dilma.

    Antes, a presidente foi questionada sobre o processo de impeachment contra ela que tramita na Câmara. Ela afirmou que é pouco democrático querer tirar um presidente do Poder por “não gostar dele”. Ela comparou os sistemas políticos de diferentes países do mundo e afirmou que no Presidencialismo não é possível depor o chefe de Estado por não simpatizar com ele, algo que pode ser feito no Parlamentarismo, no qual o partido majoritário pode decidir trocar o primeiro ministro quando há quebra de confiança.

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    “Não se pode no Brasil achar que você tira um presidente porque não está simpatizando com ele. Isso não é nem um pouco democrático. Além disso, achar que você tira um presidente porque, do ponto de vista político você não gosta dele, é algo que se faz no Parlamentarismo. O voto do Presidencialismo necessariamente implica que, para você tirar um presidente, você tem que ter razões concretas, que não são políticas, são aquelas previstas na lei “, ponderou.

    Este foi o segundo café da manhã com jornalistas que Dilma fez este ano. A entrevista, que durou quase uma hora e meia, foi concedida a agências de notícias e revistas.

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