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| Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã

Protesto fecha estrada em Campos

Manifestantes contrários à redistribuição dos royalties do petróleo bloquearam ontem os dois sentidos da rodovia BR-101 em Campos dos Goytacazes, região norte do estado do Rio do Janeiro. Campos é um dos principais municípios produtores de petróleo e será um dos mais prejudicados com a nova divisão dos royalties.

Barricadas com madeira e pneus queimados foram montadas no quilômetro 76, impedindo o tráfego. De acordo com a concessionária Autopista Fluminense, que administra o trecho, o protesto começou às 5h20 e se estendeu até 11h30.

Tanto os veículos que deixavam o interior em direção à capital quanto os que seguiam para o Espírito Santo foram impedidos de passar. De acordo com a concessionária, por volta das 10h, os engarrafamentos causaram filas de veículos de 8 quilômetros em ambos os sentidos.

O bloqueio às regiões produtoras de petróleo foi a maneira que os prefeitos das cidades do interior do Rio encontraram para chamar atenção para sua causa. Nas cidades da região norte, os royalties pagos pela indústria petroleira são a principal fonte de receita.

Mercado

Rodada de concessões de exploração pode ser prejudicada, diz analista

Agência Estado

O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), João Carlos de Luca, afirmou ontem, que a 11ª rodada de concessões da exploração de petróleo, marcada para os dias 14 e 15 de maio, pode ser prejudicada pela discussão sobre os royalties. Segundo ele, a briga pode espantar investimentos. "A indústria está muito preocupada com essa discussão porque pode atingir estabilidade regulatória e segurança jurídica", disse ele. De Luca diz que já existem incertezas no mercado, como a que diz respeito a conteúdo local e a capacidade de a Petrobras investir, já que é operadora única no pré-sal. "Estamos muito preocupados."

  • Zoinho (PR-RJ), deputado federal

Parlamentares do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, estados que abrigam grandes campos petrolíferos, iniciaram uma ofensiva para anular a sessão do Congresso Nacional que derrubou o veto da presidente Dilma Rousseff à lei dos royalties do petróleo. Eles ingressaram com três ações no Supremo Tribunal Federal (STF) alegando que houve descumprimento do regimento interno do Congresso durante a sessão. Paralelamente, o deputado Zoinho, do PR do Rio, denunciou ontem que alguém votou em seu lugar e cobrou do Legislativo a anulação da sessão. Rio e Espírito Santo são os estados que mais vão perder com a nova partilha dos royalties.

Zoinho afirmou que, diante da iminência da derrota na votação, deixou a Câmara dos Deputados na quarta-feira por volta das 20 horas para pegar um voo de volta ao Rio de Janeiro. Assim, poderia chegar a tempo a um compromisso na manhã de quinta-feira em Volta Redonda (RJ). Ele disse ter avisado a pelo menos três deputados fluminenses – Paulo Feijó (PR), Leonardo Picciani (PMDB) e Walney Rocha (PTB) – que iria embora antes da sessão, que terminou na madrugada de quinta-feira.

O deputado do PR repassou à imprensa um bilhete de passagem aérea e a lista de votação entregue pela Mesa Diretora do Congresso na qual consta sua assinatura. "Houve uma fraude clara e comprovada", afirmou Zoinho, que cobra do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a anulação da votação. Ele disse ter pedido uma análise grafotécnica da sua assinatura à direção do Congresso.

Zoinho afirmou que já acionou a liderança do PR para buscar meios para cancelar a votação administrativamente, no Congresso. Mas ele não descartou a possibilidade de recorrer à Justiça, em caso de o próprio Congresso manter a validade da sessão. "Eu e a liderança do PR vamos pedir a anulação da sessão. Eu não assinei nada. Vão ter que esclarecer quem assinou no meu lugar. Vou querer inclusive um exame grafotécnico", afirmou. "Espero que a Mesa Diretora corrija esse erro, senão a Casa vai ficar sob suspeita. Essa votação não pode ter validade. Vamos para o Supremo, se for preciso."

Descumprimento

Parlamentares do Rio e do Espírito Santo também protocolaram no STF três pedidos formais de anulação da sessão que derrubou o veto à lei dos royalties, sob a alegação de que as regras internas do Congresso foram descumpridas. Deputados e senadores dos estados produtores de petróleo acusam o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), de agir com "ilegalidade e abuso de poder" na condução dos trabalhos.

Numa das ações, parlamentares argumentam que a votação da proposta não respeitou prazos regimentais antes de ser iniciada. Eles alegam que Renan "não tem poderes para pautar a matéria sem a devida observância dos ditames constitucionais".

Os congressistas sustentam que, como o veto foi reeditado na terça-feira pelo Planalto, antes da votação, a proposta deveria ter sido lida em uma sessão exclusiva. Eles alegam ainda que era preciso criar uma comissão para analisar os vetos e elaborar um parecer anterior à votação, como determina a Constituição.

O ministro do STF Luiz Fux pediu ontem mesmo ao Congresso e à Advocacia-Geral da União (AGU) que se manifestem sobre pedido de parlamentares para anular sessão que derrubou os vetos à lei dos royalties – o que indica que as ações devem ter um julgamento rápido.

Rio ameaça elevar ICMS do petróleo e não dar licença para exploração

Agência Estado

O governo do Rio de Janeiro, principal produtor de petróleo do país e estado que será mais prejudicado pela nova distribuição dos royalties, ameaçou ontem dificultar a exploração das jazidas em seu território e aumentar a tributação estadual sobre o petróleo – o que encareceria o produto em todo o Brasil.

O secretário de Desenvol­­­vimento do Rio, Júlio Bueno, disse que há uma série de medidas que podem ser tomadas pelo Rio caso haja a redistribuição dos royalties do petróleo – o que levaria a uma queda de receita do estado. Entre elas estão a alteração das alíquotas de ICMS e a não concessão de licenças ambientais para o setor de petróleo.

"A imaginação é infinita, dá para fazer um monte de maldade", disse. "Mas não posso supor que o Supremo vá transgredir a norma jurídica. Acho que sinceramente a Justiça vai imperar no Brasil", afirmou.

O Rio calcula as perdas com a mudança no pagamento dos royalties do petróleo em R$ 75 bilhões até 2020. Neste ano, serão entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões. Os municípios seriam os mais prejudicados. No caso de perda de R$ 3 bilhões, seria R$ 1,6 bilhão para os municípios, e R$ 1,4 bilhão para o estado.

Para Bueno, deve haver compensações aos estados produtores pelo governo federal caso o STF mantenha a decisão do Congresso sobre royalties. "Vai ter que ser compensado de alguma forma, com receitas novas."

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