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Serraglio recebeu verba eleitoral de empresas investigadas pela Carne Fraca

Duas companhias que são alvo da operação da Polícia Federal repassaram um total de R$ 230 mil para as campanhas de 2010 e 2014 do hoje ministro. Serraglio nega irregularidades

  • PorFernando Martins
  • 17/03/2017 21:21
Serraglio é citado mas não investigado pela Operação Carne Fraca. | Wendel Lopes/PMDB
Serraglio é citado mas não investigado pela Operação Carne Fraca.| Foto: Wendel Lopes/PMDB

Citado na Operação Carne Fraca, o ministro da Justiça, o deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), recebeu doações eleitorais oficiais de duas empresas investigadas pela Polícia Federal (PF) no suposto esquema de pagamento de propina para fiscais do Ministério da Agricultura. Na eleição de 2010, na qual disputou uma vaga para a Câmara dos Deputados, Serraglio ganhou R$ 30 mil da Unifrango Agroindustrial S.A. Em 2014, o peemedebista se reelegeu deputado numa campanha que teve uma doação de R$ 200 mil da JBS S.A., feita por intermédio do diretório nacional do PMDB. Essa foi a maior doação recebida por Serraglio na eleição de 2014.

Por meio da assessoria de imprensa do ministério, negou qualquer irregularidade e destacou que as doações foram legais e registradas na Justiça Eleitoral.

A JBS é uma gigante do setor de alimentos. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta sexta-feira (17) em unidades da empresa. O mesmo ocorreu com a Unifrango, que tem sede no Paraná. Segundo o despacho do juiz Marcos Josegrei da Silva, que autorizou a operação da PF, conversas telefônicas gravadas entre fiscais do Ministério da Agricultura e de representantes da Unifrango “sinalizam para possíveis irregularidades” – dentre os quais, suposto pagamento de propina.

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Terceira empresa

O despacho cita ainda uma terceira empresa que doou oficialmente R$ 60 mil para a campanha de 2010 de Serraglio. Não há nenhuma acusação de irregularidade contra esse frigorífico – por esse motivo, a Gazeta do Povo optou por não divulgar o nome da empresa. Mas ela consta numa lista de frigoríficos com quem, segundo a PF, o ex-superintendente do Ministério da Agricultura Daniel Gonçalves Filho, acusado de chefiar o suposto esquema, teria “intenso relacionamento”.

Gonçalves Filho, por sua vez, é o fiscal com quem Serraglio foi flagrado numa gravação telefônica tentando buscar informações sobre uma fiscalização que havia fechado um frigorífico em Iporã, no interior do Paraná. Na ligação, o hoje ministro chama o fiscal de “grande chefe”.

O ministro é citado nas apurações da operação, mas não é investigado pela Polícia Federal (PF). Os policiais não viram indício de crime cometido por Serraglio. Ainda assim, como ele apareceu nas investigações, o material referente ao peemedebista será remetido para a Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliar a possibilidade de abrir uma apuração. Por ter foro privilegiado, só pode ser investigado pela PGR com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

O que diz Serraglio

Por meio da assessoria de imprensa do Ministério da Justiça, Serraglio negou irregularidades no recebimento das doações de suas campanhas. Destacou que ele não tem nada a esconder e que a verba de campanha recebida das empresas está devidamente registrada na Justiça Eleitoral.

A assessoria confirma que foram R$ 200 mil repassados pelo PMDB nacional e reforça que a doação legal foi devidamente registrada na prestação de contas. “O Diretório nacional recebeu doações e as repassou a diversos candidatos. Possivelmente haverá outros do PMDB do Paraná que também receberam o dinheiro da mesma origem”, afirma.

Segundo a assessoria, i ministro nunca teve qualquer contato com a JBS e, ao contrário, há dois anos denunciou formalmente uma tentativa da empresa de obter financiamento público para uma operação.

O Ministério da Justiça também afirmou, por meio de nota, que a divulgação de conversa entre Serraglio e Daniel Gonçalves Filho é prova de que o ministro não interfere na atuação da Polícia Federal, hierarquicamente subordinada à pasta chefiada pelo peemedebista.

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O que diz a BRF

A JBS informou que suas doações eleitorais são devidamente registradas e declaradas à Justiça Eleitoral e à Receita Federal. Afirmou também que os recursos doados a partidos foram geridos diretamente pelas siglas.

Sobre a Operação Carne Fraca, a JBS emitiu nota afirmando que “atua em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior” e que “apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas”. A empresa ainda informou que “repudia veementemente qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos” e que “se mantém à disposição das autoridades com o melhor interesse em contribuir com o esclarecimento dos fatos”. Ainda na nota, a JBS destacou que nenhum executivo da companhia foi alvo da operação, que tem como investigado apenas um funcionário da empresa cedido ao Ministério da Agricultura.

E a Unifrango

A Gazeta do Povo procurou na tarde desta sexta-feira (17) a Unifrango para que a empresa se pronunciasse sobre a investigação e a doação eleitoral a Serraglio. A reportagem deixou telefone e e-mail de contato e foi informada que seria procurada pela assessoria de imprensa da empresa. Até o momento, porém, isso não ocorreu.

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