Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
TCE-SP

Servidores de tribunais de conta vão pedir afastamento de Robson Marinho

Presidentes de entidades de classe dizem ter coletado provas para a elaboração de uma ação popular que peça a saída de Marinho do tribunal

Presidentes de entidades de classe que representam servidores de tribunais de contas se reunirão na tarde desta quarta-feira (28) para pedir o afastamento do conselheiro do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) Robson Marinho. O encontro está marcado para as 14h30.

O encontro, proposto pela Federação Nacional das Entidades dos Servidores dos Tribunais de Contas do Brasil (Fenastc) e pela Associação Nacional do Ministério Público de Contas (Anpcom), acontecerá na sede do Sindicato dos Servidores da Câmara Municipal e do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (Sindilex).

Os representantes dizem ter coletado provas para a elaboração de uma ação popular -instrumento que questiona judicialmente "atos lesivos ao patrimônio" público- que peça a saída de Marinho do tribunal. O ofício será assinado por presidentes e membros das entidades de classe presentes no local.

"Em primeiro momento, solicitaremos que a Justiça dê uma decisão liminar que afaste o senhor Robson Marinho do tribunal", afirmou Amauri Perusso, presidente da Fenastc. Segundo ele, se forem provadas irregularidades na conduta de Marinho nos anos anteriores à sua, a ação pedirá que "o ato de nomeação do conselheiro seja desconstituído".

Marinho é investigado pelo Ministério Público desde 2008 sob suspeita de ter recebido propina da multinacional francesa Alstom para ajudar a empresa em contratos com o governo do Estado de São Paulo. Na semana passada, o Ministério Público pediu à Justiça o afastamento do conselheiro do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) Robson Marinho.

A Promotoria alega que documentos obtidos por autoridades da Suíça comprovam que Marinho recebeu propina para ajudar a multinacional francesa Alstom em contratos com o governo de São Paulo e, por isso, ele não deve permanecer no cargo de conselheiro do TCE-SP.

O requerimento do Ministério Público aponta que as autoridades suíças apuraram em 2013 o saldo de US$ 3 milhões em conta da empresa estrangeira Higgins Finance, cuja propriedade é atribuída ao conselheiro do TCE e à mulher dele. A conta foi bloqueada em virtude das investigações.

De acordo com Perusso, a ação popular é "um remédio constitucional para manifestar a indignação" das entidades. Ele diz que há uma "mobilização nacional das entidades de servidores" por mudanças nos tribunais de contas. "A Constituição pede reputação ilibada e idoneidade moral aos conselheiros. Nossa intenção é pedir a saída de conselheiros e ministros dos tribunais de contas que não têm condição de atuar", afirmou.

Para o presidente do Sindilex, Marcos Alcyr, "estando sob suspeita, o conselheiro não podia estar julgando". "No mínimo, deve haver um impedimento, uma suspensão. Quando um juiz passa em um concurso público, uma devassa é feita na vida da pessoa, por que não aplicar esse mesmo filtro a quem julga as contas públicas?", questionou.

Entenda o caso

Marinho é investigado desde 2008 sob suspeita de ter recebido propina da Alstom para que a multinacional francesa conseguisse um contrato, sem nova licitação, para vender três subestações de energia elétrica para a Eletropaulo e a EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia) por R$ 181 milhões, em valores atualizados.

A compra ocorreu em 1998, quando Marinho, que havia sido o chefe da Casa Civil de Mário Covas (PSDB) de 1995 a 1997, já estava no Tribunal de Contas. Marinho disse que esse contrato jamais foi julgado pelo TCE e que o único processo da Alstom em que atuou foi o da extensão da garantia das subestações importadas da França, em 2001.

Segundo o conselheiro, Marques já apresentou várias versões sobre como ele teria ajudado a Alstom. Em uma delas, o promotor teria dito que Marinho recebeu US$ 1 milhão (cerca de R$ 2,2 milhões hoje) para aprovar uma extensão de garantia de R$ 4,8 milhões para a Alstom.

A suposta propina seria "50% do valor do contrato que votei", segundo ele. "A insinuação do promotor é ridícula", classificou. "Nunca dei nenhum voto para favorecer a Alstom."

Marinho reclamou que é investigado há seis anos, sem que nenhuma ação tenha sido proposta contra ele nesse tempo. Ele disse que Marques propôs uma medida cautelar para bloquear bens em 2008 e teria um mês para apresentar a ação principal, o que nunca ocorreu.

Ele é investigado na esfera cível por improbidade e no STJ (Superior Tribunal de Justiça) pelas implicações criminais. Como conselheiro de Tribunal de Contas, ele goza de foro privilegiado no STJ.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.