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Mensalinho

Severino contrata advogado para se defender de acusação de empresário

O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), passou o sábado reunido com assessores para definir sua estratégia de defesa. Ele contratou o advogado José Eduardo Alckmin, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E deverá sustentar a tese de que é falso o documento que teria assinado garantindo a prorrogação, por três anos consecutivos, do contrato de Sebastião Buani com a Câmara. Severino é acusado de ter recebido propina para renovar a licença do restaurante de Buani quando era secretário-geral da Casa.

- Há indício de montagem de texto e a assinatura não é semelhante à do presidente. O indício é de que há algo de fraudulento, de uma armação para levar a essa situação - disse o advogado José Eduardo Alckmin.

O assessor jurídico da Câmara, Marcos Vasconcelos, que participou da reunião com Severino, informou que ele e sua equipe estão mesmo convictos de que o documento é falso e que não há cheque algum para aparecer. Buani prometeu apresentar na terça-feira que vem o cheque com que teria pago uma das parcelas do mensalinho a Severino.

- É óbvio que há uma conspiração imensa. O presidente vai esclarecer tudo amanhã (neste domingo), porque há uma campanha sórdida se movendo contra ele - disse Vasconcelos, para acrescentar em seguida que 'não se pode jogar 42 anos de vida pública na lixeira'.

O assessor jurídico da Câmara afirmou ainda que é preciso prestar atenção à 'vida pregressa' de Buani. Desqualificar o empresário é, inclusive, outra tática da defesa de Severino. José Eduardo Alckmin destacou que há contradições sobre valores e datas no depoimento e na entrevista de Buani. A assessoria do presidente da Câmara confirmou para o meio-dia deste domingo uma entrevista coletiva na qual ele vai apresentar seus argumentos de defesa.

Severino Cavalcanti chegou à residência oficial da Câmara, em Brasília, pouco depois do meio-dia deste sábado. Com o carro escoltado por outros dois veículos com seguranças, ele só saiu do carro depois que os portões foram fechados, para evitar a proximidade dos jornalistas. Severino estava em Nova York, onde participou de encontro de presidentes de parlamentos na ONU, e chegou a São Paulo às 9h15m deste sábado, num vôo da American Air Lines. Depois, seguiu para Brasília.

A viagem aos Estados Unidos terminou de forma melancólica. Pressionado pelo agravamento da crise política, voltou um dia mais cedo e admitindo a possibilidade de se afastar do cargo com um pedido de licença. Antes de embarcar, na noite de sexta-feira, porém, repetiu que não renunciará.

- Vou morrer lutando. Vou enfrentar essas acusações e provar que sou inocente - disse.

A pressão pelo afastamento de Severino é enorme e os partidos de oposição já ameaçam se rebelar e até boicotar votações presididas por ele. O presidente da Câmara disse a amigos que não tomará nenhuma decisão antes da reunião da Mesa da Câmara, terça-feira. A aposta entre alguns políticos e assessores que o acompanhavam é de que ele pedirá licença do cargo.

Na terça-feira, a oposição promete apresentar no Conselho de Ética da Câmara uma representação pedindo abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra Severino. O presidente do conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), informou que o pedido poderá ser apreciado antes dos 18 sugeridos pelas CPIs dos Correios e do Mensalão. Ele explicou que basta que esta seja a vontade da maioria do plenário do conselho.

- O Conselho de Ética pode decidir, em votação, colocar este caso na frente dos demais - disse.

A intenção de Izar é distribuir os processos para que tramitem simultaneamente. Nesse caso, sem furar a fila, a agilidade dependerá da disposição do relator de convocar as testemunhas de defesa que forem apresentadas por Severino. Izar citou como exemplo o processo de José Dirceu, cuja oitiva de testemunhas será concluída esta semana pelo relator, deputado Julio Delgado (PPS-MG). Depois que o processo por quebra de decoro chega ao conselho, o acusado não se livra da cassação dos direitos políticos mesmo que peça licença ou renuncie ao mandato de deputado.

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