A Polícia Federal conseguiu a primeira pista concreta sobre a fortuna do traficante Ramirez Abadia no Brasil. A informação veio de outro traficante colombiano, preso em São Paulo.
A Polícia Federal foi buscar Ramon Manuel Penagos no cadeião de Pinheiros, onde espera o julgamento por tráfico de ecstasy ainda como se fosse brasileiro. Desde que veio à tona a real identidade de Ramon, a divisão de combate a crimes financeiros passou a ter um especial interesse por este colombiano.
Ele é ligado ao cartel do Vale do Norte, que tinha como um dos chefes Juan Carlos Ramirez Abadia, preso em São Paulo e extraditado para os Estados Unidos.
A ligação entre os dois traficantes motivou o depoimento de Ramon Manuel Penagos a uma equipe de delegados federais e a um procurador da República. Eles centraram o interrogatório no que mais interessava: o paradeiro da fortuna de Ramirez Abadia no Brasil - US$ 100 milhões em dinheiro vivo.
Segundo Ramon Manuel, o dinheiro de Abadia estava escondido em uma caminhonete preta, na garagem de um prédio residencial, na região dos Jardins, em São Paulo.
Ainda segundo o traficante, os US$ 100 milhões eram na verdade euros: mais de US$ 70 milhões em notas de 500 euros, embaladas em pequenos maços.
O dinheiro, diz Ramon Manuel, saiu do Brasil como entrou: por intermédio de colombianos, que vieram especialmente para levar a fortuna embora, logo depois da prisão de Abadia. De acordo com o traficante, cada colombiano levou um milhão e meio de euros, divididos em 30 pacotes de 50 mil. O equivalente a quase R$ 4,5 milhões amarrados na cintura.
Embarcaram, em média, dez passageiros por semana recheados de euros, em voos comerciais para a Colômbia. Dois foram presos no aeroporto de Bogotá.
Em cinco semanas, não havia nem sombra dos euros no Brasil. A fortuna de Abadia já estava em terras colombianas. O tema do próximo depoimento de Ramon Manuel à Polícia Federal já está definido: quando for tirado de novo do cadeião será para falar sobre extorsão.
Informalmente, ele disse que pagou mais de R$ 1 milhão em propinas a policiais civis. O preço para manter em segredo a sua real identidade colombiana.
A Delegacia Geral de Polícia de São Paulo, que comanda os policiais civis do estado, declarou que não vai se manifestar sobre as declarações informais do traficante.



