
Cinco favelas do Rio acossadas pelo crime organizado amanheceram ontem sem traficantes e sem milícias nas ruas, mas sem políticos de fora das comunidades. No primeiro dia da Operação Guanabara, realizada pelo Exército e pela Marinha para "garantir" a campanha eleitoral em comunidades sob supostas ameaças de coação eleitoral, os militares foram os únicos protagonistas. Desfilaram fuzis e metralhadoras por Rio das Pedras, Gardênia Azul e Cidade de Deus, na zona oeste, e Conjunto Esperança e Vila do João, no Complexo da Maré (zona norte), mas só candidatos locais fizeram campanha.
Apesar de a ação não ter incentivado a atividade política nessas áreas, o comandante do Exército, Enzo Martins Peri, avaliou que a operação não é inócua. Ele admitiu que o ideal seria ter efetivo suficiente para manter tropas em todas as 27 comunidades listadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) até o dia das eleições, mas afirmou que a permanência dos militares por apenas três dias em cada uma delas atenderá ao objetivo da Justiça Eleitoral.
Ele sobrevoou as favelas na companhia do vice-presidente do TRE, Alberto Motta Moraes. Manoel de Souza, o Tunico, candidato a vereador pelo PSL, foi à Cidade de Deus, dominada por traficantes do Comando Vermelho, observar a movimentação, mas não fez campanha. Diz que traficantes cobravam dos candidatos. Para ele, a ação do Exército terá efeito mesmo com prazo para acabar. "No quarto dia, se eles tirarem as placas, a gente denuncia e o Exército volta. A malandragem não vai querer isso. O que plantarmos em três dias dará frutos", acredita.
O coronel André Novaes, porta-voz do CML, confirmou que o planejamento das tropas para alcançar 27 comunidades da região metropolitana até o dia da eleição pode contemplar a volta a alguma delas. Apesar das denúncias, os militares encontraram na CDD um cenário de aparente normalidade no que diz respeito à eleição. Nas ruas e fachadas das casas havia muita propaganda, de candidatos de diferentes correntes, o que deu muito trabalho aos fiscais do TRE que aproveitaram a incursão militar para retirar material irregular. Eles também distribuíram cartilhas sobre a segurança do voto secreto.
Quando os soldados avançaram pelas ruas da CDD e da Maré, houve queima de fogos por supostos traficantes. Diferentemente do caráter de permanência ininterrupta do Exército na zona oeste, a "garantia" da Marinha teve o fim pré-determinado: às 18 h, a ação foi encerrada. Por conta de um exercício naval, os fuzileiros navais só retomam o trabalho no final do mês.
O desembargador Alberto Motta Moraes disse, no entanto, ter a certeza de que assim que as tropas militares deixarem as favelas, os traficantes e milicianos vão voltar a agir.







