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Depoimento

Valério acusa Lula de ter autorizado o mensalão; ex-presidente nega

Publicitário também afirma que pagou despesas de Lula com o dinheiro do esquema. Petista diz que a acusação é “mentira”

Solidariedade petista: Dilma abraça Lula em evento na França no qual os dois estiveram presentes | Remy de la Mauviniere/Reuters
Solidariedade petista: Dilma abraça Lula em evento na França no qual os dois estiveram presentes (Foto: Remy de la Mauviniere/Reuters)

Condenado pelo STF a 40 anos de prisão, o publicitário Marcos Valério acusou o ex-presidente Lula de ter autorizado o mensalão e de ter tido despesas pessoais pagas pelo esquema, em 2003, no seu primeiro ano na Presidência. A acusação, feita pelo operador do mensalão no dia 24 de setembro em depoimento prestado ao Ministério Público Federal (MPF), foi revelada ontem pelo jornal O Estado de S. Paulo. E causou reação de Lula, da presidente Dilma Rousseff e da cúpula governista. Todos trataram de negar a ligação de Lula com o esquema, dizendo que Valério está mentindo e que se trata de uma tentativa de desmoralizar o ex-presidente.

"Isso é mentira", disse Lula ontem, ao ser questionado sobre a denúncia, em Paris (França), onde está para uma série de eventos. Rodeado de assessores e seguranças, o ex-presidente foi lacônico ao responder aos jornalistas se poderia responder mais perguntas sobre o caso: "Hoje, nem duas [perguntas]", disse o ex-presidente.

Dilma, que também está em Paris para uma visita oficial, afirmou que as acusações de Valério são uma tentativa "lamentável" de atingir a imagem de seu antecessor. "É sabida a minha admiração, o meu respeito e minha amizade pelo presidente Lula. Portanto, eu repudio todas as tentativas– e esta não será a primeira vez – de tentar destituí-lo da imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem."

Segundo a reportagem de O Estado de S. Paulo, Marcos Valério afirmou aos procuradores que o ex-presidente foi informado, em reunião no Palácio do Planalto, das operações financeiras para pagar propina a deputados da base governista. Valério ainda disse que Lula autorizou o pagamento, que viria a ficar conhecido como mensalão.

No depoimento, o publicitário também disse que Lula deu o "ok" para que as empresas dele pegassem empréstimos com os bancos BMG e Rural que irrigaram o mensalão. Segundo concluiu o Supremo Tribunal Federal (STF), essas operações foram fraudulentas e o dinheiro, usado para comprar apoio político no Congresso.

Valério disse ainda ter passado dinheiro para Lula arcar com "gastos pessoais" no início de 2003, logo após o petista ter assumido a Presidência. Os recursos foram depositados, segundo o empresário, na conta da empresa de segurança Caso, de propriedade do ex-assessor da Presidência Freud Godoy, uma espécie de "faz- tudo" de Lula.

O operador do mensalão afirmou ter havido dois repasses, mas só especificou um deles, de aproximadamente R$ 100 mil. Ao investigar o mensalão, a CPI dos Correios detectou, em 2005, um pagamento feito pela SMPB, agência de publicidade de Valério, à empresa de Freud. O depósito foi feito, segundo dados do sigilo quebrado pela comissão, em 21 e janeiro de 2003, no valor de R$ 98.500. Segundo o depoimento de Valério, o dinheiro tinha Lula como destinatário. Não há detalhes sobre quais seriam os "gastos pessoais" do ex-presidente.

No relato feito ao MPF, Valério afirmou que no início de 2003 se reuniu com o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o tesoureiro do PT à época, Delúbio Soares, no segundo andar do Palácio do Planalto. Ao longo dessa reunião, Dirceu teria afirmado que Delúbio, quando negociava com Valério, falava em seu nome e em nome de Lula. E acertaram, ainda segundo Valério, os empréstimos.

Nessa reunião, Dirceu teria autorizado o publicitário a pegar até R$ 10 milhões emprestados dos bancos. Depois, segundo Valério, os três foram ao gabinete de Lula, que autorizou os empréstimos.

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