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Paulo Vannuchi, ex-ministro dos Direitos Humanos no governo Lula vai integrar uma comitiva de observadores internacionais - entre eles o ex-primeiro-ministro da Espanha, José María Aznar, e o ex-procurador-geral do presidente americano Lyndon Johnson, Ramsey Clark - que visitarão a Líbia nos próximos dias à convite de organizações não-governamentais. De acordo com o ministro, o objetivo é detectar situações de violação de direitos e formatar propostas de políticas a serem implementadas no país.

Na quarta-feira(27), ao anunciar no 8º Congresso Nacional de Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) sua ida à Líbia, o ex-ministro elogiou o novo direcionamento do governo Dilma Rousseff sobre os direitos humanos no Irã. "É a mesma diplomacia mas com ajustes. Os ajustes que foram feitos eu saúdo, são positivos", avaliou o ex-ministro ao comparar a política externa do atual governo com a do governo em que participou.

A uma plateia de aproximadamente 500 metalúrgicos, o ex-ministro ressaltou que a política de Dilma é a mesma de Lula, mas que "continuar não é repetir". "O que deve ter pesado é a condição especial da presidente, mulher, ex-presa política, torturada, sobretudo com a sensibilidade que nenhum homem poderá ter sobre um problema específico de opressão à mulher", disse, se referindo ao caso da sentença de morte por apedrejamento da iraniana Sakineh Ashtiani.

Votação

Para Vannuchi, a decisão do governo brasileiro de apoiar o envio de um relator da ONU para investigar a situação dos direitos humanos no Irã não aconteceu no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque a questão não foi cogitada na época. "Essa votação não teve antes, então não se pode comparar uma coisa com outra", argumentou. "São momentos diferentes e, neste sentido(votação), a posição sobre os direitos humanos no Irã melhorou", completou. Ele lembrou ainda que Lula ofereceu asilo à iraniana.

Quanto à Líbia, o ex-ministro disse que o fato do Brasil se opor a uma intervenção militar no país africano, não significa que a presidente apoie Muamar Kadafi. Ao defender um cessar-fogo, Vannuchi disse ataques deveriam partir de uma posição multilateral das Nações Unidas e que promover guerra em nome dos direitos humanos "carece de legitimidade"."A democracia não se resolve com ocupação militar, invasão, é com pressão, diálogo, protestos e sanções. Tem que tirar a guerra como garantia de direitos humanos".

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