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Câmara de Curitiba

Vereadores usaram R$ 2,7 mi em campanha

A diferença das despesas declaradas pelos 38 eleitos variou de R$ 700 a R$ 250 mil

Confira quanto arrecadaram e gastaram os vereadores eleitos durante a campanha |
Confira quanto arrecadaram e gastaram os vereadores eleitos durante a campanha (Foto: )

Os vereadores eleitos em Curitiba gastaram na última campanha valores que vão desde o custo de um fogão quatro bocas a um apartamento em um bairro nobre. A diferença dos gastos declarados pelos 38 eleitos variou de R$ 700 a R$ 250 mil. Juntos, eles gastaram R$ 2,7 milhões. Somado aos R$ 16 milhões que os oito candidatos a prefeito gastaram, a eleição na capital paranaense não custou menos que R$ 18,7 milhões.

O custo médio de cada voto em relação aos recursos investidos foi de R$ 9,14. Na campanha eleitoral de 2004, o custo médio do voto aos vereadores eleitos foi R$ 6,20, segundo levantamento da ONG Transparência Brasil. O crescimento foi de 47,4%.

Na campanha deste ano, o eleito que gastou menos e teve o melhor aproveitamento custo/voto foi Professor Galdino (PV). Ele gastou R$ 700 e fez 11.736 votos (custo de R$ 0,06 por voto). Galdino diz que usou a estratégia de conversar com as pessoas cara a cara: usou um triciclo, um banner, um aparelho de som e voluntários, que pedalavam no centro de Curitiba.

Segundo Galdino, os gastos, que saíram do próprio bolso, foram com a impressão de santinhos. Sobre o programa de rádio e tevê – que geralmente é o maior gasto declarado dos candidatos, consumindo recursos na casa dos milhares –, Galdino diz que há dois anos, quando se candidatou a deputado estadual, fez um pagamento. Como o partido não exibiu todos os programas na época, a compensação foi feita em 2008, segundo o eleito. "Estranho é quem gastou demais (e não de menos). Não precisa gastar. Se tem saúde, dá cara a bater e vai para a rua conversar com as pessoas", afirma Galdino.

Outros candidatos que gastaram menos de R$ 2 por voto recebido foram a reeleita Dona Lourdes (PSB), a R$ 1,1 o voto, e Julião da Caveira (PSC), a R$ 1,68 o voto. Em 2004, Dona Lourdes foi a que menos gastou, proporcionalmente por voto. Ela teve uma receita total de R$ 2 mil na última eleição e, como fez 6,4 mil votos, gastou R$ 0,31 por eleitor.

Do outro lado, os números mostram que o pior aproveitamento foi de Jonny Stica (PT), com o custo de R$ 26,99 por voto. Ele gastou R$ 108,4 mil e recebeu 4.016 votos. O eleito, no entanto, alega que teve um bom desempenho e que o custo de campanha tem que ser analisado sob o aspecto do gasto total. "Meu gasto não foi expressivo. Foi suficiente, porque fazer política não é barato", afirma. Stica comemora sua votação, de ter feito, na sua primeira tentativa à Câmara, 130 votos a menos que o mais votado do PT.

Em números absolutos, o maior gasto foi de Felipe Braga Côrtes (PSDB). Ele gastou R$ 250 mil, ultrapassando os gastos de cinco candidatos a prefeito. Côrtes diz que gastou dentro do previsto. "Teve participação boa de amigos e empresas conhecidas nossas. Em função da captação, foi o que conseguimos viabilizar." Ele gastou quase metade da quantia com pessoal e com a instalação de 300 placas na cidade. "Não teria condição de fazer campanha com R$ 700."

Côrtes explica que, como não há pesquisa para a eleição de vereador, tem de trabalhar ao máximo para chegar à vitória.

Além dele, sete eleitos gastaram acima de R$ 100 mil: João Cláudio Derosso (PSDB), Sabino Pícolo (DEM), Jair Cezar (PSDB), Denilson Pires (DEM), Juliano Borghetti (PP), Jonny Stica e Caíque Ferrante (PRP).

Julgamento

As contas de nenhum candidato foram julgadas até agora pela 1ª Zona Eleitoral de Curitiba. As informações prestadas pelos candidatos estão sendo enviadas ao Ministério Público e depois vão a julgamento. A previsão é que a partir da próxima terça-feira as sentenças comecem a ser publicadas.

As contas desaprovadas não impedem, num primeiro momento, a diplomação dos eleitos. A prestação de contas de campanha não torna o eleito inelegível, segundo informação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

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