Coluna reta não é sinônimo de coluna saudável; saiba como corrigir a postura

Perder as curvaturas normais da coluna vertebral pode causar dores nas costas, além de condições mais graves como hérnia e artrose precoce

A redução das curvaturas cervicais pode causar síndromes que caracterizam a chamada retificação da coluna, condição que em alguns casos pode ser identificada com uma observação atenta da coluna vertebral. Foto: Bigstock

“Atenção para a postura! Deixa a coluna reta!”. Você já deve ter ouvido esse tipo de recomendação dos seus pais, avós ou até de professores. Mas o “alerta” deve ser considerado apenas parcialmente correto — de acordo com especialistas, pois uma coluna saudável não é totalmente retilínea.

A redução das curvaturas cervicais pode causar síndromes que caracterizam a chamada retificação da coluna, condição que em alguns casos pode ser identificada com uma observação atenta da coluna vertebral.

“Se olharmos uma pessoa de frente, a nossa coluna deve ser alinhada, reta. Mas quando a vemos de lado, ela faz uma espécie de ‘S’. Há uma curva na cervical, chamada lordose, outra na região do tórax, que chamamos de cifose e a terceira, na lombar, também chamada lordose”, explica o médico ortopedista e especialista em coluna, Antônio Krieger.

Apesar da possibilidade de confusão com os nomes, é importante destacar que cifose e lordose não são doenças. Elas são as curvas fisiológicas naturais que auxiliam a coluna a suportar o peso do corpo e outros impactos.

Já as alterações, tanto a acentuação quanto a diminuição destas curvaturas (que configura a chamada retificação), é que são os problemas. Essas patologias são chamadas de hiperlordose ou hipercifose, no caso de acentuações das curvas, ou de hipolordose e hipocifose, nomes que identificam a coluna retificada.

Retificação da coluna

As causas para a acentuação ou retificação da coluna podem estar relacionadas a alguma anormalidade vertebral, como uma escoliose, que é a curvatura para um dos lados do tronco, ou por questões ligadas à fraqueza e encurtamento muscular.

Há ainda os casos em que a postura leva à retificação da curvatura. Nesses, o estilo de vida pode ser um fator importante, segundo a fisioterapeuta e professora da PUCPR, Lara Guérios.

“Pode causar problemas ficar sentado por muito tempo, sem modificação de postura, ou ficar em pé tempo demais. Até o próprio celular vem trazendo muitos problemas de cervical, já que as pessoas ficam muito tempo com a cabeça abaixada, o que vai gerando muita tensão”, diz a a fisioterapeuta e professora da PUCPR, Lara Guérios.

Um detalhe importante: em muitos casos o paciente pode ter a coluna retificada, mas não desenvolver sintomas. Pelo menos não em um primeiro momento. Mesmo assim, a “conta” pode vir algum tempo depois, pelo próprio desequilíbrio de todo o sistema.

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“É como um carro com problema de geometria e balanceamento. Pode ser que você até dirija por um tempo sem perceber nada, se não for algo muito evidente. Mas em algum momento vai notar que uma suspensão gastou antes da outra, ou um pneu está mais desgastado que outro. É assim com a máquina que é nosso corpo”, exemplifica o ortopedista Antônio Krieger.

Com o passar do tempo, a retificação pode causar uma sobrecarga das articulações da coluna ou dos discos, levando em alguns casos ao surgimento de uma hérnia ou de uma artrose precoce. “O que pode causar muita dor no paciente não é a retificação especificamente, mas sim as consequências da perda da curvatura”, explica o médico.

Correções

A boa notícia é que os problemas ligados à má postura são, em geral, mais fáceis de serem corrigidos. Segundo a fisioterapeuta Lara Guérios, entre as técnicas mais utilizadas estão a cinesioterapia, que é um conjunto de exercícios gerais da fisioterapia, além do pilates e do RPG (Reeducação Postural Global).

Quando se fala da idade do paciente, há uma diferenciação importante. Para crianças e adolescentes, a correçã; saiba se sua posturao pode ser mais simples, já que o desenvolvimento ainda está em curso.

Mas quando o problema acontece em adultos, o grande desafio é conseguir uma espécie de controle de danos e evitar que as dores acabem prejudicando muito a qualidade de vida.

“Nos adultos a maior preocupação não é fazer com que aquela coluna ganhe a curvatura que, talvez, ela nunca mais tenha. Mas é fazer com que ela não piore e que não se desenvolvam outros sintomas, como dores que podem até irradiar para outras partes do corpo”, explica a fisioterapeuta.

Dor nas costas é a campeã de afastamentos do trabalho

– Dados do INSS apontam que, em 2017, as dores nas costas foram a principal causa de afastamento de brasileiros nos postos de trabalho. Foram ao todo 83 mil casos. Nos últimos dez anos, a enfermidade tem liderado a lista de doenças mais frequentes entre os auxílios-doença concedidos.

– Estudo publicado em 2018 no The Lancet, uma das principais revistas médicas mundiais, apontou que as dores lombares são a principal causa de incapacitação em todo o planeta e afetam, segundo pesquisas de 2015, um total de 540 milhões de pessoas.

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