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Saúde e Bem-Estar

Cuidados paliativos focam em qualidade de vida em momento delicado

Atenção aos sintomas e ao sofrimento psicológico e espiritual pode ajudar pacientes com doenças que ameaçam a vida a manter a qualidade dela

  • PorVivian Faria, especial para o Viver Bem
  • 06/12/2019 10:00
O foco não é prolongar a vida do paciente, mas, sim, fazer com que ele viva da melhor maneira possível. Foto: Bigstock.
O foco não é prolongar a vida do paciente, mas, sim, fazer com que ele viva da melhor maneira possível. Foto: Bigstock.| Foto:

Quando a cura não é uma possibilidade, a melhor forma de encarar uma doença é focar na manutenção da qualidade de vida do paciente.

É disso que tratam os chamados cuidados paliativos, conjunto de tratamentos, técnicas e terapias voltados para pessoas diagnosticadas com doenças que ameaçam a vida.

“Cuidado paliativo é sobre controle de sintomas. Então, o paciente elegível é o que tem um diagnóstico de doença que ameace a vida e que precise controlar os sintomas e o sofrimento. Estigmatizam muito os cuidados paliativos como os da fase final da vida, mas não é só isso. Existe toda uma trajetória anterior em que esse tipo de cuidado pode ser benéfico”, explica Clarice Yamanouchi, diretora do primeiro espaço exclusivamente dedicado a cuidados paliativos em Curitiba, o Valencis Curitiba Hospice.

O ideal, conforme os paliativistas, é que os pacientes procurem equipes especializadas nesse tipo de tratamento assim que receberem o diagnóstico.

O foco não é prolongar a vida do paciente, mas, sim, fazer com que ele viva da melhor maneira possível.

Para isso, é necessário que o tratamento seja individualizado e conduzido por uma equipe multidisciplinar, e que conte com o apoio da família.

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“O tripé dos cuidados paliativos é: paciente, equipe e família. A equipe deve ter formação adequada e a família é essencial para o processo e precisa estar bem instruída sobre tudo”, afirma o coordenador de oncologia do Hospital das Nações e paliativista, Roberto Bettega.

Considerando as necessidades específicas de cada paciente e cada fase da doença, os profissionais poderão decidir a melhor forma de lidar com os sintomas, escolhendo os acompanhamentos, tratamentos e exames que podem trazer benefícios e evitando aqueles que podem causar maior sofrimento.

Além disso, eles podem oferecer terapias diversas – desde a psicoterapia até acupuntura e meditação – para promover o bem-estar psicológico e espiritual daquela pessoa.

Tratamento

A gama de doenças cujos pacientes podem se beneficiar dos cuidados paliativos é grande.

“A ideia de cuidados paliativos é muito forte na oncologia, pois começou ali pela questão do controle da dor. Mas eles são recomendados a pacientes de doenças crônico-degenerativas ou de todas as doenças crônicas que causam uma limitação na qualidade de vida do paciente”, explica Clarice.

Estão incluídas nesse rol o câncer, as doenças cardiovasculares, as pulmonares obstrutivas, o HIV e outras doenças infecto-contagiosas, as doenças neurodegenerativas e as nefropatias crônicas.

Há ainda os pacientes idosos com síndrome de fragilidade, ou seja, que sofrem com uma série de pequenas doenças que provocam perda de peso e de força, por exemplo, além de dificuldade para caminhar e realizar tarefas diárias.

Assim, não há um plano de tratamento típico envolvendo cuidados paliativos. No Valencis Curitiba Hospice, por exemplo, dependendo das necessidades e dos desejos de cada paciente, é possível que eles sejam atendidos em consultas in loco ou domiciliares, ou ainda que sejam internados parcial (durante um período do dia) ou integralmente.

Alívio do sofrimento

Um aspecto do tratamento que acaba ganhando destaque é o atendimento psicológico, essencial para atenuar o sofrimento tanto do paciente quanto dos familiares.

“Nosso trabalho na psicologia é justamente mostrar que essa pessoa continua sendo uma pessoa. É resgatar a vida que existe enquanto a morte não chega. Ter uma doença também pode inaugurar para ela a questão da finitude e nós tentamos ajudar a dar sentido a ela”, explica o psicólogo da Valencis Ronny Kurashiki.

No caso da família, a questão também passa por aceitar a proximidade da morte, mas o foco acaba sendo em evitar que os familiares fiquem sobrecarregados com os cuidados e acabem adoecendo também.

Tabu

O fato de a morte ainda ser um tema tabu é um dos grandes desafios que a área de cuidados paliativos ainda enfrenta no Brasil, apesar de haver profissionais atuando nela no país desde os anos 1990.

Contudo, uma mudança de mentalidade vem ocorrendo, principalmente desde que a medicina paliativa foi reconhecida como área de atuação pelo Conselho Federal de Medicina, em 2011.

O reconhecimento resultou na criação de cursos para formação de paliativistas e no interesse de médicos de diferentes especialidades na área.

Hoje, isso faz com que algumas pessoas já conheçam e procurem cuidados paliativos até sem o encaminhamento de outro médico.

Ainda assim, a popularização depende de acesso à informação e uma mudança na cultura.

“Falta muito da própria comunidade ter consciência disso – até da comunidade médica saber de que se tratam os cuidados paliativos. Porque é algo que pode melhorar a qualidade de vida, otimizar gastos na área de saúde, aumentar o tempo de vida de pacientes”, diz Clarice.

Depende também de inclusão dos cuidados paliativos na rede de atenção à saúde. No Paraná, um projeto que dispõe sobre a instituição de preceitos e fundamentos dos cuidados paliativos na Rede de Atenção à Saúde do estado, o PL 19/2019, do deputado Michele Caputo, está em discussão na Assembleia Legislativa e pode ser um passo importante para ampliação do acesso da população aos cuidados paliativos.

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