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Saúde e Bem-Estar

“Uma perna a menos não me faz menor que ninguém”, diz paratleta

A rotina do paratleta Daniel Silva é como a de qualquer atleta na academia, exceto com algumas adaptações nos exercícios

  • PorAmanda Milléo
  • 09/12/2019 10:00
Daniel Silva, paratleta, sofreu um assalto com 18 anos e teve a perna direita amputada Foto: Amanda Milléo / Gazeta do Povo.
Daniel Silva, paratleta, sofreu um assalto com 18 anos e teve a perna direita amputada Foto: Amanda Milléo / Gazeta do Povo.| Foto:

Aos 18 anos, Daniel Silva sofreu um assalto. No susto, levou um tiro que acertou o abdome e uma artéria do quadril, interrompendo a circulação de sangue para a perna direita. Antes mesmo que pudesse acordar do coma, onde ficou por oito dias, os médicos pediram a permissão dos pais para a amputação. Sem isso, a vida do jovem estaria em risco.

Ao acordar, Daniel se lembra apenas de ver a psicóloga do hospital no quarto. Foi ela quem relatou a ele tudo que havia acontecido e da perna perdida.

“Minha primeira reação foi de chorar, de ficar bem mal. Eles me sedaram de novo, e quando eu acordei, ela ainda estava lá. Só então eu consegui me acalmar, entender a situação, a gravidade do caso e comecei a ver que eu estava vivo. E eu entendi que a gente dá um jeito de viver sem uma perna. O mais importante era que eu estava vivo”, conta Daniel, que  tem atualmente 38 anos, é funcionário público e se tornou paratleta na modalidade vôlei sentado.

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Vida com a prótese

Mais de um mês depois do assalto, Daniel teve alta do hospital e nos meses seguintes começou a fazer fisioterapia, de forma a preparar a perna que receberia a prótese. Esse processo não foi difícil, e logo ele passou a caminhar sem ajuda de muletas. Mas algo maior o incomodava.

Como sempre teve uma vida fisicamente ativa, bastante ligado a esportes, como futebol, vôlei, baquete e handebol, Daniel sentia falta dos exercícios.

“Eu adorava principalmente esportes com bola. Fazia tudo que era esporte, mas principalmente com bola sempre foi a minha paixão. Depois do acidente fiquei quase dois anos parado. Comecei, então, natação, mas não era ainda o que eu queria fazer. Conheci o atletismo, pratiquei arremesso de dardo e disco. Mas nesse meio tempo eu conheci o vôlei sentado e foi amor a primeira vista”, relata Silva. 

Daniel não perdeu tempo e passou a competir pela modalidade pouco mais de um ano depois de começar os treinos.

“Abandonei o atletismo e comecei a me dedicar ao vôlei já vendo perspectivas de um futuro na modalidade”, diz. Faz 15 anos que o paratleta mantém a paixão pelo vôlei sentado e, nesse tempo, conquistou quatro títulos de campeão no parapan-americano: no Rio em 2007; México em 2011; Toronto em 2015 e Lima, em 2019.

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Com receio de exercícios com a perna, Daniel demorou até usar aparelhos como o leg press Foto: Amanda Milléo / Gazeta do Povo.
Com receio de exercícios com a perna, Daniel demorou até usar aparelhos como o leg press Foto: Amanda Milléo / Gazeta do Povo.

Rotina na academia

Para ser um atleta, Daniel precisa treinar e manter o corpo fortalecido — todo o corpo. “No início, acho que eu me limitava muito, e a prótese que eu usava na época também atrapalhava e eu não fazia os movimentos que faço com a prótese que uso hoje.

Mas até por não conhecer, não ter experiências. Com o passar do tempo, fui conversando com uma pessoa ou outra que usava prótese e pensei: ‘por que eu não posso fazer também?'”, relata.

Silva receava forçar a perna e deixava os exercícios como o leg press e esteira de lado, favorecendo apenas os exercícios de braço e costas.

“Hoje eu faço praticamente todos os exercícios, de perna também, com algumas exceções, porque não tem como mesmo. E alguns só me exigem algumas adaptações.”

Dos exercícios que o paratleta não faz, devido a amputação muito alta na perna, é a passada — o caminhar flexionando as pernas. “É um movimento que até daria para fazer, mas machucaria demais. Pelo nível de amputação que eu tenho, não consigo. Mas varia conforme a amputação, tem gente que consegue fazer”, explica.

“Na parte do aeróbico, eu gosto de bicicleta. Mas não faço em academia. Bicicleta eu gosto de pedalar ao ar livre.”

O vôlei sentado foi o esporte que conquistou Daniel. Tanto que ele é medalhista na modalidade Foto: Amanda Milléo / Gazeta do Povo.
O vôlei sentado foi o esporte que conquistou Daniel. Tanto que ele é medalhista na modalidade Foto: Amanda Milléo / Gazeta do Povo.

Reaprender a se mexer

Quando ocorre uma amputação, a pessoa precisa reaprender a se movimentar. Afinal, além da perda de um membro, o corpo também sofre um desequilíbrio em termos de força e peso. Uma perna normal é cerca de 40% a 50% mais pesada que uma perna com a prótese, conforme estima Daniel.

“Isso gera um desequilíbrio. Na academia, é interessante chamar o professor, tentar adaptar e de repente mudar um exercício para que a pessoa não se machuque. Mas não me limita em nada [a prótese]. Eu tenho uma vida normal, pratico várias modalidades de exercícios, caminho, ando de bicicleta, faço academia, jogo vôlei, faço natação. Uma perna a menos não me faz menor do que ninguém”, lista o paratleta. 

Érico de la Cruz Guerra, instrutor da academia Bodytech Crystal, em Curitiba, e um dos professores que colaboram com os exercícios de Daniel. Para o professor, um dos exercícios mais importantes para as pessoas com próteses e órteses na academia é reaprender os movimentos.

“Temos que fazer todo um novo ensinamento de padronização motora que ela teve antes. Claro que ela vai fazer os mesmos movimentos, como um agachamento, mas tem toda uma questão neural que é preciso ser readaptada. O primeiro passo é reensinar e readequar os movimentos”, explica.

O tempo que esse reaprender vai levar depende de cada pessoa. Em geral, os padrões motores fundamentais, como levantamento, agachamento e tirar um peso do chão, por exemplo, podem ter uma melhora em questão de meses.

“Uma das partes mais importantes também é a questão de mentalidade. A pessoa vem para a academia e vê que ela é capaz de fazer aqueles movimentos. Sem falar no convívio social”, reforça Guerra.

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