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Hospital Pilar Instituto de Oncologia do Paraná

Exame mostra com maior precisão quantas calorias você gasta por dia

Direcionado para quem não consegue perder peso com facilidade, exame de calorimetria faz cálculo a partir da respiração

Equipamento médico realiza exames mais precisos de consumo calórico diário. Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo.Equipamento médico realiza exames mais precisos de consumo calórico diário. Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo.

Seria pedir demais saber com precisão quantas calorias seu corpo realmente gasta por dia, de uma forma tão fácil quanto respirar? Agora, essa informação específica parece não estar tão distante de ser obtida.

Através de um exame chamado calorimetria é possível medir a relação entre o consumo de oxigênio e a liberação de gás carbônico do corpo em repouso. Essa relação dita não apenas o número de calorias específicas que você tem capacidade para queimar sem esforço, como também pode indicar — na prática — se seu metabolismo é ou não lento, além de sugerir qual é o combustível que seu corpo está usando para obter a energia necessária: gordura, açúcares ou aminoácidos.

Para conseguir essas informações valiosas, tudo que o paciente precisa fazer é usar uma máscara e respirar, em jejum. A técnica usa tecnologia semelhante às aplicadas nas unidades de terapia intensiva europeias, que utilizam o calorímetro para definir qual é a quantidade exata de calorias que um paciente em recuperação deve ingerir.

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Responsável por trazer recentemente o exame — aplicado a consultórios — para Curitiba, a médica nutróloga Débora Froehner explica que tradicionalmente são usadas algumas dezenas de fórmulas matemáticas para se chegar ao gasto calórico padrão de um paciente e definir uma dieta.

“Isso é uma evolução científica imensa. Hoje, usamos fórmulas para ter o valor de consumo calórico fixo, mas se você é um paciente que tem hipertireoidismo, por exemplo, ou outro fator não está equilibrado, como a quantidade de vitaminas, a fórmula não serve porque são feitas para atender pessoas dentro de um padrão. Desde que passei a usar o calorímetro no consultório notei que menos do que 5% dos pacientes tem um gasto calórico real que coincide com o que a conta tradicional prega”, pontua.

A aplicação automaticamente volta-se para pessoas que apresentam muita dificuldade para ganhar ou perder peso. Através da comparação do gasto esperado e o medido no calorímetro, a nutróloga pede exames complementares para avaliar se aquele paciente precisa de reposição vitamínica, hormonal e até direcionar qual é o tipo de exercício físico que deve ser feito para equilibrar a queima.

“Esse detalhamento todo, não é para um garoto de 16 anos que come três mil calorias e não engorda ou para a menina que ganha peso e perde fácil. É para aquele homem ou mulher, de 30 a 50 anos, que já passou por uma série de dietas, que já usou medicamento para perder peso e tudo isso trouxe desequilíbrio no metabolismo. Para essas pessoas, o calorímetro faz diferença”, complementa a Débora Frohner.

O exame, que pode custar até R$ 300, é considerado pela médica uma forma de auxiliar no diagnóstico e prevenir cortes bruscos na dieta e privações de nutrientes que podem piorar o quadro do paciente, principalmente os que possuem um alto índice de gordura corporal, principal público-alvo do exame.

“Não existe uma dieta 100% correta. O que dá mais certo é o mais difícil: comer certo, evitar as porcarias e se movimentar. Não existem nem dietas milagrosas, nem o produto salvador. Sou radicalmente contra a gente usar o aparelho para contar calorias, uma por uma, de uma forma neurótica, e sim para nos ajudar a avaliar qual seria a melhor quantidade de alimentos para cada um e trabalhar com a reeducação alimentar”, diz ela.

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Fazer o exame mais vezes

Para o exame de calorimetria apresentar um resultado significativo, segundo o membro da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição,  Antonio Herbert Lancha Junior, é necessário realizar o exame mais de uma vez.

“O interessante é comparar a pessoa com ela mesma, o consumo calórico variando em diferentes momentos. Assim é mais fácil identificar se existe um descompasso vitamínico ou hormonal”, fala.

Segundo ele, é importante saber também que se a pessoa possui alguma deficiência nutricional ou alteração hormonal que seja impactante a ponto de interferir fortemente na sua capacidade de perder peso, não é apenas o emagrecimento que está sendo afetado, mas também suas atividades rotineiras.

“Então a calorimetria, nesse sentido, é um preciosismo de investigação em consultório, para o público geral, mas não deixa de ser mais um dado para compor o histórico do paciente”, diz Lancha Junior.

Exame é mais utilizado para pesquisas 

Mais comum na área de desenvolvimento, o calorímetro indireto é usado como um auxílio em hospitais universitários para pesquisa científica.

Segundo o médico Henrique Suplicy, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia,  existem basicamente duas formas de se realizar esse exame. A primeira delas em uma sala lacrada, que pode acompanhar durante um dia inteiro as trocas gasosas feitas pelo paciente, e a segunda com aparelhos móveis, únicos até então disponíveis no país atualmente.

“São mais ou menos vinte minutos respirando no aparelho seguindo um protocolo de imobilização”, explica o médico que também é chefe do Serviço de Endocrinologia e Metabologia da Universidade Federal do Paraná. “Usamos esse aparelho no Hospital de Clínicas da universidade para estudos, mas em termos práticos, para o uso clínico, não vejo uma aplicação revolucionária”, comenta.

Um alerta

O especialista na área de endocrinologia também diz que déficits no metabolismo, explicados por deficiência hormonal e vitamínica, não são fatores tão determinantes que possam impedir o emagrecimento de um paciente.

“Tenho um pouco de receio com relação à questão de se dosar vitaminas para melhorar o desempenho na perda de peso. Se existe uma alteração da fórmula padrão para o resultado da calorimetria, que é o gasto calórico basal, isso pode se apresentar como uma característica da pessoa”, diz ele.

Henrique Suplicy também reforça que a calorimetria submetida à análise de pacientes comuns pode ser redundante. “Se pegarmos uma mulher, por exemplo, o esperado é que o resultado de sua calorimetria seja em torno das 1,5 mil calorias. Neste valor acrescentamos mais 30% de perda que vem através das atividades diárias e rotina de exercício e mais 10% de perda por termogênese. No total, isso daria em torno de 2 mil calorias, que é o valor que já sabemos pelo senso comum. Então para o emagrecimento simples, fazer esse exame para saber o quanto precisa cortar de calorias exatamente seria aplicar o que já sabemos sobre esse assunto”, fala.

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