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Gordura ao redor dos olhos é sinal de doença grave do colesterol

Placas de gordura que se acumulam na região das pálpebras são um dos sinais de alerta para aumento do colesterol “ruim”, o LDL

Sinais nas pálpebras, como placas de gordura, são indicativos de uma doença grave, a hipercolesterolemia familiar Foto: Bigstock

Xantomas, ou xantelasmas, são o nome difícil e técnico dado às placas de gordura que se acumulam na região das pálpebras e em tendões.

Embora não sejam tão comuns, quando surgem devem ser tratadas com atenção, pois são sinal de alerta para um aumento expressivo no colesterol “ruim”, o LDL.

Em geral, quando uma pessoa apresenta os xantelasmas, a primeira reação dos médicos é investigar por uma doença genética, hereditária e perigosa, conhecida por hipercolesterolemia familiar (HF).

Os pacientes com essa doença têm uma mutação do receptor do LDL colesterol, que faz com que o fígado não consiga metabolizar essa gordura adequadamente.

O principal risco está no aumento das ameaças de infarto e AVCs, conforme explica Maria Augusta Karas Zella, médica endocrinologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, regional do Paraná (SBEM-PR):

“Quando vemos esse depósito de gordura, isso significa que o LDL está muito alto. Esse colesterol pode se depositar, fazer os xantomas na pele, mas também pode ocorrer de na córnea se formar o chamado arco corneano. Também pode fazer as placas coronarianas [acúmulo de gordura em vasos], que predispõem à doença isquêmica do coração, e ao infarto.”

De 5% a 10% dos eventos cardiovasculares em pessoas até os 50 anos de idade estão associados à hipercolesterolemia familiar, de acordo com a primeira diretriz brasileira de HF, divulgada em 2012.

Uma pessoa com HF na forma heterozigótica (há duas formas da doença: hétero e homozigótica), se não tratada, tem um risco de desenvolver a doença coronária ou mesmo morrer de 50% entre os homens e 12% entre mulheres, aos 50 anos.

A estimativa é que haja 10 milhões de portadores de HF no mundo e só 10% têm o diagnóstico conhecido. No Brasil, estima-se que a prevalência seja de 250 mil a 300 mil portadores.

“Uma coisa que chama atenção nesses pacientes é o histórico familiar. É importante avisar o médico se você tiver pais ou avós que tiveram um infarto ou um derrame precoce. E esse precoce é antes dos 55 anos em homens e antes dos 65 anos em mulheres. Nessas situações, de histórico familiar, é preciso fazer um rastreamento nas crianças cedo, a partir dos dois anos de idade”, reforça Zella.

>>> Leia mais sobre a hipercolesterolemia familiar

Número de alerta

De acordo com dados das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, os valores máximos de LDL são separados conforme o risco estimado pelo médico de um evento cardiovascular naquele paciente.

Pacientes com risco baixo devem ter o LDL abaixo de 130;

Pessoas com risco intermediário devem ter o LDL abaixo de 100;

Pessoas com risco alto devem ter o LDL abaixo de 70.

A média do LDL colesterol entre pacientes com HF na forma heterozigótica é cerca de duas a três vezes maior que o valor normal da população. Conforme a médica endocrinologista, um LDL acima de 190 chama atenção dos médicos.

“Geralmente, na hipercolesterolemia familiar, os índices do LDL são maiores que 160, e você vê pacientes com 200. Entre 160 e 190, o médico fica atento e procura pelas lesões, os xantelomas”, reforça a médica.

>>> Casos em família são alerta para rompimento de aneurisma cerebral

Sinais de xantelasma não desaparecem, mesmo com a redução do colesterol. É preciso uma retirada das placas de gordura com a ajuda de um médico dermatologista

Sinais de xantelasma não desaparecem, mesmo com a redução do colesterol. É preciso uma retirada das placas de gordura com a ajuda de um médico dermatologista Foto: Wikimedia Commons

Sinais não desaparecem sozinhos

Embora uma mudança no estilo de vida, com exercícios e alimentação mais saudável, seja uma recomendação constante dos médicos para o controle do colesterol (há redução de 15% a 18%), em pacientes com HF essa medida, sozinha, não é suficiente.

“Sempre que pensar nesse tipo de colesterolemia, que é gravíssima, você não muda só o estilo de vida. Aqui entra com medicação, justamente para evitar o infarto. Temos histórico de pacientes com HF, na forma homozigótica, que tiveram infarto precoce do miocárdio com 18 meses de idade. Nesse grupo, o xantoma aparece na infância e geralmente os pacientes morrem de cardiopatia isquêmica ainda na juventude”, explica Zella.

E mesmo controlando o colesterol, as placas de gordura não desaparecem. De acordo com a médica dermatologista Alessandra Romiti, os xantelasmas precisam ser retirados, seja por meio de laser, seja por eletrocauterização ou por procedimento cirúrgico. 

“Tudo vai depender do tamanho, da cor da pele do paciente, do quanto aquilo o incomoda. E é preciso procurar um médico dermatologista para fazer o diagnóstico, porque pode não ser um xantelasma. Nem toda bolinha na pele é xantelasma”, explica a médica, que é coordenadora do departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

O diagnóstico, embora na maior parte das vezes seja clínico, às vezes pode exigir uma biópsia. “Se o médico tiver dúvidas, ou se for um quadro que não está muito típico, é feita a biópsia”, reforça.

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