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“Tomei nove remédios diferentes em 30 anos”, diz mulher com depressão; conheça os novos tratamentos

A ketamina, ou cetamina, é uma substância conhecida dos médicos como anestésico mas que pode ser usada contra a depressão

Ketamina: novo tratamento, ainda experimental, ajuda pessoas com depressão sem resultados com tratamentos tradicionais Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo

Mais de 30 anos de luta contra a depressão. Uma juventude de estereótipos que envolviam adjetivos como “preguiçosa” e “desanimada”. Mais de 10 medicamentos testados. Uma família que viu a mãe se transformar com os altos e baixos da depressão incontáveis vezes. Um marido incansável na busca por um tratamento para a esposa.

Estes são alguns dos fatos que resumem a vida da dona de casa Saly Baer, 59 anos, que desde os 26 luta contra os sintomas e os riscos da depressão. “Meu diagnóstico veio em uma forte crise de depressão pós-parto após o nascimento do meu segundo filho. Até então, eu era tratada como uma pessoa preguiçosa e sem vontade, devagar. Minha família nunca entendeu que poderia ser uma doença”, lembra.

Saly não teve uma adolescência normal, cheia de compromissos com amigos. “Tinha muitos momentos de desânimo. Só pensava em dormir e ficar em casa. Levantava todas as manhãs por obrigação, não por vontade. Aos 22, trabalhava e fazia faculdade de Letras, em uma rotina bem puxada. De repente tive uma crise e desmaiei, fui levada ao hospital, e diagnosticada com estafa. Eu precisava diminuir o ritmo, meu corpo não estava aguentando. Passei uma semana tomando medicamentos e foi então que parei a faculdade”, conta.

“A minha cabeça não parava. Aos 23 anos, já casada, continuava desanimada, sempre com muito sentimento de culpa, com medo do futuro e ansiosa — mas não conversava com ninguém. Meu marido, Jean, foi o primeiro a perceber que algo não estava certo, especialmente após a segunda gravidez. Eu não parava de chorar. Ele me levou ao médico e, com o diagnóstico de depressão pós-parto, comecei um tratamento”.

Remédios e mais remédios

As medicações demoravam a surtir efeito e, no começo do tratamento, Saly viveu 15 dias em um abismo emocional. “Eu piorei muito antes de começar a melhorar. Mas um dia eu comecei a reagir. Digo que senti o sol na minha vida novamente, estava forte e animada, disposta a encarar os efeitos colaterais (como náuseas e dor de cabeça) em prol de um benefício maior”, explica.

Ao tentar retirar a medicação, Saly foi enfraquecendo novamente e outros medicamentos foram testados.

Tomei nove remédios diferentes em 30 anos. Até que em 2016 tive uma queda brusca. Foi um ano que eu não vivi. Chorava durante a noite e dormia de dia. Tive muitos pensamentos suicidas e foi uma luta muito difícil. Eu não queria morrer, mas eu achava que tinha que acabar com a minha vida”, lembra.

Saly se apegou a três coisas para sobreviver: a fé, o marido e os filhos. “Considero a minha vida uma dádiva, não poderia destruí-la. Se eu acabasse com a minha vida, meu marido se sentiria culpado para sempre. E eu jamais poderia pensar em deixar esse trauma para os meus dois filhos e seis netos”, conta.

Saly reconhece o marido como uma das principais figuras no tratamento contra a depressão

Saly reconhece o marido como uma das principais figuras no tratamento contra a depressão Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo

Experimental

Foi então que seu médico, o psiquiatra Luiz Fernando Petry, sugeriu um tratamento que ainda está em fase experimental, mas com bons resultados em estudos preliminares, o spray nasal de ketamina (ou cetamina).

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Embora seja uma substância primeiramente pensada para atuar como anestésico, estudos, evidências e protocolos internacionais – especialmente nos Estados Unidos – trazem boas indicações para o uso psiquiátrico.

“Ela tem indicação para duas situações: depressão refratária (episódio de depressão que não tenha melhorado com o uso de pelo menos dois antidepressivos em um período de até seis semanas), ou para ideação suicida grave em um episódio depressivo. Ela é frequentemente utilizada aliada a outras medicações, uma vez que o paciente já está tomando um antidepressivo”.

Para Saly, funcionou e as repostas foram rápidas, mas não é indicado o uso sem supervisão (não apenas orientação) médica:

“Este medicamento só pode ser usado em ambiente clínico ou hospitalar, não está disponível em farmácias, e durante a aplicação o paciente é totalmente monitorado. Mas os resultados começam a aparecer já nos primeiros dias após o início do tratamento”, explica o médico.

“O medicamento foi um divisor na minha vida. Hoje consigo lidar melhor com a doença, aceito a minha condição e procuro viver da melhor maneira que posso. Faço a minha parte – tomo as medicações — e converso para que sempre saibam como estou me sentindo, tanto que a terapia faz parte da minha rotina e me ajuda a discernir o que é a doença e o que são os traumas”, conta Saly.

Ela lembra que no passado chegou a ficar muito magoada, pois a depressão não é uma doença entendida facilmente pelas pessoas. “Em muitas crises meu marido me abraçou, me acalmou e me lembrou que eu estava doente, mas que iria passar. Por reconhecer esse apoio do meu marido e saber o quanto ele é fundamental, peço a todos que se informem e se envolvam em casos de depressão, antes que seja tarde”, alerta Saly.

Saiba mais sobre a substância ketamina, efeitos colaterais e a indicação correta aqui.

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