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Medo do Alzheimer: por que estamos cada vez mais perto da doença

Apesar da doença não ser hereditária, familiares de pacientes com Alzheimer têm maior probabilidade de desenvolver a doença; entenda os sintomas e os fatores de risco

A Idade não é o único fator de risco para desenvolver a doença. Foto: Bigstock

Imagine que uma pessoa entre no carro e perceba que esqueceu a chave para ligá-lo. E, quando vai procurar o objeto, note que não lembra onde guardou. Este tipo de esquecimento é normal — provavelmente você já passou por situações do tipo algumas vezes. Agora imagine que uma pessoa idosa tem a chave em suas mãos, mas simplesmente não lembre qual é a função da peça e a guarde no freezer.

Neste caso, o esquecimento poderia representar um tipo de demência, como o Alzheimer, a mais comum delas. O Alzheimer é uma doença crônico-degenerativa, progressiva, lenta e, atualmente, incurável.

Apesar dos sintomas relacionados à memória serem os mais conhecidos, a doença afeta diversos outros aspectos mentais importantes para a realização de atividades da vida diária.

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“A Doença de Alzheimer se manifesta por meio do que chamamos de declínio da cognição, ou seja, das funções exercidas pelo córtex cerebral que nos permitem exercer as atividades do dia a dia. Dentre as funções cognitivas está incluída a memória, mas também a capacidade de aprendizagem, de julgamento, de orientação no tempo e no espaço, de reconhecer objetos e compreender suas funções, de planejar ações — como ir à rua pagar uma conta, ou mesmo tomar banho —, assim como a linguagem falada e compreendida”, explica Uiara Vargas Ribeiro, médica geriatra e Diretora Científica da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) Regional Paraná.

Apesar dos sintomas relacionados à memória serem os mais conhecidos, a doença afeta diversos outros aspectos mentais importantes para a realização de atividades da vida diária. Foto: Bigstock.

Segundo Uiara, alterações de comportamento também podem estar presentes junto ao quadro. Pessoas com a doença podem se afastar do convívio social, apresentar mudanças de humor e personalidade e mostrar dificuldade para realizar tarefas cotidianas que antes eram feitas sem dificuldade, como ir a lugares conhecidos sem se perder, fazer compras e cozinhar.

“Os sintomas neuropsíquicos da doença decorrem da lesão progressiva dos neurônios de uma região do cérebro chamada hipocampo, que é responsável pelos processos cognitivos. Essa lesão se dá por diversos mecanismos, incluindo o acúmulo exagerado de aglomerados de proteínas no entorno dos neurônios, lesionamento de suas estruturas de sustentação”, expõe a geriatra.

Fatores de risco

A idade é o principal fator de risco para o surgimento da demência. Após os 65 anos, o risco de desenvolver a doença dobra a cada cinco anos, de acordo com dados da ABRAz. Além disso, as mulheres têm mais risco, o que pode estar relacionado ao fato da expectativa de vida delas ser maior.

Apesar da doença não ser hereditária, familiares de pacientes com Alzheimer também têm maior risco de desenvolver a doença.

Outros fatores que Uiara define como “não-modificáveis” são síndrome de Down e genética suscetível, que pode ser identificada por meio de exame genético. Já os fatores de risco “modificáveis”, relacionados ao estilo de vida, podem ser controlados pelo indivíduo. “Entre eles estão os anos de estudo — quanto mais anos de estudo, menor o risco —, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, tabagismo, inatividade física, depressão e isolamento social”, conta a representante da ABRAz.

Idosa

A idade é o principal fator de risco para o surgimento da demência. Foto: Brunno Covello / Agencia de Noticias Gazeta do Povo.

Segundo projeções feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018, a fatia de brasileiros com mais de 65 anos alcançará 15% em 2034, e um quarto da população terá mais de 65 anos em 2060. “Um número cada vez maior de pessoas estão chegando a idades mais avançadas, e sendo a idade o maior fator de risco, teremos cada vez mais indivíduos afetados pela doença de Alzheimer”, afirma o geriatra Mauro Roberto Piovezan. De acordo com informe de 2017 da Organização Mundial da Saúde (OMS), a expectativa é de que o número de pessoas que vivem com demência no mundo triplique até 2050, passando de 50 milhões para 152 milhões.

Prevenção

Atualmente, não existem medicamentos com evidência científica comprovada para evitar as síndromes demenciais, incluindo o Alzheimer. Porém, existem maneiras de driblar os fatores de risco modificáveis e manter a saúde mental e cognitiva. Para isso, de acordo com Ivan Okamoto, neurologista da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, é preciso praticar atividades físicas regularmente, incluindo aeróbicas, que aumentem a frequência cardíaca; alimentar-se adequadamente, com uma dieta controlada e regrada que inclua legumes, peixes e ômega 3 e controlar o colesterol.

É necessário também manter o cérebro ativo, realizando atividades intelectuais, como aprender uma língua, por exemplo; e manter o convívio social e familiar.

“É importante manter essas relações sociais porque elas envolvem atividades que mantém o cérebro ativo. Estar envolvido com a família, por exemplo, traz sempre novos desafios”, afirma Okamoto. “Não basta prevenir executando apenas uma das atividades indicadas, é o conjunto de tudo que se mostra eficaz”, diz o neurologista.

Tratamento

Em todas as fases da doença  — leve, moderada e grave — o tratamento medicamentoso é feito com a utilização de anticolinesterásicos (rivastigmina, donepezil, galantamina). Com o avanço da doença, outros medicamentos podem beneficiar o paciente, como a memantina. “Estes medicamentos não são curativos e se propõem a manter as pessoas acometidas pela doença capazes de realizar suas atividades de vida diária por um tempo maior. Também possuem efeito para o controle dos sintomas comportamentais da doença”, conta Piovezan. O tratamento de condições concomitantes, como a depressão, é essencial em qualquer uma das fases.

“Já do ponto de vista não medicamentoso, as intervenções também mudam conforme a fase da doença, priorizando-se o estímulo à cognição na fase leve, manutenção da funcionalidade na fase moderada, e conforto e facilitação do cuidado na fase avançada. Para isso, contamos com as intervenções da psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, enfermagem, terapia ocupacional e musicoterapia, cada uma dessas contribuindo com o seu saber nas diversas fases”, aponta Uiara.

Rede de apoio

O Alzheimer atinge não só a pessoa adoecida, mas, indiretamente, seus amigos e familiares. “Quando um ente querido recebe o diagnóstico de Alzheimer ou outra doença degenerativa semelhante, a família pode se sentir perdida, assustada com o prognóstico, não saber como agir e lidar com determinadas situações, nem como planejar a vida dali para frente”, conta Elizabeth Piovezan, presidente do Instituto Alzheimer Brasil (IAB), organização não governamental que tem como missão reduzir o impacto da doença na vida dos portadores da força, familiares e cuidadores, promovendo a melhoria do bem-estar e qualidade de vida.

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Fundada em Curitiba, a ONG formada por voluntários de diferentes especialidades da saúde geral realiza reuniões mensais gratuitas com familiares e cuidadores todo último sábado do mês, das 9h30 às 12 horas, no Salão Paroquial da Igreja Sagrados Corações, no Hugo Lange.

“É importante que o cuidador e a família se engajem em grupos como esse para receberem apoio, pois a vida continua e ela deve ser boa o quanto seja possível, até o final. Para isso, é importante aprender estratégias para lidar com comportamentos,  além de conhecer formas mais eficientes de cuidado”, afirma Elizabeth.

Entre as discussões realizadas nos encontros, há destaque para formas de tornar os ambientes seguros e agradáveis para a pessoa com Alzheimer. “Devido à perda de memória, ao estado de confusão, à instabilidade de humor e aos sintomas psiquiátricos, como alucinações e delírios, mudanças gradativas podem ser necessárias no ambiente para a segurança da pessoa com Alzheimer, como retirar móveis baixos e pontiagudos do caminho, remover tapetes e objetos que possam ser atirados ou engolidos. Indicamos que sejam expostos objetos que tenham significado prazeroso para a pessoa com Alzheimer, como aqueles relacionados à profissão, aos hobbies e fotos de família”, sugere Elizabeth. “Viver e conviver com uma doença dessas não é fácil, mas existe ajuda”, finaliza.

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