Patrocínio

Hospital Pilar X-Leme Diagnóstico Por Imagem Mantis Diagnósticos Avançados

Nova York declara fim do maior surto de sarampo dos últimos 30 anos; Brasil tem aumento de casos

Enquanto o surto reduz nos Estados Unidos, casos da doença crescem 18% no Brasil, conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde no início de setembro

Cidade de Nova York declara fim do surto de sarampoCidade de Nova York declara fim do surto de sarampo. Foto: Bigstock.

O maior surto de sarampo na cidade de Nova York nos últimos 30 anos chegou ao fim, disseram autoridades na última terça-feira (03). A cidade gastou mais de US$ 6 milhões, vacinou mais de 500 funcionários e emitiu uma ordem de vacinação obrigatória para todas as pessoas que viviam e trabalhavam em quatro bairros do Brooklyn.

Os casos da doença altamente contagiosa e potencialmente fatal estiveram concentrados principalmente na comunidade ultra-ortodoxa judia de Nova York, onde se disseminou a desinformação acerca da segurança e eficácia da vacina contra o sarampo, rubéola e caxumba, conforme alertaram as autoridades de saúde.

Ao todo, 654 pessoas foram infectadas, e 52 delas foram hospitalizadas. Destas, em 16 pacientes foram necessárias medidas intensas de cuidado devido a complicações mais sérias, conforme divulgação do departamento de saúde da cidade.

Cerca de 73% dos indivíduos não haviam sido vacinados, 7% não receberam todas as doses, e 15% não sabiam como estava a carteirinha de vacinação. A maior parte dos casos — 72% — ocorreu nos quatro bairros do Brooklyn.

Nova York concentrou o maior número de casos de sarampo nos Estados Unidos e favoreceu o aumento da presença da doença no território nacional. Este também foi considerado o maior surto de sarampo em um único ano nos últimos 27 anos. Em todo o país, até o dia 29 de agosto, foram contabilizados 1.234 casos, de acordo com dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês) — órgão semelhante à Anvisa.

Retrocesso para a saúde

O surto de 2019 representa um retrocesso significativo para a Saúde Pública, depois que o sarampo foi declarado eliminado dos Estados Unidos no ano 2000. No Brasil, a doença havia sido considerada eliminada em 2016, título que o país perdeu com os casos dos últimos dois anos.

Entre janeiro de 2018 e janeiro de 2019, o Brasil teve mais de 10 mil casos confirmados de sarampo, especialmente na região Norte, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Neste ano, o Brasil registrou quase 3 mil casos até o início de setembro,  representando um aumento de 18% nos casos desde a última notificação, no fim de agosto. São Paulo continua como o estado com o maior número de pessoas infectadas — 2,3 mil casos.

Quatro pessoas morreram no Brasil, desde o início do ano, por complicações do sarampo: um homem de 42 anos e dois bebês de quatro e nove meses, no estado de São Paulo, e um bebê de sete meses em Pernambuco.

Nos Estados Unidos, a doença regrediu e não há caso novo registrado desde metade de julho. Os surtos de sarampo são normalmente declarados finalizados quando dois períodos de incubação (o equivalente a 42 dias) da doença tiverem passado.

“O sarampo é uma das doenças mais contagiosas da face da terra”, disse Oxiris Barbot, comissária para a saúde da cidade de Nova York.

Embora não haja mais transmissão local de sarampo em Nova York, a ameaça continua, segundo Barbot, devido a outros surtos em outras cidades dos Estados Unidos e ao redor do mundo, incluindo a Europa e Israel, países na América do Sul, África e Ásia. 

Vacinação: única prevenção

Oxiris Barbot, comissária para a Saúde de Nova York, reforça ainda para a cobertura vacinal, que teve um aumento significativo desde a ordem de vacinação emergencial.

“Nós somos gratos aos novaiorquinos que compartilharam a verdade sobre as vacinas e protegeram a saúde de seus amigos e vizinhos durante esse surto”, diz.

Grupos antivacinação têm estado ativos contra a comunidade. Durante o surto, eles mantinham campanhas ativas, com a distribuição de panfletos desinformando a população. Mas outros grupos, mesmo dentro da comunidade judia ortodoxa, revidaram.

Um grupo voluntário de profissionais da saúde, a Força Tarefa da Vacina, escreveu e distribuiu centenas de folhetos aos pais para combaterem o medo e os mitos disseminados pelos grupos antivacinação. Eles ainda organizaram encontros com os pais e médicos para que ouvissem os questionamentos e respondessem sobre a ciência atrás das vacinas.

Em meio ao surto de sarampo, os vereadores de Nova York também revogaram a permissão de os pais recusarem a vacinação dos filhos. Em junho, a exceção religiosa também foi revogada em prol de uma vacinação forçada vinculada à permissão de ir para a escola.

Mais de 26 mil crianças de escolas públicas e privadas e de creches não haviam sido vacinadas anteriormente por motivos religiosos, de acordo com o departamento de saúde local.

LEIA TAMBÉM

8 recomendações para você

Deixe seu comentário