Cerca de 4 milhões de gestantes não se vacinaram contra a gripe; veja os riscos

Embora a meta geral da campanha de vacinação contra a gripe tenha sido alcançada, grupos de risco, como as gestantes e crianças, ficaram abaixo do esperado

Gestantes e crianças são parte do grupo de risco para influeza, ou gripeGestantes e crianças são parte do grupo de risco para influeza, ou gripe (Foto: Bigstock)

O Ministério da Saúde divulgou no fim de junho os números da campanha de vacinação contra a gripe (influenza) para 2019. No geral, 90% da meta de imunização foi alcançada, ao somar os número dos grupos prioritários e do restante da população.

Entre alguns grupos de risco, porém, a mesma cobertura não foi atingida. Além de tornar o todo mais vulnerável à gripe, a desproteção abre espaço para que outras doenças oportunistas, como a pneumonia, também acometam essas pessoas.

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Dos grupos de risco que não atingiram 90% de cobertura vacinal da gripe, as gestantes (81,8%) e as crianças (82.8%) ganham destaque ao lado das pessoas com comorbidades (86,3%), profissionais das forças de segurança e salvamento (48,5%) e população privada de liberdade (74,8%).

Conforme os números da pasta, até o momento são 2,6 milhões de crianças e 3,8 milhões de grávidas desprotegidas contra a gripe.

As gestantes, quando acometidas pela gripe, têm mais chance de complicação do que uma pessoa que não está grávida, conforme lembra Marcelo Ducroquet, médico infectologista e professor do curso de Medicina da Universidade Positivo, em Curitiba, por uma questão muito simples:

“A gestante tem um estado imunológico especial. Como há uma criança com o material genético do pai e da mãe, o sistema imunológico da mãe, propositalmente, ‘abaixa a guarda’, para que os antígenos do pai sejam tolerados. Assim ela fica pouco imune, e é considerada imunossuprimida”, explica o médico.

Devido a isso, o risco de que doenças como a gripe se manifeste é maior, bem como as complicações, que acometem quatro vezes mais mulheres grávidas do que as que não estão gestando, de acordo com Heloísa Giamberardino, médica pediatra coordenadora do Centro de Vacinas do Hospital Pequeno Príncipe em Curitiba, e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações – regional do Paraná.

“Onde ocorrem mais óbitos são entre as gestantes também, e as complicações como pneumonias e infecções do trato respiratório. Há aquelas que não respondem bem ao tratamento e evoluem para óbito. E a proteção da gripe é através de uma vacina que hoje se sabe que é muito segura na gestação. Não tem motivos para que não se vacine”, explica a médica. 

Crianças também em risco

Até os dois anos de idade, o sistema imunológico das crianças não está totalmente desenvolvido, e a susceptibilidade para infecções virais em geral é maior, inclusive a gripe (influenza).

“Elas [crianças] têm uma evolução quase semelhante à gestante, com relação às complicações. O ponto que dificulta ainda mais nas crianças é o tratamento. Para influenza [gripe], o tratamento é via oral [por comprimido], o que é muito mais difícil de tratar entre as crianças. Elas não têm uma boa aceitação. Elas rejeitam, têm mais náuseas”, explica a médica pediatra Heloísa Giamberardino. 

A vacina contra a gripe está disponível às crianças até os cinco anos de idade, a partir dos seis meses. Isso porque, antes dessa idade, a proteção é garantida pela mãe — que deve se vacinar durante a gestação ou, se não puder antes, durante o puerpério.

“A mãe transfere os anticorpos que ela produziu contra a gripe para o recém-nascido, que só vai poder tomar a vacina aos seis meses de idade. Se ela não tomou a vacina durante a gestação, que tome logo depois do nascimento, para não ficar doente nesse período em que está mais vulnerável”, reforça a médica especialista.

Crianças também fazem parte de grupo de risco para gripe ou influenza

Crianças também fazem parte de grupo de risco para gripe ou influenza (Foto: Bigstock)

 

Vacina com vírus “morto”

“Tomei a vacina, mas peguei a gripe”. Esse é um dos mitos mais conhecidos (e mais disseminados) relacionados ao imunizante. Não há risco de desenvolver uma gripe devido à vacina por um motivo muito simples: a vacina é feita com o vírus inativado, morto, incapaz de causar dano à pessoa.

É como se apresentássemos às nossas células de defesa um pedaço do alvo, não ele completo, para que elas produzam os anticorpos necessários ao combate caso o vírus verdadeiro apareça mais tarde. 

Mas outro motivo que pode levar à confusão está na nomenclatura. Influenza e gripe são a mesma coisa, mas ambas não significam resfriado – que é muito mais comum, e causado por vírus diferentes.

“Influenza, ou gripe, é uma doença que dá febre intensa, você não consegue trabalhar, não consegue estudar. O resfriado é diferente. Em adulto raramente dá febre, e a pessoa consegue levar o dia com um pouco de dor de cabeça, dor de garganta e mal estar. Atrapalha, mas não é grave”, explica Marcelo Ducroquet, médico infectologista.

A gripe, ou influenza, são doenças que matam, mas podem ser prevenidas. Já contra o resfriado não tem vacina, mas um organismo protegido contra a gripe consegue ter mais armas contra um simples resfriado também.

“Aqueles remédios antigripais que a gente encontra na farmácia, na verdade, são para combater os sintomas do resfriado. Mas o nome confunde. Contra a gripe, usa-se o tamiflu, que ataca a influenza”, reforça o infectologista.

Gripe? Cuidado com a pneumonia

O risco da gripe está em, além dos sintomas mais intensos, favorecer que outras doenças se instalem, como a pneumonia. Funciona, conforme explica Marcelo Ducroquet, médico infectologista:

“O vírus da influenza prejudica a função do sistema imunológico do pulmão, favorecendo o crescimento e desenvolvimento de bactérias que temos na faringe/garganta. Essas bactérias acabam desenvolvendo uma pneumonia no paciente, e a pessoa pode vir a morrer. Quando a imunidade está bem, essas bactérias não oferecem risco, porque conseguimos combatê-las. No caso da gripe, o corpo está debilitado, e elas se aproveitam.”

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