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Até 4,5 horas após o evento do AVC iniciar tratamento pode prevenir sequelas. Foto: Bigstock.
Até 4,5 horas após o evento do AVC iniciar tratamento pode prevenir sequelas. Foto: Bigstock.| Foto:

As mãos, pernas e braços amortecem, normalmente apenas de um lado do corpo, de uma hora para outra. A memória se confunde, a visão e a fala mudam.

A partir desse ponto, a família tem 4,5 horas para levar um paciente ao hospital e iniciar o tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC). A rapidez no atendimento é essencial para que os sintomas possam ser revertidos, reduzindo riscos de sequelas, como a perda da mobilidade ou comprometimento da fala.

O tratamento precoce, no entanto, não cabe a todas as situações de AVC. No caso de acidentes com a formação de um coágulo bloqueando a passagem do sangue na artéria em um determinado lado do cérebro, a administração de medicamentos é eficiente para dissolver o coágulo.

Se houver um rompimento da artéria ou se o AVC ocorrer enquanto o paciente está dormindo, não há como prever o tempo certo e o tratamento pode ser ineficaz.

“A identificação pronta e rápida dos familiares ou das pessoas próximas é importante para que o paciente seja levado logo ao hospital, independentemente do tempo que o acidente tenha ocorrido”, afirma o neurologista Ivo José Marchioro.

Mesmo assustados com os sintomas do familiar que passa pelo AVC, não dar medicamentos em casa é importante para evitar sequelas.

“Em um AVC isquêmico, o aumento da pressão arterial é uma tentativa de o organismo mandar sangue para onde não está chegando, devido ao coágulo. Se você normaliza ou abaixa a pressão com remédios, pode piorar a situação do paciente, que deixará uma parte do cérebro sem irrigação por mais tempo”, explica Marchioro.

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Perigo iminente

Apesar de os sintomas se apresentarem no momento do acidente, alguns fatores podem indicar um risco maior. O primeiro deles, conforme explica o neurologista Rubens José Gagliardi, é a hipertensão arterial sistêmica ou pressão alta.

“Cardiopatias, disritmia cardíaca, diabete, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade e algumas doenças que alteram a coagulação do sangue podem favorecer o AVC. O histórico familiar é importante também”, diz.

Localização

Ao chegar ao hospital, o médico identifica, por meio de uma tomografia, a exata localização do coágulo ou o rompimento da artéria para saber as possíveis consequências.

“Se é um vaso que irriga o lado para controlar a força esquerda da pessoa, ela terá fraqueza neste lado. O que determina é a área, mas existem artérias que são mais comumente acometidas, especialmente na área da fala, área motora ou sensitiva”, afirma Marchioro. Em alguns casos, pequenos derrames podem alterar de forma leve a memória, deixando o paciente desorientado, mas são menos frequentes.

Jovem x idoso

A influência da idade como fator de risco para AVC existe, mas não é tão grande. Mesmo jovens podem estar predispostos ao acidente, especialmente aquelas que fazem uso de anticoncepcionais. Comparado a um homem idoso, hipertenso, com colesterol alto, o risco que uma mulher de 25 anos de idade tem de sofrer um AVC é baixo.

Esse risco aumenta, no entanto, quando adiciona o anticoncepcional na equação. “O fator hormonal é muito importante quando se fala em evento vascular em jovens. Não acontece com frequência, mas não é impossível. O estrogênio desencadeia a doença pelo estreitamento das artérias, levando a uma isquemia ou formação de trombose”, diz a neurologista e neurossonologista Viviane Zétola.

Optar por um anticoncepcional que utilize apenas o hormônio progesterona também não garante segurança, segundo Viviane Zétola. “Não temos estudos suficientes para afirmar qual pode e qual não pode. Lógico que um anticoncepcional de baixa dosagem ajuda, mas se o objetivo é somente a contracepção, aconselhamos a jovem a buscar outros métodos”, afirma.

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