Sinais indicam quando idosos precisam abandonar os remédios para melhorar a saúde

Sinais como fragilidade extrema e prejuízo da funcionalidade podem exigir a desprescrição de remédios para os idosos em prol da saúde

(Foto: Bigstock)

O velho ditado diz que prevenir é o melhor remédio. E com a chegada da terceira idade, prevenção e medicação costumam caminhar juntas. Praticamente inevitável para grande parte dos idosos, a prescrição médica pode representar riscos se não for bem compreendida e se não houver o controle adequado das medicações. Com este propósito, nos últimos anos a medicina está mais atenta ao uso de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos e com o uso de mais de um remédio por pessoas dessa faixa etária.

Pessoas com convivência próxima ao idoso da família tem papel fundamental para prevenir que a medicação não exceda o ideal. O uso de medicamentos com alto potencial para complicações e situações em que a interrupção do remédio não levará ao agravamento da doença sinalizam que a desprescrição deve ser considerada. Sinais como fragilidade extrema e prejuízo da funcionalidade são importantes e exigem a procura de um médico.

Nesses casos, o geriatra é o profissional mais adequado para fazer o gerenciamento da situação e orientar pacientes e familiares sobre como proceder. É importante que o idoso saiba exatamente para que servem os medicamentos que utiliza e seus possíveis efeitos adversos.

“O termo desprescrição foi sugerido para esses casos em que o médico tem de tomar decisões de priorizar medicamentos a serem mantidos ou interrompidos, para maximizar benefícios e minimizar danos”, explica Clóvis Cechinel, médico geriatra na Prefeitura Municipal de Curitiba/Hospital do Idoso Zilda Arns.

Sem número certo

Não existe número fixo de remédios que sirva de base para indicar se o idoso está tomando ou não medicamentos demais. Isso depende de quantas comorbidades ele apresenta. Também é importante que os filhos ou cuidadores não administrem medicamentos não prescritos por médicos.

“O uso depende da capacidade de o idoso de tomar sozinho seus medicamentos e em quais horários. Idosos que não têm essa capacidade por algum motivo, devem ter acompanhamento de familiar ou cuidador”, diz Reinaldo Ayer de Oliveira, professor do curso de medicina da Universidade de São Paulo/conselheiro do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp).

É preciso estar atento também se a pessoa idosa da família é atendida por diferentes especialistas e se recebem prescrições específicas sem a consideração de possíveis e frequentes duplicações. A principal consequência dessa atenção não integrada é a ocorrência de iatrogenia, que são efeitos adversos ou complicações causadas pelo tratamento médico inadequado.

Mais prescritos

Os medicamentos que atuam no sistema cardiovascular como anti-hipertensivos, diuréticos, digitálicos e anticoagulantes representam quase metade das prescrições para os idosos.

Também são bastante prescritos remédios que agem no trato gastrointestinal, como antiácidos, protetores gástricos e laxativos, além dos ansiolíticos, usados para diminuir ansiedade e tensão.

Hora de desprescrever:

– Esteja presente com o idoso durante as consultas de orientações, principalmente nos pacientes que apresentem limitações físicas ou com adesão ruim ao tratamento;

– Leve ao médico informações sobre todas as medicações de uso regular, inclusive aquelas sem prescrições médicas, como vitaminas e ervas medicinais;

– Sempre que possível o médico deve adequar a posologia (tempo de ação e a dose terapêutica) de acordo com as preferências da pessoa idosa;

– Fique de olho e peça orientações sobre cuidados com armazenamento impróprio e verificação da data de validade.

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