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Talvez o maior assunto do momento seja como vai ser a adaptação das penas aos condenados do 8 de janeiro que foram presos naquela ação de perfídia. Não dá para a gente esquecer dessas coisas, de pessoas que estão respondendo por fatos que não cometeram. Associação criminosa armada, quando não tinha ninguém armado; ação violenta para derrubar o Estado de Direito, quando foi uma bagunça, uma manifestação. Aqueles que deterioraram e estragaram o patrimônio público têm que pagar: pagar, indenizar e, ao mesmo tempo, receber a punição.
Mas o exagero foi tanto que, num passo para a anistia, fez-se essa lei da dosimetria que foi aprovada pela maioria do Congresso Nacional. Lula vetou e o Congresso derrubou o veto por mais votos ainda. E agora, quem calcula isso? Seria o Alexandre de Moraes, o relator de tudo do inquérito do fim do mundo, ou seria cada juiz de comarca, cada juiz de execuções criminais das comarcas onde estão os condenados? É uma questão a ser considerada.
Infelizmente, tem alguns que foram condenados à morte, como é o caso do Clezão. Clezão precisava de tratamento e não teve. Houve seis ou sete ou mais avisos de sua defesa encaminhados à Procuradoria, que encaminhou ao relator, e a resposta foi a negativa. Ele acabou morrendo sob a custódia do Estado. O Estado é responsável por essa morte e alguém que está no Estado tem que ser responsabilizado.
Essa questão tem que ser resolvida, pois, do contrário, o cálculo demorará dez anos por envolver muita gente. Isso vai estimular a pressa por uma lei de anistia para simplesmente anular tudo o que foi feito. E, depois de anular, restará saber quem indeniza as pessoas que perderam a liberdade, perderam meses e anos de vida, além dos prejuízos às famílias. É muita injustiça a ser corrigida, porque isso foi feito com raiva. A Justiça não tem que ter raiva nenhuma; a Justiça tem que ter isenção, ouvir a acusação e a defesa, tomar uma decisão e aplicar a lei. Mas isso não foi feito porque entraram emoções. E emoções não é algo de juiz. Emoção é coisa de pessoa que não amadureceu o suficiente para manter a cabeça fria no momento em que precisa.
Celebrações de Primeiro de Maio foram esvaziadas
Falando um pouco sobre o Primeiro de Maio: um feriado esvaziado, com manifestações em que vemos a tentativa de não mostrar o vazio. As fotos oficiais focam apenas em quem está discursando ou em quem está no primeiro plano; não abrem a câmera para não mostrar que há um vazio muito grande. É a falta de capacidade de mobilização da esquerda e também dos sindicatos. Inclusive, há uma grande reivindicação que é trabalhar menos. Trabalhar menos para receber a mesma coisa resultará, obviamente, em vender menos, produzir menos, fabricar menos e ter menos renda. Não tem como ser diferente.
E aqui está o resultado: a dívida pública está em 10 trilhões e 356 bilhões. A gente não sabe nem quanto é 1 bilhão, imagine 10 trilhões. A dívida pública são os papéis que o Estado brasileiro emite para poder pagar suas despesas, porque gasta demais. O último déficit primário foi de 80 bilhões e 700 milhões. Essa dívida pública é o motivo pelo qual você paga um juro muito alto.
Vejam outra coisa: a renda per capita média do mundo é de US$ 26.188; a do Brasil é de US$ 23.380. Tem 111 países que crescem mais que o Brasil e a nossa renda per capita está abaixo da média mundial. De 1980 até o ano passado, a renda cresceu 675% no mundo, enquanto no Brasil cresceu 428%. Perdemos a oportunidade na globalização porque ficamos com medo e fomos contra ela. Perdemos a chance. Somos o país das oportunidades perdidas por despreparo de cérebros e ideologia misturada aos fatos e ao pragmatismo. Tudo isso junto.

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



