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Adriano Gianturco

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Eleições

Qual será o próximo escândalo na nossa luta eleitoral?

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Eleição é briga na lama em que vale tudo, com candidatos abastecidos por marqueteiros prontos a explorar qualquer escândalo, e muita gente querendo ver o circo pegar fogo. (Foto: Imagem criada utilizando Flow/Gazeta do Povo)

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No mundo inteiro fala-se em “campanha” ou “corrida” eleitoral. Mas as eleições estão mais para uma luta, um conflito, que para uma mera competição. Invertendo Clausewitz, a política é “a continuação da guerra por outros meios”: Carl Schmitt mostra que, em política, há amigos ou inimigos, não concorrentes.

Não há o mínimo fair play. O quehá é o lawfare, o vale-tudo – tudo mesmo: críticas, insultos, fake news, acusações, escândalos reais e inventados, chantagem, revelações secretas, o uso do aparato do Estado contra o inimigo e para cometer irregularidades. Vale dedo no olho e chute nas partes íntimas, é pior que UFC. O jogo é sujo, ainda mais quando o árbitro tem lado também.

Propostas, práticas e discursos sofisticados são bonitos e podem funcionar em círculos restritos, mas não são apreciados pelas massas

Os candidatos precisam fazer propostas e se mostrarem competentes e capazes de colocá-las em prática, mas o “discurso negativo” contra os adversários, contra inimigos reais ou imaginários, internos ou externos, é muito mais fácil e obtém muitos mais votos, entre outros motivos porque ele reforça identidades. A identidade de cada tribo política se forma muito em contraposição às outras. E, focando as diferenças entre os grupos, é mais fácil esquecer as diferenças intragrupo. Além disso, criticar é fácil, propor é difícil. Quando se critica, colhem-se apoiadores; quando se propõe concretamente como mudar as coisas, esses apoiadores já começam a se dividir.

Não há como esperar muito mais que isso; a quantidade importa, é preciso ter milhões de votos para vencer.

O prêmio Nobel Friedrich Hayek mostra como é preciso descer ao nível mais baixo, ao mínimo comum. Propostas, práticas e discursos sofisticados são bonitos e podem funcionar em círculos restritos, mas não são apreciados pelas massas. As coisas pioram quando se pensa no nível médio da população. Quando o povo tem convicção absoluta de que a corrupção é o maior problema do país, explica tudo pela falta de ética e espera “ética” da política, um lado atacará o outro exatamente nessa questão, e não discutirá propostas de políticas públicas concretas, regras ou incentivos.

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Por fim, tudo depende do que está em jogo. Se o tesouro é muito alto, os candidatos estarão dispostos a fazer tudo; se o prêmio for pequeno, serão mais civilizados. Como o Estado brasileiro é um paquiderma dirigista, uma máquina de extorquir trilhões legalmente e ilegalmente, vocês já têm a conclusão. Quanto mais intervencionista é o Estado, pior é (para variar).

Basta esse pouquinho de ciência política básica, e fica fácil prever o que vem pela frente. Acabamos de ter o caso de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro; já estão procurando pelo em ovo para atacar Romeu Zema também; do outro lado, também não se poupa nada.

Até o dia das eleições, em outubro, mais escândalos virão. As equipes dos candidatos já estão trabalhando nisso. A estratégia é tentar se destruir reciprocamente com base nos escândalos, que são divulgados aos poucos aos poucos para sangrar a presa. Por exemplo, eu já havia começado a escrever esta coluna quando surgiu a informação do encontro entre Flavio e Vorcaro durante a prisão domiciliar do banqueiro. Há mais cartas nas mangas, e irão soltá-las aos poucos. Quem trabalha nos bastidores já sabe mais bombas virão. Resta ver quem tem a carta vencedora na mão.

Eleições políticas são luta na lama, mas a ciência que as descreve é arte marcial fina

Nada disso é casual. Não há muito espaço para improvisações, é tudo muito bem organizado, por muitos e ótimos profissionais superespecializados em marketing político, estratégia e campanhas – o Brasil, inclusive, é referência em campanha e marketing eleitoral, um dos poucos lugares onde se pode ficar milionário sendo marqueteiro político.

Eleições políticas são luta na lama, mas a ciência que as descreve é arte marcial fina. Só pode melhorar se e quando o tesouro que está em jogo diminuir, e quando as pessoas focarem no mérito das propostas de políticas públicas. Até lá, para não se decepcionar, é melhor ter expectativas baixas.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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