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Apoiadores “raiz” de Bolsonaro estão se candidatando por partidos do Centrão

Puxadores de voto do PL 2026
Com forte atuação nas redes sociais, Lucas Pavanato foi o vereador mais votado do país em 2024. Agora é uma das apostas do PL para ampliar a bancada na Câmara dos Deputados. (Foto: Vitor Liasch/Gabinete do vereador Lucas Pavanato)

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Uma decisão recente do diretório do PL de São Paulo de concentrar recursos do fundo eleitoral e vagas na chapa em candidatos considerados mais competitivos está levando parte dos aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, a buscar espaço em outras legendas para disputar as eleições deste ano.

Entre eles estão os vereadores paulistanos Rubinho Nunes e Adrilles Jorge, ambos conhecidos pela atuação na direita e pela defesa de pautas conservadoras na Câmara Municipal de São Paulo; o influenciador fitness Renato Cariani, que reúne milhões de seguidores nas redes sociais; e o jornalista Silvio Navarro, ex-integrante de veículos como Folha de S.Paulo, Veja e Revista Oeste. Todos devem concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo União Brasil, mas apoiar a candidatura presidencial de Flávio.

O movimento ocorre em meio à reformulação da estratégia eleitoral do PL paulista após a saída de alguns de seus principais puxadores de voto na eleição de 2022. Sem Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, que não disputarão a Câmara dos Deputados, e depois da migração de Ricardo Salles para o Novo e de Guilherme Derrite para o PP, a legenda passou a priorizar candidaturas consideradas capazes de preservar o tamanho da bancada federal no maior colégio eleitoral do país.

Integrantes do partido ouvidos pela Gazeta do Povo afirmam que a direção estadual, comandada por José Tadeu Candelária, alinhou a distribuição de recursos e o desenho da chapa com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que também disputará uma vaga na Câmara dos Deputados.

A estratégia concentra investimentos em nomes vistos internamente com maior potencial de votação, como os vereadores paulistanos Lucas Pavanato e Zoe Martines e o empresário Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para o cientista político Elias Tavares, a movimentação evidencia que a base de apoio a Bolsonaro extrapola a estrutura formal do PL. "O PL é hoje o principal instrumento partidário desse campo, mas a identidade bolsonarista não está limitada ao número do partido. Ela se organiza em torno da liderança, do discurso, da agenda de costumes, da segurança pública, do antipetismo e da oposição ao governo Lula", afirma.

Segundo ele, candidatos em outras legendas podem fortalecer o projeto nacional de Flávio Bolsonaro desde que atuem de forma complementar às candidaturas oficiais do partido e não disputem o mesmo espaço político com os nomes priorizados pela legenda.

"Fora do PL, um candidato pode continuar sendo bolsonarista. Mas ele só fortalece o projeto nacional de Flávio Bolsonaro quando atua de forma complementar às candidaturas oficiais do partido. Se disputa o mesmo eleitorado dos nomes priorizados pela legenda, passa a fragmentar a direita", completou.

Candidatura de Valdemar amplia disputa por espaço no PL

A disputa por espaço no PL paulista também foi intensificada pela decisão de Valdemar Costa Neto de disputar uma vaga como deputado federal por São Paulo neste ano. O cacique do PL está sem mandato desde dezembro de 2013, quando renunciou após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do Mensalão.

Além de tentar retornar à Câmara após mais de uma década, aliados afirmam que o dirigente do PL pretende fortalecer sua influência na bancada de olho na sucessão do comando da Casa em 2027. Para viabilizar esse projeto, Valdemar passou a participar diretamente da montagem da chapa e da distribuição das candidaturas no estado.

Nas articulações conduzidas pelo dirigente, prefeitos e ex-prefeitos da região de Mogi das Cruzes, seu principal reduto eleitoral, foram incentivados a desistir da disputa por uma vaga na Câmara e a concorrer à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Em troca, conforme apurou a reportagem, o partido prometeu reforçar essas campanhas com recursos do fundo eleitoral e apoio político, enquanto concentraria esforços para impulsionar a candidatura de Valdemar à Câmara. A estratégia foi conduzida em conjunto com o presidente estadual do PL, José Tadeu Candelária, responsável por coordenar a montagem das chapas proporcionais no estado.

Integrantes da legenda admitem reservadamente que a prioridade passou a ser investir em candidaturas com maior capacidade de atrair votos para o partido, reduzindo o espaço para nomes sem mandato ou que buscavam estrear na disputa federal. A reorganização da chapa também foi impulsionada pela ausência de alguns dos principais puxadores de voto do PL nas eleições de 2022.

"Concentrar recursos em candidatos competitivos faz parte da estratégia das legendas nas eleições proporcionais. O objetivo é potencializar candidaturas capazes de impulsionar toda a chapa e aumentar o número de deputados eleitos", afirma Roosevelt Arraes, integrante da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep).

Dos cinco deputados federais mais votados do último pleito, três disputaram a eleição pelo partido em São Paulo: Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Ricardo Salles. Nenhum deles, porém, estará na chapa da legenda para a Câmara neste ano.

Eduardo Bolsonaro, que recebeu 741.701 votos em 2022, permanece nos Estados Unidos e já sinalizou que não pretende retornar ao Brasil. Carla Zambelli, terceira deputada federal mais votada do país na última eleição, com 946.244 votos, está inelegível após condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e atualmente reside na Itália.

"No sistema proporcional, o puxador de votos é aquele candidato que obtém uma votação muito acima da média. Esses votos excedentes permitem ao partido atingir o quociente eleitoral mais de uma vez e eleger outros candidatos da mesma legenda", explica Arraes.

Saída de Salles expõe disputa por espaço na direita

Ex-ministro do Meio Ambiente no governo Jair Bolsonaro, Ricardo Salles deixou o PL e se filiou ao Novo depois de não conseguir viabilizar sua candidatura ao Senado pela legenda de Flávio Bolsonaro. Na definição da chapa majoritária em São Paulo, o partido decidiu lançar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), enquanto a segunda vaga apoiada pelo grupo ficou com o deputado federal Guilherme Derrite (PP), aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Inconformado com a decisão, Salles atribuiu sua saída à condução da cúpula do partido. "O André do Prado foi colocado como candidato ao Senado como prêmio de consolação por não ter sido aceito como candidato a vice-governador do Tarcísio. Ele não representa efetivamente a direita. Fui obrigado a sair do Partido Liberal por conta dele [Valdemar da Costa Neto]", afirmou.

Salles, Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Guilherme Derrite responderam por cerca de 2,56 milhões de votos para o PL paulista em 2022. Para o cientista político Elias Tavares, a saída de Ricardo Salles do PL ilustra uma disputa que vai além da troca de partido.

Segundo ele, quando lideranças da direita passam a disputar o mesmo eleitorado por legendas diferentes, o embate deixa de ser apenas eleitoral e passa a ser simbólico, envolvendo quem terá legitimidade para representar a base de Bolsonaro. "A disputa deixa de ser apenas eleitoral e passa a ser também simbólica: quem tem o direito de falar em nome da direita? Quem representa o eleitor de Bolsonaro? Quem terá a chancela real da máquina partidária e das lideranças nacionais?", afirma.

Para o analista, apesar da mudança de partido, Salles continua buscando o voto do eleitor conservador. Pesquisa Datafolha divulgada neste mês mostra o deputado federal com 13% das intenções de voto para o Senado em São Paulo, em empate técnico com outros nomes da direita, como André do Prado, que tem 11%, e Guilherme Derrite, com 10%.

A pesquisa Datafolha foi realizada entre os dias 1º e 3 de julho, com 1.608 eleitores de 16 anos ou mais em 71 municípios do estado de São Paulo. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números SP-01703/2026 e BR-06481/2026.

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