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O Congresso aprovou, e Lula sancionou a Lei 15.468/26, resultante do chamado “PL da educação política”. A nova lei altera o artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, 9.394/96) e inclui, como conteúdos obrigatórios, “educação política” e “direitos de cidadania” em toda a educação básica (até o ensino fundamental).
Estudar como funciona a política é importante é útil – eu mesmo ensino exatamente isso. Mas há muitas outras coisas que também são importantes: economia, direito, medicina, psicologia, estatística, lógica, oratória, os clássicos etc.
O diabo se esconde nos detalhes. Quem vai ensinar esse conteúdo? Com qual abordagem e viés? E por que não aprender também coisas práticas da vida de todos os dias? Primeiros socorros, noções de nutrição, como cozinhar, educação financeira, realização de pequenos reparos mecânicos, hidráulicos e elétricos – a lista é infinita.
Educação política e cidadania já estão na LDB – na verdade, é o que mais se ensina nas escolas do país
O Brasil já é um dos países com o ano letivo mais longo do mundo: são 200 dias, contra 186 da média dos países da OCDE. Além disso, o novo ensino médio já aumentou o número de horas em sala de aula (e Lula falou abertamente que era para fazer a cabeça dos alunos, porque eles poderiam fazer a cabeça dos pais).
Nos dados mais recentes do famoso teste Pisa, entre 81 países, o Brasil obteve o 65.º lugar em Matemática, 61.º em Ciências e 52.º em leitura, atrás de países como Mongólia, Cazaquistão, Brunei, Montenegro e Moldávia); o analfabetismo funcional é de quase 30%; o Brasil é o país no qual os país menos incentivam os filhos a seguir a carreira docente; o nível de violência é absurdo e triplicou nos últimos dez anos; o número de professores que abandonam a profissão por burnout está aumentando, e 72% deles relatam já ter sentido sinais de esgotamento ou colapso mental; não há hierarquia, respeito e disciplina: 21% do tempo é gasto apenas para manter ordem em sala; o nível de doutrinação é ímpar, e só 4% do material escolar tem fundamento científico. O Brasil segue na contramão: tentar fazer tudo significa fazer tudo mal feito.
Os problemas do ensino brasileiro são outros. Não se trata de gasto: o Brasil já gasta muito mais que a média mundial, como proporção ao PIB. O problema é que gasta mal.
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A nova lei não muda nada: educação política e cidadania já estão na LDB – na verdade, é o que mais se ensina nas escolas do país. É “chover no molhado”, para a militância ver.
A coisa é tão disseminada que muitos pais pedem explicitamente uma “formação cidadã” e chamam de “conteudista”, de forma pejorativa, o que no resto do mundo é simplesmente chamado de “escola”. Uma recente pesquisa apontou que 61,2% das famílias preferem aprendizagem socioemocional, contra 30,6% que valorizam a educação acadêmica, 7,2% que preferem um ensino orientado ao mercado de trabalho, e 5,8% que destacam o desenvolvimento de habilidades para o mercado de trabalho. Entre os professores, 45,2% acreditam que o objetivo de seu trabalho é formar cidadãos; 37,4% valorizam a formação socioemocional; 15,1% priorizam a formação acadêmica; e apenas 2,3%, o mercado de trabalho. Docentes e pais pensam assim porque eles também já foram doutrinados nesse mesmo sistema.
Estamos diante da enésima reforma educacional inútil, quando não danosa. Muita ideologia e nada de dados, de bom senso e de métricas internacionais.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Adriano Gianturco é professor, doutor em Ciência Política, coordenador do curso de Relações Internacionais do IBMEC e autor dos livros “Mentiram para nós sobre o Brasil”, “A Ciência da Política” e “O empreendedorismo de Israel Kirzner”. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



