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Alan Ghani

Alan Ghani

Liberdade econômica e prosperidade

Na economia, perdemos de 7 a 1 para a Noruega

Liberdade econômica ajuda a explicar a riqueza da Noruega. (Foto: Julian-G. Albert/Wikimedia Commons)

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A derrota por 2 a 1 contra a Noruega na Copa do Mundo é ainda pequena se comparada aos indicadores sociais e econômicos do país nórdico com os do Brasil. Na comparação do padrão de vida da população entre as duas nações, perdemos de goleada.

A começar pela renda per capita, cálculo obtido pelo PIB – total de bens e serviços finais produzidos por uma economia em um período de tempo – dividido pela população do país. O PIB do Brasil é bem maior que o da Noruega. Por essa métrica, o Brasil ocupa a 10ª colocação no ranking mundial, com uma produção total de US$ 2,64 trilhões no ano, enquanto a Noruega fica na 31ª posição, com um PIB de US$ 599 bilhões. Entretanto, o PIB, por si só – uma medida absoluta –, diz pouco sobre o padrão de vida da população.

O que interessa mesmo é o quanto do total da riqueza gerada pela nação fica para cada cidadão do país. Nesse caso, ao dividir o PIB anual pelo total da população, a Noruega é muito mais rica que o Brasil. A renda per capita do brasileiro é de US$ 10,3 mil/ano, enquanto a de um norueguês é, em média, US$ 86,8 mil/ano – 8 vezes maior que a do Brasil.

Com tamanha discrepância, como é possível um país com muito mais recursos naturais que a Noruega – com exceção do petróleo – ter uma população tão mais pobre? A resposta passa pela análise de um indicador: o índice de liberdade econômica da Heritage Foundation.

A liberdade econômica da Noruega é consideravelmente maior que a brasileira. O índice de liberdade econômica é composto por 12 componentes em uma escala de zero a 100. Quanto mais próximo de 100, melhor, conforme tabela abaixo. O Brasil tem um índice total de 53, e a Noruega, 77. Com essa pontuação, o Brasil ocupa o 134º lugar no ranking mundial, enquanto a Noruega é a 8ª colocada em liberdade econômica.

Noruega supera o Brasil em 10 dos 12 pilares da liberdade econômica. Fonte: Heritage Foundation. (Foto: Tabela criada utilizando Chatgpt/Gazeta do Povo)

De acordo com os dados, ao contrário do que sugere a esquerda, o sucesso econômico da Noruega não decorre da social-democracia – modelo com maior interferência do Estado na economia –, mas de um país com um capitalismo muito mais pujante que o Brasil.

É um erro analisar a maior carga tributária da Noruega em relação à brasileira como proxy de maior participação estatal na economia, quando todas as outras métricas apontam que, no país nórdico, o peso do leviatã do Estado é muito menor do que no Brasil.

Na Noruega, a criação de riqueza não se perde em ineficiências, má gestão e burocracias para sustentar inúmeros sindicatos, corporações de classe, órgãos públicos inchados, conselhos para o exercício de profissões e o Poder Judiciário mais caro do planeta.

Há muito menos intermediários e parasitas do setor privado, e a renda gerada pela produção de bens e serviços finais fica para a população, apesar dos elevados impostos

Não só isso. A Noruega ganha de lavada nos pilares “direito de propriedade” e “efetividade judicial”. Talvez porque, na Noruega, haja respeito ao devido processo legal, às decisões do Congresso (ocorre independência entre os Três Poderes) e à liberdade de expressão (as autoridades judiciais aceitam receber críticas sem classificá-las como “ataques”). Por lá, também não há blindagem para investigações de seus pares em escândalos financeiros nem anulação de processos de condenados por corrupção. Por fim, na Noruega, não há cobrança retroativa de impostos, mesmo que tenham transitado em julgado.

Tudo isso leva a uma maior eficiência do investimento. O capital migra para economias com mais segurança jurídica e menor corrupção, gerando elevados retornos sobre os investimentos, materializados em mais lucros e salários para a sociedade.

Além desses fatores, nossa economia é penalizada por ser ainda muito fechada, conforme mostrado pelos componentes “liberdade comercial” e “liberdade de investimento”. Não menos importante, a Noruega goleia em outros dois fatores bem atuais do noticiário brasileiro: saúde fiscal e relações trabalhistas.

Na Noruega, o mercado de trabalho é muito mais flexível do que no Brasil. Apesar dessa discrepância, o atual governo insiste em engessar ainda mais o mercado de trabalho, propondo o fim da escala 6x1, em vez de seguir na flexibilização das relações trabalhistas para aumentar a produtividade do trabalho.

Já na saúde fiscal, o dado sugere que, nos países com mais responsabilidade com as contas públicas, sobram mais recursos para investimentos em saúde, educação de base, infraestrutura e segurança. Afinal, não há responsabilidade social sem responsabilidade fiscal.

A razão para a Noruega ter uma renda per capita muito maior que a brasileira e ter o 2º IDH do planeta não se deve à alta carga tributária para bancar alguns serviços “gratuitamente” para a população, como saúde e educação. Na verdade, esse modelo só é possível porque há uma série de liberdades econômicas, mostrando que o país nórdico tem muito mais capitalismo e capacidade de gerar riqueza que o Brasil. Prova disso é que a renda média anual por trabalhador na Noruega é de 65 a 75 mil dólares, contra 10 a 12 mil dólares no Brasil.

Nos indicadores socioeconômicos, não perdemos de 2 a 1 para a Noruega, mas de 7 a 1, e jogando em casa.

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