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Estamos a quase 100 dias das eleições. Se o Brasil fosse realmente uma república federativa, como está escrito na Constituição, as eleições mais importantes do 4 de outubro próximo seriam as de governador, mas não é assim. O governo federal concentra os recursos vindos dos impostos e, de fato, embora não de direito, somos uma república unitária. Assim, como é nossa característica, vivemos uma hipocrisia e nos acostumamos a ela. Então, as escolhas mais decisivas serão na área federal, tanto no Executivo quanto no Legislativo, onde será renovada a Câmara, de 513 deputados, e dois terços do Senado, isto é, 54 senadores, dois por estado. As forças mais barulhentas não estão nos partidos, mas nas ideologias, com esquerda e direita já se digladiando nas redes sociais, a grande ágora digital.
Do lado da esquerda, Lula quer ser eleito pela quarta vez. Pré-candidatos do lado da direita, o senador que leva o sobrenome Bolsonaro e dois governadores de estados centrais. A quase 100 dias do primeiro turno, há desgastes provocados pelos próprios postulantes. Flávio escondeu por tempos a relação de pedinte de Vorcaro e, com a revelação, se desgastou bastante. Estava à frente de Lula, e agora está atrás nas pesquisas. O mais grave é que passou à frente de Lula em rejeição. Lula, por sua vez, demonstra a toda hora que é volúvel, como mencionou Trump (e não “volátil”, como traduziram mal). Chegou a dizer à diretora do FMI e ao chanceler alemão que nunca foi esquerdista – o que é risível, mas não é surpresa para ninguém que acompanhe as declarações de Lula em sua história política.
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Contra Flávio devem pesar na campanha as idas à Casa Branca. Será acusado de trazer um governante estrangeiro para a eleição brasileira. Mas Lula não fica atrás. Será acusado de provocar briga com Trump num momento em que deveria conversar sobre alívio para tarifas impostas. Também será acusado de comprar votos com a infinidade de benesses em véspera de eleição, que desviam os impostos do custeio de serviços que o Estado deveria prestar. E também tem Vorcaro para puxar para baixo: por enquanto, há a reunião que teve com o dono do Master e o envolvimento de seu líder no Senado, mais as raízes no importante PT baiano. Nesta quarta-feira, Lula ainda vai arrumar briga com os donos de veículos a gasolina, com a adição de mais etanol – três vezes o máximo suportável pelos motores.
A favor de Flávio está o fato de não ser o responsável pela atual situação de queixa generalizada do comércio, indústria e agro contra o governo. Zema e Caiado tampouco são responsáveis pelo aperto causado pelo excesso de gastos do governo federal e suas consequências na inflação e juros. Mas, enquanto Lula carrega esse peso provocado por sua própria administração, o lado anti-Lula se enfraquece com brigas internas em que as emoções são mais fortes que a razão. As manifestações de fanatismo político mostram empate em insensatez. Por isso, quem impediu comprovante em papel do voto digital vai se arrepender. É só olhar para as eleições no Peru e na Colômbia. Na última eleição presidencial tivemos um virtual empate e não aprendemos com as consequências dele, no 8 de janeiro. A campanha, de fato, já está nas redes e não custa lembrar que a Justiça Eleitoral existe para organizar eleições, não para censurar o debate político. Que os fatos escandalosos revelados pelo celular de Eduardo Tagliaferro nunca mais se repitam.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos








