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Eu tinha visto uma entrevista do ex-presidente da República, o constitucionalista, professor Michel Temer; só tinha visto, mas não tinha lido no Estadão. E agora eu vejo o brilhante Fernando Schuler chamando a atenção para algumas coisas que o ex-presidente disse e que são absolutamente verdadeiras.
Vocês já ouviram essas coisas da minha boca, mas eu não sou constitucionalista; eu só sei ler a Constituição. E agora Michel Temer é que está dizendo. A primeira coisa, perguntam para ele o que precisa ser feito para pacificar o país, e ele diz: seguir rigorosamente a Constituição.
Tenho falado muito disso aqui. Está escrito na Constituição. Por que invertem o que está escrito? Por que interpretam e sai o oposto do que está estabelecido pela Constituição? Então, é preciso cumprir rigorosamente a Constituição. É uma crítica direta ao Supremo que não cumpre a Constituição, inclusive àquele que Michel Temer indicou para ser ministro do Supremo.
Temer indica que "não sabia que Moraes agiria assim"
Ele tem responsabilidade nisso. Talvez esteja se tentando fazer um ato de contrição: "Olha, eu não sabia que seria assim". A gente deve muito a Michel Temer. Ele entregou o caos de Dilma já muito suavizado para o governo seguinte, Bolsonaro, com as reformas que ele fez.
Continuando os destaques da entrevista, ele diz assim: "Se não tem foro no Supremo, foro privilegiado não pode ser julgado pelo Supremo". É outra coisa óbvia. Eu falo toda hora que o juiz natural versus o... está lá escrito na Constituição: não haverá juízo de exceção. E está escrito que a pessoa que é da primeira instância vai para a primeira instância; quem tem foro privilegiado, está entre aqueles que a Constituição diz que tem foro privilegiado, vai para o Supremo. Está cheio de gente julgada no Supremo.
Outra, ele diz assim: "Se a Constituição diz que parlamentar tem imunidade por quaisquer palavras, não pode ser acusado por aquilo que disseram".
Está cheio de parlamentar preso, mas a Constituição diz que é imune por quaisquer palavras. Eu digo, brincando aqui, se ofender a mãe do presidente do Supremo, sinto muito: "quaisquer palavras", está escrito na Constituição. E interessante que tem algumas coisas que são cláusulas pétreas que não podem ser mudadas a não ser por uma nova constituinte; não podem ser mudadas sequer por emendas com 60% dos votos em duas votações na Câmara e no Senado. Então, se não observa isso, não dá para dizer que no Brasil vigora um Estado Democrático de Direito, porque não observa a Constituição. É simples.
Constituição garante: ninguém será incriminado por críticas
Outra coisa que ele fala, eu dizia isso aqui: "Se a Constituição diz que há liberdade de pensamento, liberdade de expressão, ninguém no YouTube pode ser incriminado por críticas". Está escrito na Constituição: é livre a expressão do pensamento, vedado o anonimato.
Isso no artigo 5º; no artigo 220 fala sobre a comunicação, a informação sobre qualquer meio que é vedada a censura e a liberdade. Não se fará nenhuma lei que imponha a censura. Saiu da boca de um constitucionalista publicado no jornal O Estado de S. Paulo.
Agora estamos em Copa. Queria mencionar a morte desse jogador da África do Sul. Me chamou atenção porque ele é de Stellenbosch, que é uma velha conhecida grande produtora de vinhos. Atleta de 25 anos, é mais um caso: jovens cheios de saúde, atletas de higidez física, frequentadores de academia.
Futebol não pode ser mais importante que o ensino
E aí é o mecanismo de fuga identificado por Freud. O Brasil foi eliminado da Copa. Passaram a falar só da Copa Feminina do ano que vem, que vai ser no Brasil. Vai ser em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Salvador, São Paulo, oito capitais, de 24 de junho a 25 de julho, algo assim. Por que que eu estou citando?
Não é só por esse mecanismo de fuga ou de transferência, é também porque já estão fazendo ampliação das férias escolares por causa da Copa do Mundo Feminina no Brasil. Meu Deus do céu, não vai para a frente jamais esse país desse jeito. Não vai. O futebol é mais importante que o serviço público, o futebol é mais importante que eleição, o futebol é mais importante que o ensino. Só que o futebol não altera em nada o nosso amanhã, como diz a letra daquela música, "para tudo se acabar na quarta-feira". É cinzas que estão fazendo deste país. Isso é um pecado mortal, porque a gente recebeu isso e não administra.

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



