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Alexandre Garcia

Alexandre Garcia

Comércio exterior

As expectativas e a realidade do acordo Mercosul-União Europeia

Tratado marca passo decisivo para criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
Tratado marca passo decisivo para criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. (Foto: Juan Pablo Pino/EFE)

O governo brasileiro fez muita propaganda em torno do acordo Mercosul-União Europeia, o que gerou muito otimismo. No Correio Braziliense, o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais contou suas expectativas em entrevista. Mas conversei com um grande empresário – não é uma empresinha, é uma companhia global, grande exportadora que está no mundo inteiro, produzindo na Argentina e também no Brasil – que já fez reunião no domingo e a avaliação é de que só lá por 2033 o acordo começa a funcionar de verdade. Ainda há restrições sérias – na França, por exemplo, não vai entrar produto algum brasileiro que concorra com francês, seja do agro ou da indústria. É muita burocracia, tarifas que serão cobradas como compensação.

Esse empresário ainda questionou: “Que história é essa, nós vimos descer em Assunção o avião presidencial brasileiro, mas Lula não estava dentro”. O avião deu carona para Ursula von der Leyen, da União Europeia, e levou o ministro de Relações Exteriores, que é quem assinou o acordo junto com os chanceleres dos outros países. Mas os presidentes dos outros países do Mercosul foram todos; só Lula não foi, magoado porque o acordo não foi assinado em Foz do Iguaçu.

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De Lula e Trump, estão todos deixando as emoções mandarem na política externa

A política externa tem de estar acima dessas birrinhas. É política do Estado brasileiro, não de um governo. É permanente – eu lembro de todos os anos da política de pragmatismo responsável. Agora, temos um emocional ideológico meio irresponsável. Lula publicou artigo no New York Times criticando Donald Trump, como se não tivesse nenhum pragmatismo no conteúdo de quem escreveu. Política externa não se faz assim. E Trump, em relação à Groenlândia, está aparentemente agindo da mesma forma, com emoção; a menos que ele apresente provas de que a Groenlândia seria, por exemplo, a nuca frágil da maior potência militar e econômica do mundo, exposta aos poderes da China e da Rússia, do outro lado do Polo Norte.

Que médicos uma faculdade de Medicina abaixo do aceitável vai entregar à sociedade?  

Médicos lidam com a vida das pessoas. Sou casado com uma médica, e ela costuma dizer: “Quem vai tratar de nós quando precisarmos, com a idade chegando?” As faculdades de Medicina preocupam. Houve uma avaliação chamada Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, abrangendo 351 cursos médicos. A reprovação foi de mais ou menos um terço: mais de 100 cursos foram mal avaliados: 24 péssimos e 83 ruins. Na pior das hipóteses, todos os cursos de Medicina teriam de ser bons e eficazes. O ideal seria a excelência, que fossem ótimos. De 39 mil estudantes de Medicina que vão se formar agora, dois terços tiveram suficiência e 13 mil foram considerados insatisfatórios. Imaginem um médico com formação insatisfatória cuidando da nossa saúde.

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Vi algumas faculdades se defendendo, mas foi uma defesa egoísta demais. Elas deviam ter dito: “reconhecemos as nossas falhas, prometemos que vamos melhorar, e não vamos admitir novos alunos até que tenhamos um grau de excelência na nossa faculdade”. Mas não. Os médicos nos prontos-socorros, nas emergências, que recebem lá residentes, fazem essas observações – eu não vou repetir aqui, mas ouço isso quase todos os dias; procurem os resultados do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, quando faz prova anual de gente que não consegue diagnosticar uma gravidez, um ataque cardíaco, uma apendicite.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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