
Na Inglaterra, o irmão do rei foi preso. Andrew Mountbatten-Windsor está com 66 anos e não é mais príncipe, perdeu o título por causa do envolvimento com Jeffrey Epstein. Eu me lembro dele da época em que cobri a Guerra das Malvinas, ou Falklands, em 1982. Ele atuou na guerra como piloto de helicóptero, tinha 22 anos. Não me saiu da cabeça uma charge do Clarín, de Buenos Aires, com duas solteironas, cada uma na sua sacada, uma gritando para a outra: “vizinha, ficou sabendo? Vem um príncipe aí!” Foi uma bela charge na guerra. Andrew participou da guerra, foi muito elogiado por bravura, depois se casou com Sarah Ferguson, tiveram duas filhas, e então se meteu com o Vorcaro de lá. E se deu mal: houve uma denúncia sobre os anos em que ele era príncipe – portanto, representava a realeza –, lá por 2005, envolvendo uma menor de idade, que depois se matou. Por causa desse envolvimento com Epstein, Andrew foi preso, houve também busca e apreensão, mas ele já foi solto.
Vejam só: não importou que Andrew fosse irmão do rei, acabou preso do mesmo jeito. Por aqui, o irmão de Lula, o sindicalista Frei Chico (que nem é frade, isso é só apelido), foi blindado pelos governistas e não depôs na CPMI, mesmo sendo da diretoria de uma das entidades envolvidas nos desvios dos aposentados e pensionistas do INSS. Assim como os governistas também bloquearam, na mesma CPMI, a convocação de outra pessoa que está citada lá, que teria recebido muito dinheiro – fala-se em R$ 300 mil – do “careca do INSS”: um filho do Lula, Fábio Luís, o “Lulinha”. Ele está na Espanha, e ninguém tirou o passaporte dele. Aqui no Brasil ele é diferente. Ser amigo do rei vale muito.
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Aposentadoria compulsória é prêmio, não castigo para ministro do STJ acusado de importunação sexual
Marco Aurélio Buzzi, ministro do Superior Tribunal de Justiça que está sendo investigado por importunação sexual, ficou sabendo que haveria uma denúncia e tomou providências em seu gabinete. Fiquei sabendo agora, por um funcionário de lá, que Buzzi, na véspera, teria mandado fazer uma limpeza nos computadores, em todos os registros digitais; uma faxina, apagando tudo que estava lá. Pelo jeito, ele sabia da denúncia e certamente sabia que estava guardando coisas que o comprometeriam; do contrário, não precisaria mandar apagar nada.
Por que estou falando nisso? Primeiro, porque me contaram essa história; segunda, porque o Estadão entrevistou a presidente do Me Too Brasil, uma ONG que defende mulheres que sofrem agressões sexuais, pedindo uma campanha para impedir que Buzzi seja premiado com uma aposentadoria, continuando a ganhar o que ganha sem ter que trabalhar, como punição. O caso está na Corregedoria, no Conselho Nacional de Justiça, parece que está até no Supremo. E temos mais esse dado: se ele mandou apagar conteúdos, é porque tem alguma coisa comprometedora.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos




