
Ouça este conteúdo
Em ano eleitoral – e as convenções já estão começando –, é bom lembrarmos da responsabilidade dos partidos em algo muito importante. Saiu o Anuário de Segurança Pública, e a região mais insegura do Brasil é o Nordeste. Os dez municípios mais violentos, entre os que têm mais de 100 mil habitantes, estão no Nordeste: cinco na Bahia, três no Ceará, um em Pernambuco e um na Paraíba. Por coincidência, Bahia e Ceará são governados pelo PT. A segurança pública será o assunto principal dos governadores em campanha, dos candidatos a deputado, senador e também a presidente da República. Todos sentem isso.
Há um candidato que zerou o crime no estado dele; não vou dar nome nem o estado, porque pode parecer campanha eleitoral, mas esse vai ser um fator muito importante: saber quem está disposto a fornecer segurança pública, porque é a responsabilidade dos estados federados, se bem que crimes federais já estão na área federal. Hoje o poder está centralizado em Brasília; “República Federativa do Brasil” é só no papel, só na Constituição, porque na prática, é “República Unitária do Brasil”, com governo central e províncias, em vez de estados. Afinal, se o governo central detém a maior parte dos impostos e define a distribuição do dinheiro, detém o poder também.
WhatsApp: entre no grupo e receba as colunas do Alexandre Garcia
Retaliação só vai piorar a vida do brasileiro que depende de produtos americanos
Lula está fazendo declarações eleitoreiras a respeito de comércio exterior, prometendo retaliar os Estados Unidos por causa das tarifas. O engraçado é que ele não diz isso para a China. As próximas importações chinesas de carne brasileira vão estar com 67% de sobretaxa – a taxa normal é 12%, e vão aplicar mais 55% sobre o que estiver acima da cota. E Lula não diz nada. A Europa também resolveu dizer que o Brasil está descumprindo normas sanitárias da União Europeia, que está aplicando antimicrobiano para engordar a carne, e por causa disso, a partir de setembro, não entra mais carne brasileira por lá. E se o Brasil quiser fazer uma campanha contra os produtos que aplica, se deixar de aplicar o antimicrobiano no gado jovem, vai demorar quanto? Trinta meses até engordar e poder vender. São mais de dois anos.
E, se o Brasil retaliar mesmo os EUA, qual será a consequência? Não é deixar Trump mais ou menos bravo. É prejudicar o brasileiro: a empresa brasileira que depende de máquinas americanas; o brasileiro que depende de remédios que vêm dos Estados Unidos; os laboratórios e as indústrias que dependem de produtos químicos norte-americanos; o produtor rural que precisa de certas máquinas que só são fabricadas nos EUA. Esses é que vão ficar furiosos, porque terão de pagar mais, já que o Brasil vai aplicar sobretaxa sobre tudo isso. Esse revide é coisa de quem esqueceu que tem cérebro.
VEJA TAMBÉM:
Governo que não cuida dos rios e que adultera combustível não respeita o cidadão
Vou insistir em duas questões rápidas, que já mencionei aqui muitas vezes, mas que precisamos repetir. Primeiro, que não dragaram os rios do Rio Grande do Sul e as calhas dos rios estão entupidas; qualquer chuvinha faz transbordar tudo outra vez. E de quem é a culpa? Dos governos omissos. Segundo, vi aqui no PetroNotícias que o Brasil é o maior adulterador de gasolina do mundo. A partir de agosto, aplicará 32% de álcool na gasolina. Isso não existe em nenhum outro lugar; o resto do mundo só vai até 10%, porque sabe que 11% é o limite. A exceção é a Índia, que aplica 20%, mas a Índia tem 1,4 bilhão de habitantes e problemas que ultrapassam o bom senso; já os nossos problemas ultrapassam o respeito que o Estado deveria ter pelo cidadão e pelos 40 milhões de proprietários de veículos a gasolina, contando motos e automóveis.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



