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Nunca uma véspera de eleição acumulou tantas tragédias institucionais e morais como agora. Parece que o Destino está testando o brasileiro. Nascemos em berço esplêndido, dádiva da natureza, e cabe-nos perguntar se merecemos. Agora parece ser o teste. Acumulam-se desvios morais, legais e institucionais. Estaremos à altura de resolvê-los com as nossas decisões, nossas escolhas nas urnas? Começou com o Supremo e terminou com o Supremo. Foi quando o STF frustrou a esperança de que a Lava Jato iria representar o fim da impunidade e o início de uma era de moralidade, legalidade, impessoalidade, publicidade e eficiência, princípios estabelecidos no artigo 37 da Constituição. Mas Edson Fachin e o Supremo de Gilmar Mendes e Dias Toffoli acabaram com o sonho. Hoje acumulam-se os frutos podres daquela atitude, a poucos dias da oportunidade de mudar ou continuar.
Três pessoas que não estão no Supremo são atores importantes desta tragédia. O dono do Master, Daniel Vorcaro, que comprou os venais; a lobista Roberta Luchsinger, que manipulou e envolveu o poder no cruel furto de R$ 6,2 bilhões de 4 milhões de idosos da Previdência; e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que não cumpriu com o dever de agir quando ministros do Supremo saíram da Constituição. Junte todos os ligados a esses três e descubra que os três poderes foram atingidos, em especial o Judiciário. Um dos ministros do Supremo, Kassio Nunes Marques, ou “KN”, é presidente da Justiça Eleitoral e está acuado por relações com o Master. Enquanto isso, o povo espera que cada voto seja devidamente contado; que cada recurso no TSE seja decidido com isenção. É como estar em uma loja de cristais cheia de macacos excitados.
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Na reta final para as urnas, são muitas as incertezas. O Supremo é incerto; o TSE está incerto; o sistema tributário do ano que vem é incerto; com o desequilíbrio fiscal, o valor da moeda é incerto; com a altíssima dívida pública, os juros são incertos; o futuro é incerto. Tomara que a contagem de votos seja certa. O presidente Lula está nervoso com a possibilidade de uma virada. A reeleição era certa, mas ficou incerta. Está cometendo erros que não cometia. Agora, brigou com as bets – brigou com um lobby fortíssimo, e com clubes de futebol e suas torcidas; arrisca-se a ser enquadrado em crime eleitoral prometendo canetas emagrecedoras e ajustando em 15% o Bolsa Família que não está no orçamento, a ser pago entre o primeiro e o segundo turno. Brigou com a Igreja Católica, recomendando fim do celibato e padre mulher – era a religião onde tinha votos. Está confuso, tem trocado Marisa por Janja e vice-versa.
Está tudo frouxo, gelatinoso, pastoso. A crise é claramente moral, de falta de vergonha e falta de caráter. Já não há Forças Armadas como última esperança da nacionalidade. O Supremo fez um mal enorme ao anular a redentora Lava Jato; não avaliou o significado do que fez. Até hoje Deltan Dallagnol está sendo punido. Até hoje a cabeleireira Débora é punida pelo batom que reproduziu a frase de Barroso – mas o mal que Barroso fez, politizando o Supremo, é indelével, ao contrário do batom. A solução está na escolha entre continuar ou mudar. Para mudar, as armas estão na eleição de senadores e do presidente da República. Para continuar também. Tudo depende da nossa capacidade de discernir entre o bem e o mal.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



