
O pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, perto de Belo Horizonte, e encontraram um celular na cela dele. Como é que o aparelho entrou lá? Obviamente, você que me ouve deve imaginar que alguém foi comprado por ele e permitiu que o celular chegasse lá; sabemos que aquela “Turma” chefiada por ele tinha até policiais federais, gente que recebia muito dinheiro para trabalhar para os Vorcaro e intimidar pessoas que não concordavam com os rumos adotados pela família.
E a mãe de Vorcaro registrou, na Polícia Civil, o roubo de relógio no valor de R$ 1 milhão. O crime aconteceu no sábado. Achei muito estranho, porque Henrique Vorcaro foi alvo de busca e apreensão vários dias antes; busca e apreensão serve para encontrar os recursos da pessoa, e avaliar se o investigado tinha uma vida de rendas legais que justificassem aqueles recursos. Como é que deixaram para trás um relógio de R$ 1 milhão? O ladrão, de 41 anos, só foi preso porque a namorada o denunciou. Mas alguma coisa aí não está se encaixando.
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O crime continua se espalhando pelo Rio de Janeiro
A criminalidade no Rio de Janeiro agora está na Zona Sul, aonde chegou já há um tempo. Agora, a bola da vez é Botafogo. Imaginem, era o bairro das embaixadas quando o Rio era capital federal; ainda é o lugar dos consulados – o de Portugal, por exemplo, é um palácio maravilhoso na Rua São Clemente, onde uma pessoa levou um tiro enquanto estava dentro de um ônibus.
No Mirante Dona Marta, turistas ficaram cercados por balas vindas de toda parte no enfrentamento entre a polícia e os traficantes; ficaram todos encolhidos, esperando que parasse o tiroteio. Lembro que em 1964 eu estava lá em cima à noite, olhando a paisagem, quando a polícia chegou e fez uma busca no carro para saber se havia droga; claro que não havia. Eu disse que era turista, eles olharam a placa do carro, viram que era do Rio Grande do Sul.
Eu estava com um revólver emprestado dentro do carro, mas não aconteceu nada porque naquele tempo não havia essa neurose em relação a armas. Em 1964, ninguém precisava ir correndo a uma delegacia mostrar a arma; bastava mostrar a nota fiscal, era simples. Hoje há um rigor em relação às armas, mas só para as pessoas de bem; as armas dos bandidos entram pela fronteira, enquanto o governo tira das Forças Armadas os recursos que poderiam ser usados para vigiar e policiar as fronteiras.
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Quem sabe agora a fronteira com a Colômbia vai estar mais aliviada – ou não, porque a bandidagem vai fugir da Colômbia. O novo presidente, Abelardo de la Espriella, já anunciou que vai bombardear as plantações de coca e abater aviões e lanchas que estiverem com cocaína. É bom lembrarmos que a entrada do Rio Amazonas, que ali ainda é o Solimões, é controlada pelo Comando Vermelho, e as pistas de pouso da Amazônia são controladas pelo PCC.
A Colômbia ruma para o oposto do Brasil. Aqui, o presidente que não quer saber de guerra contra os narcoterroristas. Lá, o eleito declarou guerra ao crime, disse que as forças de segurança poderão abater quem atirar em policiais e viaturas. Por isso ele foi eleito, derrotando o candidato do Gustavo Petro, amiguinho do presidente brasileiro, que resolveu fazer “paz total” com os bandidos.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos








