
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sempre faz o levantamento da cesta básica e, neste ano eleitoral, o meio sindical está mostrando a Lula – que é oriundo desse meio – um dado que não é bom para ele, candidato à reeleição: a cesta básica subiu em todas as capitais do país no primeiro semestre. Há diferença de números – em Fortaleza, subiu 21%; em São Luís, 4% –, mas o aumento aconteceu em todas as capitais. E sabem o que mais subiu? Feijão e arroz, o prato básico do brasileiro.
O Dieese também diz que o salário mínimo, que segundo a Constituição tem de ser a renda mensal que propicie o mínimo de sobrevivência para o trabalhador – suficiente para comida, transporte, aluguel, vestuário, material escolar e material de limpeza –, deveria ser de R$ 8.110, quando é de R$ 1.621. São dados que importam muito na campanha eleitoral. O governo Lula está desaprovado mesmo por aqueles que lhe dão liderança nas pesquisas: na pesquisa Meio/Ideia que saiu há pouco, ele tem 45% contra 40% de Flávio Bolsonaro, mas 48,5% desaprovam o governo e só 33% acham que Lula está fazendo uma boa gestão.
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Lula se intromete e coloca nas mãos do MEC um exame que deveria ser feito pelo CFM
Um assunto que diz respeito à saúde de você que me ouve ou lê, da sua família, de todos nós é o excesso de escolas de Medicina no Brasil e a formação de médicos. O Brasil é o campeão do mundo na quantidade de escolas de Medicina, em números relativos; em números absolutos, só perde para a Índia – mas a Índia está chegando a 1,5 bilhão de habitantes e tem 650 escolas, enquanto o Brasil tem quase 500 escolas para 215 milhões de pessoas. O Estados Unidos não chegam a ter 200 faculdades de Medicina para 350 milhões de habitantes.
E essas 500 faculdades formam médicos aos borbotões. Não há hospitais suficientes para recebê-los como residentes, para que terminem o aprendizado. Às vezes não há nem laboratórios, mas cobram R$ 10 mil de mensalidade; têm dinheiro, mas não têm laboratório. E terão professores qualificados? Sei de casos em que uma pessoa nem teve tempo de exercer a medicina, mas já é professora de escola de Medicina, estando recém-formada. É incrível – e perigoso.
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Está na Câmara dos Deputados um projeto de lei que criará um exame de proficiência para saber se a pessoa tem conhecimento, técnica e domínio da medicina. O projeto já passou pelo Senado: foi proposto pelo senador Marcos Pontes e teve como relator um médico oftalmologista, Dr. Hiran. Ele prevê que o Conselho Federal de Medicina realize a prova: o CFM é uma autarquia, assim como a OAB, que organiza o Exame de Ordem para os aprovados nas faculdades de Direito se tornarem advogados. Que essa filtragem exista também na medicina, para não acontecer o que aconteceu em Manaus, por exemplo, onde morreu uma criança porque a médica não sabia o que fazer – por causa desse episódio, o senador Eduardo Braga, que era contra esse projeto, votou a favor.
O que faz o presidente Lula? Com uma medida provisória, metendo-se a legislar, ele manda que esse exame seja organizado pelo MEC – o mesmo ministério que autorizou a abertura indiscriminada de escolas de Medicina. Isso não faz o menor sentido. Ao menos se tivesse deixado a prova a cargo do Ministério da Saúde. Mas ainda assim estaria errado: se a OAB faz o exame, o CFM faz também. Isso serve para vermos em que mãos está um assunto tão importante quanto a vida e a saúde das pessoas.
Metodologia da pesquisa citada na coluna
1,5 mil pessoas foram entrevistadas pelo instituto Ideia entre os dias 3 e 6 de julho de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Canal Meio S.A.. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,5 pontos percentuais. Registro no TSE n.º BR-05628/2026.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



