
A Polícia Federal vem divulgando o que está encontrando nos celulares de Daniel Vorcaro. Ainda falta muito, mas os policiais já descobriram que Vorcaro sustentava uma dupla: Hugo Motta, atual presidente da Câmara; e Ciro Nogueira, senador pelo Piauí, ex-ministro de Jair Bolsonaro e presidente do Progressistas.
Vejam só: o banqueiro pagou viagens de Ciro Nogueira para Nova York, Lisboa, Paris e Courchevel. Courchevel é uma das mais atraentes estações de esqui da França, nos Alpes, para onde vão os milionários russos; tem 19 hotéis cinco-estrelas e meia dúzia de restaurantes com estrelas Michelin. É um destino caríssimo. Imaginem Ciro Nogueira no calor de 33 graus de Teresina, e depois indo para Courchevel. Hoje, por exemplo, em pleno verão, estava 16 graus no meio da tarde por lá; para o fim de semana a previsão é de neve! É um senhor contraste.
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E Hugo Motta? Ele foi companheiro de Ciro Nogueira no Ritz Four Seasons de Lisboa, que tem também um restaurante com estrela Michelin. Até anotei aqui: por cinco diárias, uns R$ 18 mil por pessoa. Tudo bancado por Vorcaro. Que maravilha! O que será que eles fizeram para merecer?
Se a irmã do “Sicário” podia acabar com os Vorcaro, por que a PF não fez busca e apreensão?
O material que a Polícia Federal já levantou tem ainda um caso envolvendo a irmã do “Sicário”, o apelido de Luiz Phillipi Mourão, que morreu na cadeia. Joana Mourão ameaçou a família de Vorcaro se não recebesse dinheiro, disse que iria ao Fantástico contar tudo. No fim, um sujeito chamado Manolo, que era da “Turma” – a “Turma” eram aqueles que davam um aperto nos inconvenientes, o pessoal que ia quebrar o Lauro Jardim –, foi falar com a mãe de Joana e do “Sicário”, dona Denise, para fazer um acerto. Na sequência, ela virou sócia de uma empresa com capital de R$ 1 milhão. O nome da empresa é JM Consultoria – são as iniciais de Joana Mourão. Essa história ainda está mal contada; se a Polícia Federal sabia que Joana tinha provas para acabar com a família Vorcaro, como ela disse, já devia ter feito busca e apreensão na casa dela, para achar essas tais provas.
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O que Peter Kellemen ensinou a Daniel Vorcaro
Enquanto isso, o ministro relator André Mendonça chegou a comentar a audácia da defesa de Vorcaro ao propor uma delação selecionada, filtrada. Queria deixar fatos e pessoas de fora. Vorcaro não está entendendo; a régua moral dele faz com que ele ache que não fez nada de mau, que fez tudo certo, que o país é assim mesmo. Ele foi apenas mais um que fez esse tipo de vigarice. Esse comportamento tem história. Eu estava lendo, em uma velha revista Realidade, o caso do Carnê Fartura, que Vorcaro copiou. Ele deve ter lido o livro do Peter Kellemen, Brasil para Principiantes, dizendo que este é o país da vigarice, o país do jeitinho, onde com dinheiro se compra tudo. E Vorcaro fez exatamente a mesma coisa que Peter Kellemen fez lá atrás, nos anos 60, nos golpes que deu. Só que Peter conseguiu fugir para o Paraguai. Hoje, quem foge para o Paraguai são empresas brasileiras.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



