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Alexandre Garcia

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Eleições

“Lulinha quem?” Um debate com mais emoção que discussão

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Flávio Bolsonaro faz gesto de negação atrás de Lula durante debate da Band. Movimentação lembrou a postura adotada por Donald Trump atrás de Hillary Clinton no debate presidencial americano de 2016. (Foto: Sebastiao Moreira/EFE)

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As considerações finais de Lula no debate da Band geraram a frase mais repetida nas redes sociais: “No quarto mandato, a gente vai dizer: ‘o Brasil acabou’”. Quando ouvi isso no domingo, despertou-me a nostalgia do mais importante debate entre todos os que mediei. Em 1989, quando Lula teve, por sorteio, a oportunidade da última manifestação oral antes do segundo turno que disputava com Fernando Collor, ele concluiu assim: “Muito obrigado. Eu espero que minha participação neste debate possa ter contribuído para dizer que o famoso caçador de marajás não passa de um caçador de maracujás”. Dona Marisa e o assessor de comunicação Ricardo Kotscho, sentados na primeira fila do mesmo auditório da Band, levantaram-se perplexos e foram embora, com cara de desastre. No último domingo, Janja e Sidônio Palmeira não se retiraram, mas estavam com as mesmas caras que vi em 1989. André Janones acabou na UTI.

Naquela época, eram dois jovens se digladiando. Lula tinha 44 anos e Collor, 40. Agora Lula está com 81 anos e Flávio Bolsonaro tem 45 – e isso fez a diferença, a despeito da maior experiência do presidente. Esta é a sétima campanha presidencial de Lula; penso que ele e os que o aconselharam nesse debate estavam confiantes de que a experiência iria prevalecer. Foram surpreendidos pelo excesso de confiança, como já haviam sido surpreendidos pelo resultado do primeiro turno. Flávio começou estabelecendo ligações com a plateia, os telespectadores, os mediadores e o adversário – aproximou-se para conversar com a câmera. Lula se esqueceu disso.

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Flávio, como um boxeador que precisava logo desestabilizar o adversário, bateu logo: Roberta! Lulinha! Atingido, Lula transferiu a resposta sobre Roberta Luchsinger para a Polícia Federal. E foi buscar um copo d’água. “E Lulinha, conhece Lulinha?” E Lula, parecendo Biden: “Quem?” Paroxismo. Flávio sorriu e repetiu, quase soletrando: “Lulinha!” Então, Lula acordou: “É meu filho! É inocente!” No intervalo, Sidônio Palmeira reclamou de Flávio por ele se postar atrás de Lula, sendo sempre captado pela câmera, com gestos de negação ou rindo. O regulamento que as partes assinaram não proíbe movimentação no cenário. Certamente foi uma orientação de Pablo Marçal a Flávio, para evitar que Lula ficasse sozinho em shorts que a campanha destacaria para as redes sociais. Antes mesmo que o debate começasse, Janones havia tido um bate-boca, quase bate-em-boca, com Ricardo Salles. Janones foi flagrado soprando durante todo o debate. Ao terminar, foi para a UTI do hospital, com arritmia cardíaca.

Foi um debate com emoções como conteúdo e pouca discussão de conteúdo, questões nacionais. Nos que mediei, os contendores se perguntavam sobre como o adversário resolveria tal e tal problema. Depois da resposta, o indagador usava a tréplica: “eu faria assim e assado, o que ele propõe não dá resultado”. Enfim, nesse domingo foi um confronto entre passado e futuro, a continuidade e a mudança, um idoso e um jovem. Serviu para perguntar aos ainda indecisos: o que você prefere?

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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