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Nesse 19 de janeiro fez nove anos que o relator da Lava Jato, ministro Teori Zavascki, foi morto na queda de avião em Paraty. Na sua vaga, o presidente Michel Temer indicou Alexandre de Moraes. E foi escolhido relator o ministro Edson Fachin, que entrara na vaga de Joaquim Barbosa. Com Barbosa, a Lava Jato era um marco do fim da impunidade no Brasil. Mas depois, no Supremo, foi jogada uma pá de cal na esperança dos brasileiros, caiando fichas-sujas. E criando sepulcros caiados ambulantes. A consequência é dolorosa para as instituições de Estado. Nesses 57 anos de jornalismo vi tribunais em desabamento de credibilidade, como agora acontece com o Supremo e também com o Tribunal de Contas. O pior é que a caliça se espalha por todo o Judiciário e, do TCU, empoeira o Legislativo. A mídia se refere a crise nas instituições. E foram causadas por integrantes dessas mesmas instituições, que não as amaram, que não quiseram preservá-las, que não obedeceram os princípios da impessoalidade e da moralidade, prescritos pela Constituição para o serviço público. Os interesses pessoais, as vaidades, as emoções, a ganância prevaleceram.
Para o Supremo, a Constituição exige “notável saber jurídico e reputação ilibada”. Notável saber jurídico não é um saber jurídico acima da média. É um saber muito acima daqueles que estão acima da média. Avalia realmente isso a sabatina do Senado? Quem foi reprovado duas vezes em exame para juiz e era um nome desconhecido no meio jurídico, na academia, já claramente nem passaria no vestibular do Senado; mas passou e agora contribui fortemente para o desabamento do Supremo, num efeito dominó do desabar do Master. E que reputação ilibada poderia a sabatina verificar, para garantir que o sabatinado se declararia impedido de votar em causas em que estivesse envolvido, como com o PT no mensalão e na Lava Jato, e agora nesse caso do Banco Master e o resort – sabe-se lá mais que coisas gigantescas foram postas sob lacre e sigilo?
Seria intencional essa demolição das instituições? Enfraquecê-las para dominá-las e implantar um regime de arbítrio – já tão praticado no Supremo?
Como a sabatina do Senado conseguiria prever que o Supremo não se submeteria à ética e aceitaria ações vindas de escritórios de advocacia de parentes de ministros, distantes ou próximos? Alguns tão próximos quanto a proximidade conjugal, “uma só carne”. Inaugurou-se a ética relativa. O contrato de R$ 3,6 milhões seria, em tempos de vigência ética, motivo de solução prática no mesmo dia. Cortar o galho para não contaminar a árvore. Aí, abre-se o vácuo ético. E a origem do poder, o povo, percebe que há um sério risco para as instituições, porque os que as ocupam perderam a noção de moralidade. No TCU, que não é Judiciário, mas auxiliar do Legislativo, um ex-deputado, sem formação em contas, agiu como advogado do Master, ameaçando o Banco Central; um desastre que jogou o TCU no ridículo.
Seria intencional essa demolição das instituições? Enfraquecê-las para dominá-las e implantar um regime de arbítrio – já tão praticado no Supremo?
A despeito dos alertas do ministro Luiz Fux, de que o ativismo político exerce “ação deletéria”, Luís Roberto Barroso aproveitou a presidência para transformar o Supremo em tribunal político, muito típico dos tempos soviéticos e nazistas. Aí, desandaram-se as muralhas do Direto e entrou o cavalo de Troia da política. Presidentes do Senado, podendo pôr em pauta requerimentos que tolheriam o mal pela raiz, encolheram-se, algemados em seus compromissos individuais. Tampouco eles obedecem aos princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade. A “cleptocracia” diagnosticada por Gilmar Mendes em 2015 voltou com reforços e mais amplo poder de demolição.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



