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Preparem-se os que usam avião, que fazem viagens por esse Brasil enorme, porque a passagem vai ficar mais cara. O querosene de aviação, o combustível dos jatos, vai subir 54,3% – em abril vem um primeiro aumento de 18%, depois virá o resto.
Isso, claro, para quem paga passagem aérea. Alguns não pagavam; agora, que estourou o escândalo do Master, já não sei. Estou falando dos que voavam no jatinho do Daniel Vorcaro. A Folha de S.Paulo denunciou em manchete de primeira página as viagens do casal Moraes nos jatinhos; no dia seguinte, foi a vez das viagens de Dias Toffoli, direto de Brasília para o resort Tayayá. Eles evitam o aeroporto internacional de Brasília para não serem vaiados; sabem que merecem vaia, já nem vão. Enquanto isso, Edson Fachin viaja normalmente de avião comercial, mesmo sendo presidente do Supremo, e não acontece nada.
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Os ministros até poderiam usar os jatinhos da Força Aérea Brasileira, mas pelo jeito nem isso eles quiseram. Decerto acham chato, é muita disciplina, é só milico dentro do avião... Nos jatinhos do Vorcaro a mordomia é maior, deve ter até champanhe. Isso eles não vão encontrar num avião da FAB; terão água, pão, provavelmente um biscoito.
Não é só proximidade, é promiscuidade mesmo
Os voos estão todos registrados em Brasília; do lado esquerdo de quem vai para o aeroporto está o terminal de aviação executiva. A autoridade chega, e há o registro da hora em que chegou. Os dois ministros, certo dia, chegaram às 10 horas, e às 10h10 decolou um avião de Vorcaro. Como nenhum deles saiu do terminal depois, estavam ambos voando, obviamente.
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O nome disso é promiscuidade, como aconteceu em Londres naquela degustação de uísque, como deve ter acontecido em Trancoso. Fala-se tanto das festas que Vorcaro promovia e filmava, guardando as imagens. Falam em 80 e tantos vídeos que ele gravou, e nove celulares com registros. Dali vão tirar os nomes, para orientar as perguntas caso Vorcaro faça uma delação.
A reputação ilibada se foi há tempos, mas eles seguem ministros do STF
O terrível nisso tudo é a nossa passividade diante da passividade do Supremo. O STF afunda como se estivesse em areia movediça. A resistência é fajuta. Eles acham graça e dizem que vão enfrentar tudo isso com um código de ética. Se lá no Supremo é preciso haver um código escrito, é porque esse código não está na medula das pessoas desde o berço. A Constituição é suprema, está acima dos ministros do Supremo e de nós todos, como a lei maior deste país, e ela exige reputação ilibada para ser ministro. É básico: quem não tem reputação ilibada nem deveria passar na sabatina do Senado. E quem perde a reputação ilibada depois de ter entrado no Supremo perde o principal atributo de um ministro do Supremo, além do notável conhecimento jurídico. E, se alguém perde o requisito para ser ministro do Supremo, por que continua lá?
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos








