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Alexandre Garcia

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Dia a dia em Brasília

Baixarias

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Os senadores Lindbergh Farias e Soraya Thronicke acusaram o deputado Alfredo Gaspar de estupro durante leitura de relatório da CPMI do INSS. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

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Nesses últimos dias, baixarias que costumam ficar sob os tapetes da corte foram tão gritantes que, embora rotineiramente tratadas como normais, sacudiram corações e mentes dos que já não aguentam descer tão baixo. Na quarta-feira passada, um deputado federal batia boca num centro gastronômico do Lago Sul com uma prostituta. Discutiam o preço do aluguel do corpo da mulher (quem oferece dinheiro para ocupar corpo de mulher pode ser enquadrado no projeto da misoginia?). A discussão teve a participação da assessora do deputado, e foi jogado um copo de cerveja no rosto da mulher. O tumulto precisou da intervenção da PM e foi registrado boletim de ocorrência na 10.ª Delegacia. As imagens estão nas redes sociais. O deputado Luciano Alves gravou explicação admitindo estar “etilizado”, justificou-se como solteiro, e alegou ter aceitado carona da prostituta, quando ela propôs ficar com ele até o dia seguinte por R$ 3 mil. Ele diz que discordou do preço e desceu do carro.

Segundo ela, ele não quis descer do carro e a ofendia com palavras “sem classe”; ela diz ter desembarcado e chamado a mãe dele, que estava à mesa com o grupo de funcionários do gabinete do deputado. A mãe teria pedido compreensão, alegando que Luciano é filho de Deus. A “acompanhante de luxo” – como ela se denominou em entrevista ao Metrópoles – teria respondido que “não é por ser deputado que ele é mais do que eu. Nós dois somos iguais”. Na entrevista, contou ter chamado a segurança para retirar o deputado do carro dela. Perguntada pela repórter se já o conhecia, ela respondeu que nunca o tinha visto em festas de deputados. Luciano usa imóvel funcional e assumiu como suplente, em abril de 2023. Por sua popularidade como apresentador na Rede Massa, de Ratinho, teve 24.865 votos e ficou como terceiro suplente.

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Depois daquela quarta-feira, a baixaria continuou. Na reunião da CPMI que investigou o roubo dos idosos da Previdência, o relator Alfredo Gaspar apresentava seu relatório e o vice-líder do governo, Lindbergh Farias, fez um ataque ad hominem: “Estuprador!” Quando não se tem argumentos a contrapor, ofende-se a pessoa do argumentador. Acusou o relator de crime hediondo. Para justificar a torpeza, Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke foram à Polícia Federal relatar queixa, contando a história de um estupro de menor, que gerou uma filha, segundo eles, que hoje tem 8 anos. Seria falsa comunicação de crime? Pois a tal filha, de 21 anos, foi às redes e contou ser filha de um primo de Gaspar, que teve uma relação consentida com sua mãe, quando os dois eram jovens, e que a assumiu após exame de DNA. Gaspar, promotor público de carreira, registrou queixa na polícia e Conselho de Ética. No Senado nem há Conselho de Ética na prática, porque Davi Alcolumbre não indicou seus integrantes. Ainda haveria decoro a ser preservado no Legislativo?

Baixaria maior foi não permitir investigar e apurar a sordidez de roubar R$ 6 bilhões de 6,5 milhões de idosos. No Supremo, foi 8 a 2 (só André Mendonça e Luiz Fux foram a favor) pela não prorrogação; na CPMI, arquivou-se tudo por 19 a 12. Entre esses 19 estão Soraya e Lindbergh – ela, eleita como bolsonarista no Mato Grosso do Sul; ele, por 152 mil fluminenses. Todos os 19 representam eleitores. Continuarão os eleitores confiando seu voto a quem não quer apurar um roubo sórdido? No Supremo, não tem sido diferente: Gilmar Mendes e Edson Fachin impediram a quebra de sigilo da Maridt, empresa dos Toffoli. Com isso indicam que há o que esconder – o que não é surpresa, depois de Toffoli manobrar muito para se proteger. Pelo artigo 37 da Constituição, deduz-se que tudo o que se liga ao serviço público tem de ter moralidade e precisa ser público. Resta a palavra da “acompanhante de luxo”: não são mais do que ela. Apenas são mais caros. Ela se vende por R$ 3 mil por uma noite. Eles cobram mais. Alguns, por mais de 1.001 noites.

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São essas, desses dias, pequenas amostras da deplorável decadência moral que nos assola, porque permitimos, porque elegemos. Essa gente é escolhida por nós. Alguns diretamente; outros, pelos que nós elegemos. A forma de mudar isso nos será oferecida em outubro, na eleição. Está em nossas mãos. Inclusive na escolha de dois terços do Senado, que pode resgatar o Supremo. Os condutores da nação não podem ser mais venais que prostitutas. Autores de baixarias não podem ser nossos representantes. Não creio que sejamos como os que elegem e reelegem corruptos.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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