
Lula já teve sorte com a economia mundial, e isso ajudou o seu desempenho eleitoral nos dois primeiros mandatos, principalmente no primeiro deles. Agora a situação global se inverteu; está tudo ruim. O presidente mandou zerar o imposto do querosene de aviação, porque o combustível vai sofrer um reajuste de 54% e a passagem aérea vai subir.
Tudo está mais caro. O Banco Central faz semanalmente aquela pesquisa com 100 agentes do mercado, para levantar as previsões e identificar tendências. O último Boletim Focus veio com mais inflação. A previsão de IPCA para 2026 está perto do limite máximo de tolerância da meta. A meta é de 3%, mas a estimativa está em 4,36%. Passando de 4,5%, já estoura o limite de tolerância. Enquanto isso, o PIB está cada vez mais encolhido. A última previsão para este ano era de 1,9% – que já é pouco –, e agora baixou para 1,85%.
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O agro também está com problemas de dívidas e de fornecimento de fertilizante por causa da guerra da Ucrânia. Jair Bolsonaro tinha liberado fertilizante da Ucrânia e da Rússia, falou com ambos, mas agora está tudo emperrado. E a situação no Estreito de Ormuz não se resolve... combustível mais alto significa transporte mais caro, o que afeta todas as mercadorias.
Já começaram as especulações sobre o vice de Flávio Bolsonaro
Lula também deve estar preocupado com as pesquisas. Flávio Bolsonaro está surpreendendo, e já falam no vice. Será Tereza Cristina? Será Romeu Zema? Matematicamente é mais racional convidar Zema, que vem do segundo maior colégio eleitoral do país. O primeiro é São Paulo, onde Tarcísio de Freitas é candidato ao governo e já atrai votos. Em Minas Gerais, parece que o candidato de Lula ao governo será Rodrigo Pacheco, de triste memória por sua passagem na presidência no Senado, uma memória tão triste quanto a que Davi Alcolumbre está construindo agora.
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As pessoas me perguntam aqui em Lisboa – ainda nesta segunda-feira me perguntaram – por onde virá a solução, o que precisa acontecer no Brasil. Eu respondo que precisa haver uma votação maciça em candidatos ao Senado que queiram salvar o Supremo da decadência, porque a decadência está provada. A Constituição exige, para ser ministro do Supremo, conduta e reputação ilibadas. Mas vejam como está a reputação da suprema corte: só 24% acham que está ótima ou boa; quase o dobro disso, 42%, acham que está ruim ou péssima. Provavelmente nunca na história o Supremo chegou a este nível de reprovação.
E mesmo assim parece que os ministros continuam em uma bolha. As saídas do presidente do Supremo são quase pueris: “vamos fazer um código de ética”, promete. Quer dizer que, se não houver código, ninguém vai se portar com ética? Vejam o caso do desembargador Newton Ramos, que trabalhou para Nunes Marques como juiz auxiliar, é muito ligado a ele, e mesmo assim deu uma liminar que favoreceu um cliente do filho de Nunes Marques. O desembargador afirmou que “não há hipótese ilegal de impedimento”. Que régua ética ruim a dele! “A lei não diz que não é, então eu vou fazer”, é assim que funciona? E a moralidade? A ética? Não aprendeu nada disso em casa, na infância?
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



