
É triste ver como as famílias brasileiras estão endividadas. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio mostrou que o endividamento atinge 80,4% das famílias. Quase 30% estão com algum pagamento em atraso, e a média de atraso é de 65 dias. Uns 12% estão sem a menor condição de pagar. Quase metade tem dívida vencida há mais de 90 dias, e 19% pegam mais da metade da renda familiar para pagar dívidas e prestações. Em média, quase 30% da renda familiar está comprometida.
Qual é a causa? Lula está culpando as “bets”, as apostas. Pode ser uma das causas, mas há também questões culturais. Há quem queira se exibir para os vizinhos, os amigos, para o grupo, mostrar roupa boa, equipamento eletrônico, carro novo, como quem diz “não precisava, mas comprei um carro novo”. É uma necessidade de a pessoa mostrar como está bem de vida. Vemos muito isso em gente que veio do interior e que está cheia de joias e roupas finas, de grife, mas sabemos que estão devendo até os olhos. No interior as pessoas dizem “vejam o Fulano, como está se dando bem na capital”, mas lá na capital o Fulano está devendo tudo.
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Eu aprendi isso em casa. Minha mãe dizia, de algumas pessoas, “não tem onde cair morto, mas olha a roupa que está usando na rua para mostrar para os outros”. Meu avô dizia: “quem dá o passo maior que a perna acaba rasgando as calças ou a saia”, quer dizer, acaba mesmo estragando sua vida. É preciso ter educação financeira, mas as pessoas não aprendem a usar seu dinheiro e ficam descontroladas.
Lula quer fazer bondade com devedor, mas é ele quem trabalha para desvalorizar o nosso dinheiro
Lula resolveu incluir as dívidas nas suas bondades eleitorais. Está dando mais gás, mais eletricidade, mais isso, mais aquilo, e agora promete renegociar dívidas. Falei com amigos ligados ao mercado financeiro e a bancos, e todos me disseram que isso é impossível, porque a pessoa está devendo em vários lugares, não tem como unificar tudo como Lula sugeriu. Vão tirar do Fundo de Garantia? O FGTS é para outras coisas, é para emergências. E, no fim, Lula não dá nada; ele está apenas devolvendo aquilo que o povo pagou como imposto. Isso precisa ficar bem claro: governo não fabrica dinheiro, não produz riqueza. Governo só gasta riqueza. Pode até transferir riqueza de um para o outro, mas não produz riqueza.
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E o pior de tudo é que quem causa a desvalorização do dinheiro é o governo, pelo excesso de gastos em relação à arrecadação. Se no fim do ano a inflação chega a 4,5%, isso é o que foi tirado de nós. E os juros são altos porque o governo precisa lançar papéis no mercado para tapar os buracos, porque a arrecadação não é suficiente, e tem de pagar juros sobre esses papéis. Ou aumenta os impostos, tirando dinheiro diretamente do brasileiro, ou tira indiretamente, porque tem que pagar juros mais altos e provoca uma alta geral. É assim que funciona.
Joesley banca a Avibras e impede venda para chineses
Quando eu falo do setor bélico brasileiro, tenho memórias tristes, como a Engesa e o tanque Osório, um senhor tanque que quase foi vendido para o Oriente Médio – os blindados Cascavel e Urutu participaram de vários conflitos na região –, mas a Engesa faliu e o projeto de um tanque excelente foi encerrado; um dos Osórios, maravilhoso, está em Santa Maria. Hoje esse assunto volta à baila com o abre-e-fecha e os ultimatos envolvendo o Estreito de Ormuz. Uma outra empresa bélica brasileira, a Avibras, estava em recuperação judicial, e quem estava comprando a empresa eram os chineses. Já imaginaram? É uma indústria de artilharia, fabrica foguetes, o sistema lançador Astros II. Mas aí apareceu Joesley Batista para investir na Avibras. Entre Joesley e os chineses, acabamos ficando com o nacional.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



