
Muita gente está preocupada com as pesquisas de opinião que erraram feio. Eu já mostrei aqui a primeira página da Folha de S.Paulo no domingo, dia da eleição, com manchete gigantesca mostrando que Lula estava na frente de Flávio Bolsonaro por 45% a 42%, segundo o Datafolha. Errou por cinco pontos percentuais, bem mais que a margem de erro de dois pontos. Nikolas Ferreira está sugerindo uma CPI para examinar por que tão poucos acertaram o resultado. De fato, se houver pesquisa muito bem paga, feita para influenciar o eleitor, é preciso investigar. Mas a resposta que todos já podem dar é não confiar nos institutos que erraram, ou por má intenção ou por incompetência.
Um amigo escocês que mora no Brasil e acompanha as coisas do Reino Unido e daqui me disse: “No Reino Unido, desde o início do século, a direita e a centro-direita estão se afastando dessas agências de pesquisa, porque é melhor dar uma surpresa na urna. Evitam, ou dão uma informação errada, porque temem até que as pesquisas ponham o resultado inverso. Há também a pressão da mídia de esquerda e, sobretudo, a pressão do ódio”. Recentemente uma pessoa foi acusada de planejar um ataque contra um político de direita britânico – a mesma pessoa acusada de ter assassinado uma ex-deputada também de direita. No Brasil, tentaram matar Jair Bolsonaro. Nos Estados Unidos, tentaram matar Donald Trump. Há muitas passeatas de muçulmanos contra Israel em vários países.
WhatsApp: entre no grupo e receba as colunas do Alexandre Garcia
A difusão do ódio é muito grande, e a imprensa ajuda – por exemplo, quando praticamente não usa “direita”; qualquer coisa que não esteja à esquerda do centro é chamada de “extrema direita”. Quem diz isso nem sabe o que seja “extrema direita”. Mas “extrema esquerda”, isso não existe: podem até querem varrer Israel do mapa, e nem assim serão chamados de “extrema esquerda”.
Faça contas e não caia em teorias da conspiração
Continuo a ver nas redes sociais gente questionando como Flávio não teve a mesma quantidade de votos que os senadores do PL. Calma lá! São vários senadores e um Flávio: o eleitor deu um voto para Flávio, um voto para um senador e outro voto para outro senador. A mesma pessoa, portanto, pode dar um voto a Flávio e dois votos para senadores do PL. E ainda botam deputados no meio da história, fazem uma mistura com os porcentuais. O mesmo porcentual, em um estado com 3 milhões de eleitores, significa algo muito diferente em um estado com 30 milhões de eleitores. Há uma grande distância entre 100% de 30 milhões e 100% de 3 milhões. Vamos voltar à aritmética e às médias ponderadas que aprendemos na escola, para não cair nessa.
VEJA TAMBÉM:
Luiza Erundina se torna a deputada mais idosa do Brasil
Eu tenho falado aqui de candidatos que foram eleitos e outros que ficaram de fora. Lembram da Luiza Erundina, que era do PT e foi prefeita de São Paulo? Ela teve 169 mil votos, foi eleita em 13.º lugar para a Assembleia Legislativa de São Paulo, será deputada estadual aos 91 anos. Também foi em São Paulo que José Dirceu, grande pensador do PT, não foi eleito deputado federal. A ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann também não se elegeu no Paraná.
Fusão no setor de mídia coloca gigante nas mãos de herdeiro da Oracle
Temos novidades na mídia. Anotem esse nome: David Ellison, 43 anos, herdeiro da Oracle, piloto, ex-artista. É o CEO da Paramount Skydance, que assumiu a Warner, formando um grupo que inclui HBO, CNN e CBS. E ele é amigo de dois líderes políticos que vocês conhecem: Benjamin Netanyahu e Donald Trump.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



