
O excelente Poder360 pesquisou bem, e o Estadão confirmou e publicou também. Sabemos agora os detalhes da famosa degustação de uísque no George Club, em Londres, oferecida por Daniel Vorcaro, com nota fiscal de US$ 640.831,88, ou R$ 3,3 milhões. Vorcaro pagou a degustação de uísque Macallan para Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Andrei Rodrigues (diretor-geral da Polícia Federal) e Paulo Gonet, procurador-geral da República, em 25 de abril de 2024. Também estavam lá o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves, aquele do “missão dada, missão cumprida”; o presidente da Câmara, Hugo Motta; e o ex-ministro do Supremo, ex-contratado por Vorcaro, ex-ministro da Justiça (cargo que ele ocupava quando aconteceu a degustação) e ex-presidente do julgamento de Dilma, Ricardo Lewandowski.
Esse é aquele evento que aparece nas mensagens trocadas entre os dois pombinhos, em que Vorcaro conta para a namorada sobre a reunião. Diz que consultou Moraes sobre os convidados, e que o ministro vetou um: Joesley Batista. Essa o Joesley não vai esquecer, sabendo que ficou de fora do Macallan. Não conheço esse uísque; pelo jeito, é coisa de gente que tem dinheiro sobrando e de deslumbrados.
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É crime isso? A priori, não. Mas essa promiscuidade entre autoridades e um banqueiro (“banqueiro” é elogio para Vorcaro, porque banqueiro de verdade acha que ele é apenas um bobo estagiário tentando ser banqueiro, foi o que eu ouvi) pagando mimos caríssimos é algo que a ética não recomenda. Sabe-se lá o que acontece depois da décima dose.
Hora da verdade para a Segunda Turma, que julgará prisão de Vorcaro
Na sexta-feira a Segunda Turma do STF julga a decisão do relator André Mendonça que mandou prender Vorcaro. A turma é composta por Mendonça, Luiz Fux, Nunes Marques, Gilmar Mendes e Toffoli. Estou curioso para saber se Toffoli vai se declarar impedido, ou se vai votar – e, caso ele queira votar, qual será seu voto. Ele tentou evitar a prisão, tentou congelar o andamento das investigações, tentou botar sigilo total nas provas... ele e Gonet. Como Toffoli votará? E se votar para manter Vorcaro na prisão, o dono do Master ficará irritado a ponto de fazer uma delação? E Gilmar Mendes, vai demonstrar que está do lado de Fux e Mendonça, ou do lado de Moraes? É estranho acharmos esse vínculo com Vorcaro lá no fundo, mas aquele contrato de R$ 129 milhões nos autoriza a pensar assim.
Dino não podia anular quebras de sigilo decididas por CPMI, diz Advocacia do Senado
A CPMI do INSS acionou a Advocacia do Senado, que está entrando com um agravo regimental contra a decisão de Flávio Dino que, alegando que a votação em bloco não valia, suspendeu a quebra de sigilo de Lulinha e de Roberta Luchsinger, que é o elo entre Lulinha e o “careca do INSS”. Os senadores estão irritados com essa decisão que se meteu em assuntos interna corporis, ou seja, questões internas do Legislativo. A CPMI existe para investigar sem interferência do STF; depois é que os casos vão para o Supremo. Com Fernando Collor foi assim: ele foi julgado no Senado e, depois, passou por um outro julgamento no Supremo, que o absolveu de crimes comuns. No Senado, ele foi julgado e condenado por crime de responsabilidade; é diferente, um julgamento político.
Eu cobri o Supremo numa época em que controvérsias internas da Câmara e do Senado eram consideradas interna corporis, e o Supremo devolvia. Agora, já que o governo não tem maioria no Congresso em geral, usa o STF como seu braço político, e assim essa crise que o Supremo criou está batendo em Lula. A maior parte do eleitorado de Lula acha que o Supremo faz parte do Poder Executivo, e que Lula manda no Supremo; então, se temos essas coisas horríveis no Supremo, o responsável é Lula. Ele está vendo isso e está preocupado, porque sabe que terá problemas na eleição.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



