
Muita gente se pergunta por que está havendo essa perseguição contra Flávio Bolsonaro a ponto de ele ter de fugir do país e pedir asilo nos Estados Unidos. Há dois inquéritos contra ele – Flávio não é réu em nenhum deles. Um é para saber do dinheiro que foi para o filme sobre Jair Bolsonaro; não era dinheiro público, nem de estatal, era dinheiro de uma empresa privada e foi tudo feito no papel, com contrato. Isso seria de interesse de Daniel Vorcaro, não do governo brasileiro; eu só entenderia se Vorcaro estivesse movendo uma ação, queixando-se de que o dinheiro dado para patrocinar o filme não foi usado na produção. A outra investigação está correndo porque Flávio é colega de advocacia e amigo de Willer Tomaz, que está sendo investigado por lavagem de dinheiro com loterias. Não sei se essa amizade é algo que contamina – para mim, o que contamina é ter um contrato de R$ 130 milhões com Vorcaro.
Foi muito rápido e bem-sucedido o planejamento da ida de Flávio para os Estados Unidos. Ele conseguiu sair com a mulher e as duas filhas, parecia judeu fugindo da Alemanha em tempos de Hitler. Usou o passaporte italiano, já que o brasileiro já tinha sido cancelado, e pediu asilo nos EUA como perseguido político.
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Foi só Lula vencer que Alexandre de Moraes voltou ao modo habitual
O interessante é que Alexandre de Moraes parece ter sido empoderado pelo resultado da eleição. Ele estava silencioso, agora voltou a agir como de costume. Seu próximo passo, certamente, será apoiar com Lula a reeleição de Davi Alcolumbre para presidente do Senado, pois é Alcolumbre quem tranca todos os pedidos de impeachment. Por isso, a oposição já está se mobilizando, provavelmente em torno de Rogério Marinho, para tomar a cadeira de Alcolumbre.
China quer estreitar laços com o Brasil; no que eles estão de olho?
Lula, vitorioso, recebeu uma mensagem de Xi Jinping. Falou na “construção de uma comunidade China-Brasil com futuro compartilhado” e que “a natureza global, estratégica e de longo prazo na relação dos dois países tornou-se mais proeminente, servindo como modelo de unidade e cooperação entre o Sul Global”. Interessante: a China está no Hemisfério Norte, e está interessada no Sul Global. Alguns amigos estrangeiros me perguntam se a China está fazendo com o Brasil aquilo que faz na Ásia com os países pequenos. O Brasil está superendividado, a China pode comprar papéis da dívida pública brasileira, e depois fica com o Brasil na mão. Então, pode oferecer um negócio envolvendo território ou terras raras. É possível: o chinês sempre pensa no longuíssimo prazo; o Império do Meio planeja não 50 anos à frente, mas milênios à frente.
O Paraguai também saiu ganhando com a vitória de Lula
Dizem que Flávio, antes de ir para os Estados Unidos, cruzou a Ponte Tancredo Neves, sobre o Rio Iguaçu, e foi para a província de Misiones, na Argentina. Fica em Foz do Iguaçu também, mas não vai até o Paraguai. A ponte que leva ao Paraguai é a Ponte de Amizade, e muitas empresas brasileiras estão cruzando essa ponte para se estabelecer lá, enquanto aqui no Brasil as empresas vão definhando. O Magazine Luiza perdeu quase 60% em valor de mercado na segunda-feira, recuperou apenas uma parte disso na terça. A bolsa continua caindo.
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Temos muitas notícias de empresas brasileiras que estão de mudança para o Paraguai, dando emprego aos paraguaios, exportando, levando divisas para o Paraguai, e pagando um mínimo de imposto. Agora, a Araico, uma empresa paraguaia, assinou um acordo com a norte-americana Crusoe para a construção de um enorme data center no Paraguai. Data centers consomem muita muita energia, e vão aproveitar a energia que sobra de Itaipu para o Paraguai. Com isso, eles vão prestar serviços para o continente inteiro, inclusive os Estados Unidos. Os EUA têm mais de 5 mil data centers; o Brasil tem 218. Para comparar, a Índia tem 305 e a Alemanha, 533.
O Paraguai deve estar agradecendo aos brasileiros pelo resultado da eleição, porque ainda mais empresas devem se mudar para lá. Eu vejo inclusive as pessoas conversando sobre migrar, porque o Paraguai fica pertinho e tem melhores condições de segurança. Aqui temos insegurança jurídica, insegurança fiscal, insegurança tributária, insegurança pública. O Paraguai está resolvendo esse problema por lá. É uma pena, porque o Brasil tem um potencial enorme, mas potencial não se torna real se não houver uma boa administração estratégica.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



