
Estão todos dizendo que Gilmar Mendes e Flávio Dino enrolaram Edson Fachin, para que o STF não decidisse coisa nenhuma a respeito de Alexandre de Moraes – que, ainda por cima, participou do próprio julgamento com um voto, o que é um absurdo. Isso não existe no Direito – ao menos não no verdadeiro Direito; mas existiu durante o inquérito do fim do mundo, criado há sete anos porque o Supremo se julgava criticado e difamado, e por isso abriu um inquérito ele próprio, para punir aqueles que o difamavam.
É um inquérito que começou sem Ministério Público, totalmente ilegal, mas que o Supremo validou por 10 votos a 1. O Supremo como um todo é responsável por isso. Tanto que a ministra Cármen Lúcia, na terça-feira, afirmou que, se foi omissa por não ter ajudado a evitar isso, pedia desculpas ao povo brasileiro. Ela disse estar constrangida e triste. Talvez esteja vendo a luz agora, a luz que o jornalismo brasileiro demorou sete anos para ver porque havia vergonhosamente deixado de lado os seus princípios.
WhatsApp: entre no grupo e receba as colunas do Alexandre Garcia
Ministros do STF depredam a corte muito mais que os manifestantes do 8 de janeiro
Um coronel que mora no Novo México, nos Estados Unidos, está lá há um ano sem receber salário. Reginaldo Vieira de Abreu foi condenado a 15 anos nos “processos do golpe” e, quando viu que seria preso, saiu do país. Fez um pedido de refugiado político, que ainda não foi decidido; enquanto isso, seu visto de turista venceu, e ele foi preso há dois ou três dias. Não sei da situação dele agora. É mais uma vítima de Alexandre de Moraes, como os milhares de vítimas nos processos do 8 de janeiro, que não tiveram direito à ampla defesa e ao devido processo legal. A cabeleireira Débora foi punida porque escreveu com batom “perdeu, mané” em uma estátua que no dia seguinte já estava limpa. Mas o estrago que os ministros do Supremo estão fazendo na própria instituição é muito maior e bem mais difícil de consertar que o feito pela Débora.
Brasil de Lula não está combatendo o crime organizado, dizem EUA
O governo de Donald Trump entregou ao Congresso americano um relatório dizendo que o Brasil não está combatendo o crime organizado, as facções como o PCC e o Comando Vermelho. Outros países ocidentais estão dando exemplo de combate enérgico ao crime, mas o Brasil não. Nós sabemos que Lula não gosta da polícia, que gosta de bandidos. Agora, ele diz que sempre combateu o crime aqui, mas demagogos e populistas como ele só combatem o crime com saliva. Saliva não acaba com o crime; no máximo, molha a pólvora.
VEJA TAMBÉM:
Eleitor que não quer Lula é a maioria
Neste momento delicado, perto da eleição, saiu uma pesquisa feita pela Data Trends em todo o Brasil, em todas as 27 unidades da Federação. Na simulação de primeiro turno, Lula tem 39% e Flávio Bolsonaro tem 35%. Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, juntos, têm 14%; com isso, o voto anti-Lula pularia para 49%, enquanto Lula subiria para algo em torno de 40%. Os nulos, brancos e indecisos são 12%, o que daria 20 milhões de votos – eu acho pouco; deve haver mais gente planejando ficar de fora.
(Metodologia: O levantamento ouviu 2 mil eleitores em 27 unidades da Federação entre 12 e 14/9. Margem de erro estimada é de 2,19 pontos porcentuais para mais ou para menos. Nível de confiança: 95%. Registro no TSE: BR-08691/2026.)
Em seis anos, juros americanos foram multiplicados por 16
Sinal dos tempos: o Fed, o Banco Central americano, subiu sua taxa básica de juros de 3,75% para 4%. Isso significa atração de aplicações nos Estados Unidos, com investidores comprando papéis nos EUA e não no Brasil. Em 2020, a taxa básica de juros era de 0,25%; para se chegar a 4%, a taxa foi multiplicada por 16 nesse intervalo; uma senhora subida.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



