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Alexandre Garcia

Alexandre Garcia

Jornada 6x1

Reduzir jornada mantendo salário vai causar inflação e desemprego

jornada 6x1
PEC protocolada na Câmara acaba com jornada 6"1. (Foto: Ana Volpe/Agência Senado)

Na segunda-feira o presidente da Câmara, Hugo Motta, decidiu enviar para a Comissão de Constituição e Justiça a proposta de emenda constitucional para reduzir a jornada de trabalho no Brasil, acabando com o 6x1, como é conhecida a jornada atual. A Constituição diz, no artigo 7.º, dos direitos sociais, que a jornada de trabalho não deve exceder 44 horas semanais. Como é possível haver negociação? A média da jornada de trabalho no Brasil, segundo os entendidos, está em 38,5 horas por semana. Baixar para 36 horas significa tirar um ano e cinco meses por década.

Parece que o Brasil não precisa de trabalho. Já está faltando mão de obra, porque o pessoal fica pendurado no Bolsa Família – esse vai ser o meu assunto nos jornais nessa semana. É um absurdo. Se fosse um país que estivesse esbanjando riqueza, tudo bem, vamos trabalhar menos. É claro que quem trabalha pensa com imediatismo, pensa “muito bom, vou ter mais tempo para farra, para festa, para tomar algumas, talvez brigar até”. Sindicato já está achando bom, 66% das pessoas estão achando bom. Mas as consequências já virão em um ano. Mais inflação, porque alguém que vai pagar o mesmo salário para menos trabalho terá de cobrar no produto final. E menos emprego, porque quem ganha mais será substituído por quem aceita ganhar menos. E a produção geral do país vai diminuir.

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Partidos não têm mais projetos de verdade, estão todos iguais

Ouvi o presidente Lula dizendo que será candidato só mais uma vez e que não quer outro mandato, mas que está muito bem de saúde – e está mesmo, com 80 anos está bem, constatamos isso. Mas ele está reclamando que o partido não tem projeto para essa campanha. Qual é o projeto para estimular os jovens, os eleitores de primeira eleição, a votar no PT? Essa é uma pergunta que pode ser feita para outros partidos também. Eles estão esquecendo de programa, porque os partidos todos ficaram iguais. Todos têm o mesmo programa: combater a fome, combater a pobreza, dar segurança pública, isso e aquilo, tudo a mesma coisa. Chamem o Paulo Guedes para fazer um programa que tire o país dessa sinuca de bico, de uma dívida pública que engole, só em juros, R$ 1 trilhão por ano. Quem é que resiste a isso, gastando cada vez mais e desestimulando o trabalho com o Bolsa Família?

Mais uma denúncia de importunação sexual contra ministro do STJ 

Apareceu mais uma denúncia de importunação sexual contra o ministro do STJ Marco Aurélio Buzzi – que está internado e nega tudo. Por que isso só aparece agora? Porque as pessoas ficam caladas. Segundo a primeira moça a fazer denúncia, a de 18 anos, que teria sido assediada no mar, ele teria dito a ela que fosse discreta se quisesse subir na vida. A outra estava sendo discreta, e sabe-se lá quantas estão sendo discretas para poder subir na vida, mas esta segunda denúncia foi de alguém que estava quieta, mas tomou coragem. Que escândalo! O sujeito é ministro do Superior Tribunal de Justiça, que é a última instância para assuntos criminais – assunto criminal não vai para o Supremo, só se for uma questão constitucional; mas esse Supremo de hoje aceita tudo.

VEJA TAMBÉM:

Piloto é preso na cabine de avião, acusado de pedofilia

Falamos de funcionários do Estado, mas temos um caso de um funcionário de uma empresa aérea, a Latam, preso antes da decolagem em Congonhas, já no cockpit de comando, com as quatro listrinhas de comandante no ombro. Sérgio Antônio Lopes, 60 anos, foi preso por pedofilia: ele “alugava” crianças ou meninas e as levava ao motel falsificando a identidade. Uma avó de 55 anos também foi presa; ela alugava as três netas para o piloto. Vi que ele entrou na viatura policial ainda com o uniforme da Latam, mas quando saiu já não estava mais, usava só a camiseta de baixo. Talvez os policiais tenham recomendado que ele tirasse o uniforme, que a empresa não tinha nada a ver com isso. É vergonhoso convivermos com isso.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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