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Embora Lula não seja uma novidade para o brasileiro, no dia seguinte à reeleição o mercado reagiu derrubando a bolsa em minutos após a abertura e fazendo o dólar disparar de menos de R$ 5 para quase R$ 6. Tudo na primeira manhã após a eleição mostrar que Lula continuará por mais quatro anos. Que macrodificuldades econômicas assustam os que operam com o capital das empresas abertas e com o mercado exterior? Que mudanças esperam aqueles que já vêm operando as oscilações dos mercados de capitais e de câmbio desde 2023, quando começou o terceiro mandato de Lula? Talvez não esperem mudanças, o que é grave e significa piora da atual situação de endividamento público e acúmulo de déficits nas contas do governo.
Nesses dias, Lula tem dito que “nós vamos mudar o jeito de governar este país”. Soa amplo e se abre a interpretações diferentes. Será que ele está fazendo uma autocrítica? Será que vai cortar ministérios, despesas, rever a área social, combater o endividamento? Ou será uma ameaça, pois fala em maior participação do povo, o que acontece na democracia direta da Suíça, mas pode soar como substituir o Congresso dos representantes do povo e dos estados onde ficou com minoria de deputados e senadores na última eleição? Talvez tenha sido essa incerteza que fez a bolsa acionar o circuit braker e impulsionou a busca de proteção no dólar e no ouro.
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E há as incertezas deixadas nos dois debates. Lula dando as costas para a câmera, cometendo o ato falho de “o Brasil acabou” na Band e, na Globo, confuso com o painel de assuntos, sem ouvir respostas de Flávio Bolsonaro, lento no raciocínio e cometendo mais um ato falho, o de “acabar com a polícia”. Lula já não é o jovem ágil; é o presidente mais idoso da história do Brasil, repetindo as ideias de gastança e de que o consumo gera crescimento, sem se preocupar com o endividamento. Seriam mais quatro anos de agravamento das consequências do desequilíbrio fiscal e da dívida pública.
A tudo isso se soma a insegurança jurídica e institucional criada pelo Supremo, acrescida da insegurança eleitoral agravada por Cristiano Zanin. O primeiro turno fez uma Câmara e boa parte do Senado sob medida para Flávio, e de oposição a Lula. Temos, então, dificuldades econômicas, jurídicas e políticas para o próximo quadriênio. Mas não se pode dizer que acabou o Brasil, porque o potencial do país é muito grande – tão grande quanto vencer o desafio de encontrar um caminho estável e seguro para dar ensino, saúde e segurança que conduzam ao bem-estar e à prosperidade um dia, enfim.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



