
Um deputado estadual de São Paulo, Marcelo Aguiar, do PL, cantor gospel, integrante da bancada evangélica da Assembleia Legislativa, está sendo investigado em um caso de disparo de arma Glock 380. Ele até tem porte, mas não podia estar com a arma, tendo bebido e estando em um clube noturno. Segundo relatos, ele estava importunando mulheres e alguém foi chamar sua atenção; parece que ele foi reagir e caiu. Não sei se o deputado estava com a arma na mão ou se ela estava guardada, mas a Glock disparou, ou seja, ele não estava cuidando direito da arma, que tinha um cartucho na câmara, mas não estava com as travas de segurança. Estava todo errado, estava bêbado, e a defesa ainda disse que ele havia tomado medicamento e estava alterado – mais uma agravante, ainda por cima.
Descobriram também que o carro do deputado, um BYD chinês, estava com uma placa da Assembleia Legislativa, mas aquela placa, na verdade, era de um Toyota Corolla; então, estava todo irregular. Provavelmente ele fazia isso para poder cometer infrações com o BYD e a multa acabar na Assembleia, que talvez tenha algum tipo de acordo com o Detran. Agora estão pedindo a cassação dele; o eleitorado, no dia 4, já o havia cassado quando não lhe deu votos necessários para se reeleger. Mas a bancada evangélica também tem de expulsá-lo, porque é um vexame, é muita hipocrisia um cantor gospel, de bancada evangélica, importunando mulheres, bêbado, com arma na cintura, sob efeito de medicamento e com carro com placa ilegal.
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O eleitor tem de considerar se as pessoas que estão pedindo voto realmente obedecem à lei, que é igual para todos: para o mais humilde dos eleitores, para um presidente da República, para um governador, e também para um legislador – que faz as leis, e por isso tem de ser um modelo ainda maior de respeito às leis. É básico, para quem tem porte de arma, não estar com ela se vai frequentar aglomerações ou festas e beber álcool, nem se estiver sob o efeito de algum medicamento. É preciso estar absolutamente lúcido para poder usar uma arma.
Se os jornalistas estão entregando trabalho à IA, podiam ao menos revisar antes de publicar
Em véspera de eleição, praticamente tudo gira em torno de eleição e política, mas queria fugir um pouquinho disso e falar sobre assuntos críticos do nosso trabalho jornalístico, em dois casos de pessoas que fizeram o Brasil passar vergonha mais uma vez.
VEJA TAMBÉM:
Uma certa Malévola Alves foi ao Egito e gravou um vídeo na frente das pirâmides (acho que foi diante das pirâmides de Quéops e de Miquerinos). Ela foi presa por fazer gestos obscenos. E percebe-se que o texto noticiando a prisão foi feito por inteligência artificial. Um portal de notícias escreveu: “Mariana Alves, conhecida como Malévola Alves, as duas aparecem fazendo gestos sexuais”. A IA não sabe a diferença entre “sensuais” e “sexuais”, e ainda interpretou os dois nomes como se fossem duas pessoas diferentes; não sei se já corrigiram. Mas o fiasco da brasileira que foi presa foi enorme.
Nos Estados Unidos, Rômulo Ferreira de Oliveira foi preso vendendo green card – o documento que permite ao portador ficar permanentemente nos EUA; Eduardo Bolsonaro tem um desses – e o cartão de social security, que seria mais ou menos como o nosso CPF. A notícia dizia que ele estava vendendo os documentos em troca de dinheiro, mas reparei que o site (o mesmo do caso da brasileira no Egito) escreveu o nome dele como os americanos fazem: “Rômulo Ferreira De Oliveira”, com D maiúsculo. Os americanos escrevem assim, mas nós não.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



