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Alexandre Garcia

Alexandre Garcia

Reforma agrária

Paz no campo, só no dia em que as invasões acabarem

João Pedro Stedile, líder do MST, discursa para apoiadores: governo Lula mudou leis e pôs ministérios para trabalhar pelo movimento. (Foto: Hugo Harada/Arquivo/Gazeta do Povo)

O agro que se cuide! O ministro do Desenvolvimento Agrário – que nome, não? Do “desenvolvimento agrário” quem cuida é o ministro da Agricultura, quem faz o desenvolvimento agrário é o agricultor, isso está mais pra ministro da reforma agrária –, Paulo Teixeira, anunciou que logo haverá um pacote imenso de desapropriações para reforma agrária, assentando 230 mil famílias e mais 26 mil que ainda estão esperando. O anúncio provavelmente será feito por Lula em Salvador, no encontro nacional do MST.

Segundo o ministro, essa é a maneira de se conseguir paz no campo. Para termos paz no campo, quer dizer que depois disso o MST vai acabar, certo? Todo mundo foi atendido, todos terão terra, não existirá mais sem-terra, vão todos para o sindicato rural, plantar soja, filiar-se à Aprosoja... vai ser assim, não vai? Ninguém mais invadirá nada depois disso. Isso, sim, seria a paz no campo.

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Senador Girão quer que PGR se manifeste sobre como Toffoli conduz o caso do Master 

Paz é algo que nós queremos também do Supremo. Alguns ministros do STF se acham donos da Constituição, donos da lei, donos do devido processo legal e donos do Supremo – mas não são; são apenas servidores do povo brasileiro. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) foi à Procuradoria-Geral da República com uma interrogação sobre o Banco Master e o ministro Dias Toffoli, que se apropriou das investigações. Girão é um dos integrantes da CPMI do INSS, que está investigando o roubo de R$ 6 bilhões de idosos beneficiários da Previdência, e chegou-se ao ponto de os membros da CPMI não poderem saber o que está nos celulares apreendidos – de Daniel Vorcaro, por exemplo –, que estão sob lacre. Girão quer abrir isso; a CPMI já foi ao ministro André Mendonça, relator do caso da Previdência, para pedir acesso. Mas o senador está considerando muito fora do normal a atuação de Toffoli.

Dizem que o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, está preocupado com isso e tem conversado com os outros ministros; como o Estadão cobrou no editorial de terça-feira, o silêncio de Fachin se aproxima da omissão. O jornal diz que é preciso fazer alguma coisa – até para salvar o Supremo, que está sendo esmagado pela demolição do Master em cima da corte, por causa de dois ministros.

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Prefeito é denunciado por corrupção em caso que fez promotores pedirem demissão

Lembram daquela equipe de promotores que trabalhava no Maranhão e que renunciou ao grupo especial de combate ao crime organizado por achar que a procuradoria-geral do estado não estava atendendo a esse grupo? Agora o procurador denunciou o prefeito de Turilândia (que tem esse nome porque fica à margem do Rio Turiaçu), Paulo Curió; a mulher dele, Eva Curió; a vice-prefeita; a ex-vice-prefeita; e mais seis pessoas, por corrupção: desvios de R$ 56 milhões em um município de pouco mais de 30 mil habitantes. E ainda faltam os 11 vereadores, que estão com tornozeleira e não foram denunciados ainda.

Como adoram pegar dinheiro do povo... sim, é do povo, o dinheiro não é do Tesouro Nacional. O Tesouro é só o guardião. O dinheiro é do povo brasileiro, obtido com suor e pagamento de impostos, diretos ou indiretos. Cada vez que um brasileiro que ganha o salário mínimo vai comprar algo, ele está pagando imposto. Temos de pensar mais nisso: que o Estado brasileiro é sustentado pelo nosso trabalho. E temos de dar um basta na ladroagem; na hora de votar, não podemos escolher ninguém que seja suspeito de ser ladrão, corrupto ou mentiroso. Tem de estar acima de qualquer suspeita.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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