
Olhando a pesquisa publicada nesta segunda-feira pela Nexus, que foi paga pelo BTG Pactual, vamos perceber que ainda há muito eleitor a ser conquistado. Segundo a pesquisa, são 5% de brancos e nulos, 2% de indecisos, 23% que não têm interesse e 5% que não vão votar. São 40 milhões, 50 milhões, 55 milhões de eleitores em 159 milhões a serem conquistados.
Até nisso há um potencial. O Brasil é um país que tem um tremendo potencial de riqueza, mas não se torna potência porque não sabe usar o seu potencial. Será que os candidatos, os partidos e os próprios eleitores interessados em defender os seus candidatos a deputado, senador, governador e presidente sabem como conquistar mais votos para os seus preferidos? Não se conquista voto brigando, mas argumentando e convencendo. Para isso, é preciso ter informação e conhecimento. Nós nos valorizamos e ganhamos poder com o conhecimento. Por isso muitos políticos não fazem questão de investir no ensino, porque fica mais fácil de dominar a população; vejam só o nível do serviço público e dos políticos.
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Dino afasta presidente de TCE ligado a grupo político rival
O ministro Flávio Dino, que é maranhense, ex-governador e que foi eleito para ser representante do Maranhão no Senado, abriu mão disso e deu as costas para o seu eleitor, aceitando ser ministro do Supremo. Acho tão estranho isso, um desprezo ao eleitor. Agora ele determinou o afastamento, por 180 dias, do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, Daniel Brandão. Esses tribunais de contas têm muita coisa a ser examinada, porque dão lugar a protegidos – o presidente afastado, por exemplo, é sobrinho do atual governador.
O motivo do afastamento seria a interferência nas investigações de um assassinato ocorrido em 2022, causado por uma discussão sobre distribuição de propina com verbas públicas federais. Por causa disso, o processo até veio para o Superior Tribunal de Justiça, onde o senador Weverton teria atuado para resolver as coisas. Em 2024, Gilbson Cutrim Soares Júnior foi condenado pelo homicídio. O sobrenome lembra alguém? Raimundo Cutrim, ex-secretário, teve contra si operação de busca e apreensão; ele seria a fonte do jornalista Luís Pablo, que denunciou o suposto uso irregular de carro oficial por Dino em São Luís. Neste caso do assassinato, o que se diz é que Raimundo teria pedido para o pai do condenado que ele retirasse algumas declarações para não envolver o presidente do Tribunal de Contas, o sobrinho do governador.
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É uma trama enorme, difícil de entender, mas que nos deixa pensando: tudo isso é feito em nome do povo (porque todo poder emana do povo) e com o dinheiro do povo, que paga imposto mesmo que não queira, sempre que compra alguma coisa.
Mais um acidente que mostra por que é preciso usar cinto também no ônibus
Eu posso soar chato porque vivo me repetindo sobre esse assunto, mas vocês viram o que aconteceu com o ônibus fretado que estava levando pessoas de Belo Horizonte, para um fim de semana em Copacabana? Eram 56 pessoas no ônibus, inclusive a tripulação, e na serra de Petrópolis ele rolou para fora da estrada. Eu vi as fotos; o ônibus está inteiro. Quem estivesse amarrado no cinto estaria preservado lá dentro, a menos que alguém sem o cinto tivesse sido jogado e acertasse outro passageiro. Sempre digo que é preciso usar cinto de segurança também nos ônibus. Houve 10 mortos e, ao que parece, de 15 a 20 feridos. Provavelmente quem saiu ileso é porque estava com o cinto e teve a sorte de não ser atingido por ninguém ou por nada enquanto o ônibus rolou – ele deu umas duas voltas, pelo que vi na foto. Usar cinto é a diferença entre a vida e a morte.
Metodologia da pesquisa citada na coluna
2.003 entrevistados pelo instituto Nexus de 14 a 16 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos porcentuais. Registro no TSE n.º BR-03317/2026.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



